Funcionários de uma unidade de saúde revelaram, em audiência na Comissão Especial da Câmara Municipal de Sorocaba (no interior de São Paulo, que denunciaram ao Conselho Tutelar, em fevereiro, suspeitas de negligência e maus-tratos contra o bebê Miguel, de 1 ano, que morreu em 1º de junho com ferimentos pelo corpo e sinais de abuso sexual.Entre os funcionários ouvidos, nesta quinta-feira (2/7), estava uma técnica de enfermagem que, em depoimento, contou que o menino chegou ao atendimento com hematomas na testa, fimose e outras marcas de falta de cuidado, como assaduras e unhas compridas.Ao ser questionada, a mãe da criança, Gabrielly Franco Garcia, teria dito que Miguel reclamava de dores havia algum tempo. O padrasto, Rafael Luis Alves Júnior, por sua vez, teria afirmado que os hematomas seriam fruto de brincadeiras com um cachorro da raça pitbull. Os dois são réus por homicídio qualificado. Leia também São PauloAcusado de matar PM Gisele, coronel preso tem interrogatório remarcado São PauloRope jump: CEO priorizou recuperar GoPro a socorrer vítima, diz polícia São PauloMPSP denuncia PMs por matar jovem e plantar arma ao lado do corpo São PauloMulher se desespera ao ver marido ser morto em frente a escola no ABC A técnica de enfermagem afirmou, durante a audiência na Câmara, que acionou uma assistente social enquanto o bebê era atendido. Já o médico responsável pelo atendimento teria recomendado que Miguel fosse internado e encaminhado a um hospital.Segundo as oitivas, a assistente social conversou com mãe e padrasto da criança e também acionou a avó, que teria afirmado que não mantinha contato com o neto por ordens da filha. A profissional informou ao Conselho Tutelar que Miguel seria transferido para um hospital infantil.Durante a audiência, os funcionários alegaram que esse seria o procedimento usual e que não havia sintomas suficientes que justificassem uma denúncia sobre violência sexual. Miguel não voltaria a ser atendido na unidade depois disso.Em 1º de junho, data da morte de Miguel, Gabrielly Franco Garcia e Rafael Luis Alves Júnior foram presos em flagrante após acionarem a Polícia Militar (PM) afirmando que o bebê teria se engasgado. Ao chegarem ao local, no entanto, os policiais o encontraram desacordado, com ferimentos na região da boca e da orelha.Ainda durante a ocorrência, os agentes notaram que a mãe apresentava lesões nas mãos, que eram compatíveis com agressões, e o padrasto tinha manchas de sangue na blusa.Miguel foi encaminhado para atendimento médico, tendo sido constatado que a morte havia ocorrido há “considerável período de tempo”. A causa do óbito foi traumatismo craniano.Mais tarde, a prisão em flagrante foi convertida em preventiva. No fim de junho, a Justiça aceitou uma denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra o casal.Os dois respondem por homicídio com quatro qualificadoras: motivo fútil, emprego de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e crime praticado contra menor de 14 anos.Na denúncia, o promotor Antônio Domingues Farto Neto apontou o fato de Gabrielly e Rafael serem mãe e padrasto de Miguel como motivo para aumento de pena em caso de condenação pelo Tribunal do Júri. O caso corre sob segredo de justiça.O Metrópoles não conseguiu contato com a defesa do casal. O espaço permanece aberto em caso de eventual manifestação.