Roubo de hardware de IA cresce e impulsiona mercado ilegal bilionário

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O crescimento acelerado da inteligência artificial (IA) está criando uma nova frente de atuação para o crime organizado. Impulsionadas pela expansão dos data centers e pela alta demanda por equipamentos especializados, quadrilhas internacionais passaram a mirar cargas de servidores, semicondutores e outros componentes usados na infraestrutura de IA, que são revendidos no mercado ilegal por valores milionários. A avaliação é de especialistas ouvidos pela revista Fortune.Segundo a publicação, a expectativa de que o mercado global de data centers alcance US$ 7 trilhões até o fim da década tornou esse tipo de equipamento um alvo cada vez mais lucrativo. David Warrick, vice-presidente executivo da Overhaul, empresa especializada em gestão de riscos na cadeia de suprimentos, afirmou que esse mercado clandestino começou a ganhar força entre três e cinco anos atrás, acompanhando a popularização da IA generativa após o lançamento do ChatGPT."Do ponto de vista oportunista do crime, a economia ficou simplesmente insana", disse Warrick à Fortune. "Com o mundo investindo um trilhão de dólares e todos gastando muito dinheiro, os criminosos pensam: 'Que ótima oportunidade; vocês precisam participar'."A movimentação já aparece em operações policiais. Na semana passada, investigadores do Estado de Illinois recuperaram US$ 1,3 milhão em equipamentos roubados de data centers. De acordo com as autoridades, um dos trailers encontrados nos arredores de Chicago transportava cerca de US$ 1 milhão em infraestrutura de data center furtada em Jacksonville, na Flórida, enquanto outro continha US$ 300 mil em fios de cobre roubados no Alabama. O metal é amplamente utilizado em sistemas de transmissão de dados e refrigeração.Eletrônicos concentram parte dos roubosDados da empresa de análise Verisk CargoNet mostram que o roubo de cargas movimentou US$ 725 milhões em 2025. Apenas nos três primeiros meses deste ano foram registrados 767 casos, com perdas de US$ 132 milhões. Embora o número de ocorrências tenha caído em relação ao ano passado, o valor médio das cargas roubadas aumentou de aproximadamente US$ 200 mil para quase US$ 275 mil. Segundo a Overhaul, os eletrônicos responderam por 22% de todos os roubos registrados no ano passado.Em comunicado enviado à Fortune, a Verisk CargoNet afirmou que "tecnologia de alto valor e fácil revenda, como servidores, semicondutores e outros componentes que alimentam a infraestrutura de IA, é um alvo cada vez mais atraente". A empresa alerta que esses crimes não apenas interrompem cadeias de suprimentos e atrasam a implantação de infraestrutura tecnológica, como também podem gerar prejuízos operacionais muito superiores ao valor dos equipamentos furtados.Casos recentes ilustram essa tendência. Em julho de 2024, um caminhão operado pela Ceva Logistics, que transportava cerca de US$ 15 milhões em semicondutores e produtos da Apple, foi roubado em Nevada. Duas semanas depois, o veículo foi encontrado vazio na Califórnia.Já em dezembro do mesmo ano, criminosos levaram mais de US$ 7 milhões em chips da Nvidia de um armazém na Califórnia, um dia antes da entrega prevista para uma unidade da Supermicro, segundo informações citadas pela Fortune.Para Warrick, o esquema envolve organizações criminosas estruturadas, que atuam internacionalmente e abastecem mercados como China, Rússia e Irã, países que enfrentam restrições impostas pelos EUA para adquirir tecnologias avançadas de IA.Segundo o executivo, essas quadrilhas utilizam fraudes digitais, empresas de transporte falsas, documentos adulterados e invasões a sistemas logísticos para desviar cargas de alto valor. Em resposta, o setor de logística vem ampliando o uso de ferramentas de IA para monitorar remessas e validar documentos. "Estamos tendo que evoluir não apenas com a tecnologia, mas porque entendemos que esta é uma corrida armamentista", afirmou Warrick à Fortune.