A Argentina colocou em discussão um modelo de empresas que poderiam ser administradas por inteligência artificial, mas ainda com supervisão humana obrigatória, afirma a Reuters.O tema ganhou força depois de declarações do presidente Javier Milei, que levantaram tanto interesse quanto dúvidas no setor jurídico e tecnológico.IA pode assumir decisões em empresas argentinas, mas ainda sob controle legal de administradores humanos. – Imagem: CL STOCK / ShutterstockA proposta em debateA ideia apresentada pelo governo argentino sugere um tipo de empresa em que sistemas de inteligência artificial poderiam assumir decisões do dia a dia. O plano foi descrito por Milei em um artigo publicado no Financial Times e integra uma reforma mais ampla do ambiente corporativo do país.Mesmo com o tom inovador, não se trata de eliminar pessoas da estrutura. Qualquer empresa desse tipo ainda precisaria de um responsável legal para responder pelas operações.Milei sintetizou o espírito da proposta com a frase: “Estamos abertos para negócios”.O que muda na práticaO projeto abre espaço para que a IA participe diretamente da gestão, mas sem retirar a responsabilidade dos administradores humanos. Ou seja, a automação cresce, mas a responsabilização continua sendo humana.O professor Lawrence Cunningham, da Universidade de Delaware, comentou o tema com cautela: “Seria um primeiro passo muito ousado dispensar completamente a intervenção humana”.Entre os pontos centrais discutidos na proposta estão:Uso de inteligência artificial em decisões operacionaisPossível redução de estruturas corporativas tradicionaisModelos de gestão mais automatizadosResponsabilidade legal mantida com humanosIntegração com tecnologias como blockchainEspecialistas discutem riscos e limites de empresas que utilizam inteligência artificial na tomada de decisões. – Imagem: Nadzeya_Dzivakova/iStockO debate que se formouA proposta também abriu espaço para uma discussão mais ampla sobre limites da inteligência artificial dentro de empresas.O historiador Yuval Noah Harari alertou que o aumento da autonomia da IA pode enfraquecer a responsabilização corporativa e criar áreas cinzentas no campo jurídico.Do lado do governo, a avaliação é mais otimista. Em comunicado citado pela Reuters, o objetivo seria tornar o ambiente regulatório mais atrativo para investimentos em tecnologia.Regulamentação em estudo busca permitir uso de IA sem abrir mão de supervisão e controle humano. – Imagem: Garun.Prdt/ShutterstockUm modelo ainda em testeApesar do debate intenso, especialistas tratam a proposta como um experimento regulatório, não como uma mudança imediata no mercado.Leia mais:Alvo de críticas, Google destaca métodos de suicídio em resumos de IAMark Zuckerberg está insatisfeito com o avanço lento dos sistemas de IA da MetaIA falha em tarefas e empresas voltam a contratar humanosA própria Reuters observa que outros países já exploram estruturas semelhantes, mas ainda de forma limitada e experimental.Mesmo com o avanço da IA em diversas áreas, pesquisadores reforçam que a tecnologia ainda não tem autonomia suficiente para substituir decisões humanas complexas no ambiente corporativo.No fim, a iniciativa argentina funciona mais como um ensaio de futuro do que como uma transformação já estabelecida — mas suficiente para movimentar o debate global sobre o papel da inteligência artificial nas empresas.O post Argentina quer criar empresas geridas por inteligência artificial — mas há um detalhe apareceu primeiro em Olhar Digital.