A União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Abin (Intelis) afirmou que o episódio da “Abin Paralela” reforça a necessidade de atualizar o marco legal das atividades de inteligência no Brasil e ampliar os mecanismos de controle.A manifestação foi enviada ao Metrópoles após a publicação da reportagem que mostrou que a Casa Civil, a Secretaria de Relações Institucionais (SRI) e a Polícia Federal (PF) resistem ao projeto que cria uma nova legislação para o setor por temor da repetição de episódios como o da “Abin Paralela”.Na nota, a entidade afirma que “a preocupação com episódios de desvio de finalidade na atividade de Inteligência é legítima e deve ser tratada com a devida seriedade institucional”.A entidade acrescenta que, “por esse motivo”, o debate sobre a atualização da legislação “deve partir da premissa fundamental de que eventuais desvios são enfrentados por meio da lei, de mecanismos de controle eficientes e eficazes, da profissionalização, da transparência e da responsabilização”.Segundo a Intelis, o episódio conhecido como “Abin Paralela”, no entanto, “não pode servir de argumento para paralisar a modernização da Inteligência brasileira”.A entidade afirma que a investigação sobre supostos abusos e desvios de finalidade por uma estrutura paralela instalada no órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin), sob o comando do então policial federal e diretor-geral da Abin, Alexandre Ramagem, “deve reforçar a urgência de uma regulamentação robusta”.A Intelis sustenta ainda que a regulamentação deve delimitar atribuições, separar de forma inequívoca a inteligência de Estado da investigação criminal, impedir usos privados ou político-partidários da atividade, assegurar a rastreabilidade e a auditoria dos procedimentos e submeter técnicas sensíveis aos mecanismos adequados de controle.Segundo apuração da reportagem, o texto deve ser submetido à votação no Senado na próxima semana, após passar por ajustes em seu conteúdo.Leia a íntegra da nota da IntelisA seguir, a íntegra da manifestação enviada pela União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Abin (Intelis) ao Metrópoles:“A INTELIS – União dos Profissionais de Inteligência de Estado da ABIN vem a público manifestar-se a respeito da matéria intitulada “Planalto resiste à nova lei da inteligência por temor de repetição da ‘Abin Paralela'”, publicada pelo Metrópoles, em 27 de junho de 2026.A preocupação com episódios de desvio de finalidade na atividade de Inteligência é legítima e deve ser tratada com a devida seriedade institucional.Justamente por esse motivo, a INTELIS entende que o debate público sobre a necessidade da atualização do marco legal da Inteligência de Estado deve partir da premissa fundamental de que eventuais desvios são enfrentados por meio da lei, de mecanismos de controle eficientes e eficazes, da profissionalização, da transparência e da responsabilização.O episódio conhecido como “Abin Paralela” não pode servir de argumento para paralisar a modernização da Inteligência brasileira. Ao contrário, esse episódio, referente à investigação da ocorrência de abusos e desvios de finalidade por suposta estrutura paralela instalada no órgão central do SISBIN, sob o comando do então Policial Federal e Diretor-Geral da Agência, Alexandre Ramagem, deve reforçar a urgência de uma regulamentação robusta, capaz de delimitar atribuições, separar de forma inequívoca a Inteligência de Estado da investigação criminal, impedir usos privados ou político-partidários da atividade, assegurar rastreabilidade e auditabilidade dos procedimentos e submeter técnicas sensíveis aos mecanismos adequados de controle.O antídoto contra a repetição da lamentável “Abin Paralela” é exatamente aquilo que o Projeto de Lei nº 6423/2025 pretende consolidar: uma Inteligência de Estado profissional, juridicamente delimitada, democraticamente controlada e protegida contra capturas político-partidárias.“