Irã processa FIFA por R$ 5,2 bilhões após gol anulado no VAR

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A eliminação do Irã na fase de grupos da Copa do Mundo 2026 não ficou só nos campos.Um iraniano-americano entrou com uma ação na Justiça dos Estados Unidos cobrando US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,2 bilhões) da FIFA e de seu presidente, Gianni Infantino. O motivo central: a anulação de um gol nos acréscimos contra o Egito, que teria classificado a seleção iraniana.A ação foi protocolada em 30 de junho de 2026 na Corte Federal de Boston. O autor busca o status de ação coletiva em nome de “91 milhões de iranianos e iraniano-americanos” que, segundo ele, sofreram “danos emocionais” pela “discriminação flagrante” da entidade.No jogo Irã × Egito, o zagueiro Shojae Khalilzadeh marcou nos acréscimos o que seria o gol da vitória e da classificação. O VAR revisou e anulou por impedimento. O placar terminou 1-1, o Egito avançou pela primeira vez ao mata-mata e o Irã voltou para casa. O autor da ação alega que a decisão foi “errônea e deliberadamente projetada” para prejudicar o Irã.Além do VAR, o processo cita:Vistos negados a 11 membros da delegação;base de treinamentos transferida para o México;restrições de viagem e tratamento desigual por causa das tensões diplomáticas entre Irã e EUA.O autor da ação não é um torcedor comum. Kaveh Lotfollah Afrasiabi, de 68 anos, é um cientista político iraniano-americano residente em Massachusetts. Ele:Tem PhD pela Boston University. Foi professor na Harvard University.Atuou como conselheiro na equipe de negociações nucleares do Irã durante o governo Obama.É autor de mais de 35 livros sobre relações internacionais, Oriente Médio e política iraniana.Seu passado é polêmico: em 2021 foi preso nos EUA acusado de atuar como agente não registrado do governo iraniano (violação da lei FARA). Afrasiabi negou as acusações. Em 2023, recebeu perdão do presidente Joe Biden em uma troca de prisioneiros entre EUA e Irã. Hoje ele se apresenta como analista político e torcedor da seleção.A FIFA ainda não se manifestou oficialmente sobre o processo. Nas redes sociais, a maioria das reações é de ironia: “Se isso vingar, o Brasil pode processar desde 1950” ou “Futebol agora se resolve no tribunal?”.O caso levanta uma discussão séria: até onde a judicialização do esporte pode chegar? Criar um precedente onde toda seleção eliminada por decisão polêmica corre para a Justiça americana abre um caminho perigoso para o futebol.Por outro lado, defensores do processo argumentam que a FIFA precisa ser cobrada por transparência em arbitragem e por garantir condições iguais a todas as seleções, independentemente de geopolítica.Seja estratégia isolada, frustração legítima ou mistura de futebol com política, o processo de Afrasiabi transforma a Copa 2026 em mais um capítulo da briga fora das quatro linhas.Enquanto o VAR continua sendo o vilão (ou herói) das torcidas, agora ele também pode virar réu em tribunal.