Justiça autoriza quebra de sigilo de celular encontrado com Jairinho

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A Justiça do Rio de Janeiro autorizou a quebra de sigilo do celular apreendido na cela de Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, condenado pela tortura e morte do menino Henry Borel, de 4 anos. O telefone foi encontrado pela Polícia Penal nessa quarta-feira (1º/7), durante fiscalização no presídio onde o homem cumpre pena, no Complexo de Gericinó, na zona oeste do Rio de Janeiro.A decisão atende a um pedido do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que pretende analisar o conteúdo do aparelho em busca de elementos que possam auxiliar em investigações relacionadas à atuação do condenado enquanto estava preso. Leia também Mirelle PinheiroCelular é achado escondido em livros na cela do ex-vereador Jairinho Mirelle PinheiroEntenda linha de investigação do sumiço de ex do goleiro Bruno Mirelle PinheiroJuiz manda suspender perfil de influencer que atacou Nordeste Mirelle PinheiroPolicial militar morre após passar mal em esteira de batalhão no PR A autorização para a quebra do sigilo foi concedida na sexta-feira (3/7) pela juíza Elizabeth Machado Louro, responsável pelo julgamento que condenou Jairinho.Segundo o MP, a extração integral dos dados será realizada pela Divisão Especial de Inteligência Cibernética (DEIC). Para o órgão, o conteúdo do aparelho poderá fornecer provas relevantes sobre a eventual utilização do celular para manter contato com pessoas fora do sistema prisional.O celular foi encontrado durante uma varreduraNa manifestação enviada à Justiça, o promotor Fábio Vieira dos Santos afirma que a medida é necessária para apurar possíveis influências exercidas por Jairinho sobre terceiros durante sua custódia, além de identificar contatos, comunicações e eventuais articulações que possam ter repercutido na regularidade da persecução penal.Assistente de acusação no caso e pai de Henry, Leniel Borel defendeu uma investigação aprofundada sobre o uso do aparelho.“Agora precisa ser investigado até o fim: quem colocou esse aparelho lá, há quanto tempo estava sendo usado, quais mensagens foram trocadas, com quem ele falava e se houve tentativa de articulação, intimidação ou interferência em processos. Celular na cela de um condenado por crimes tão graves não é detalhe: é privilégio, falha e risco”, declarou.Nessa quinta-feira (2/7), a Justiça também determinou, em caráter de urgência, que Jairo Souza Santos, pai de Jairinho, se abstenha de divulgar informações consideradas falsas sobre Leniel Borel. A decisão ainda determinou que conteúdos publicados sejam removidos pelo Google.Em 4 de junho deste ano, Jairinho foi condenado a 43 anos de prisão pelos crimes de tortura e homicídio qualificado pela morte de Henry Borel, ocorrida em março de 2021.