Briga entre Flávio e Michelle faz PT intensificar foco no eleitorado feminino

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Aliados do presidente Lula (PT) decidiram intensificar a estratégia de aproximação com o eleitorado feminino após a crise pública envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro.A avaliação governista é que o episódio expôs fragilidades da direita justamente em um segmento considerado decisivo para as eleições de outubro. O PT já aparece à frente entre as mulheres nas pesquisas e vê espaço para ampliar essa vantagem diante dos recentes desgastes enfrentados pelo bolsonarismo.Nos bastidores do Palácio do Planalto, a leitura é que episódios como esse podem afastar parte do eleitorado feminino moderado e até conservador. A aposta é reforçar discursos de combate à misoginia e de solidariedade entre mulheres, independentemente de diferenças ideológicas.O estopim foi o vídeo em que Michelle afirmou ter sido “humilhada” e “desrespeitada” por Flávio Bolsonaro durante uma conversa telefônica.A repercussão do episódio também foi ampliada por declarações do jornalista Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo Bolsonaro. Durante um podcast, ele criticou Michelle Bolsonaro e fez comentários machistas sobre o comportamento eleitoral das mulheres.“Mulher vota estatisticamente mal, principalmente as solteiras. As casadas costumam acompanhar o marido”, afirmou.Na mesma transmissão, Figueiredo também questionou o papel político da ex-primeira-dama e associou sua popularidade ao fato de ela não se posicionar com frequência sobre temas políticos.“Quando você olha pra Michelle, a razão pro tal sucesso que ela tem advém de um fato curioso que é justamente o fato da Michelle nunca ter aberto a boca para falar sobre nada”, declarou.O fenômeno não é novo e acontece em diversas partes do mundo: homens tendem a ser mais conservadores, enquanto mulheres têm maior propensão a posições progressistas. A pauta não é ignorada pelo bolsonarismo, que tem nas mulheres evangélicas um de seus principais alvos eleitorais. Michelle sempre foi o principal ponto de contato com esse segmento.Nos bastidores do Planalto, a avaliação é que a polêmica abriu uma oportunidade para dialogar com mulheres que tradicionalmente orbitam o campo conservador.Nos últimos dias, integrantes do governo colocaram essa estratégia em prática por meio de duas das mulheres mais influentes do campo da esquerda. A ex-ministra Simone Tebet prestou solidariedade a Michelle após a divulgação do vídeo contra Flávio. Tebet afirmou que a violência contra a mulher não escolhe “cor, classe social, raça nem ideologia” e aproveitou para associar o episódio ao que considera um histórico de misoginia do bolsonarismo.Poucos dias depois, foi a vez da também ex-ministra Marina Silva se solidarizar com a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), alvo de ameaças e ataques de teor misógino. Marina afirmou que “nenhuma mulher deve ser atacada, desqualificada ou constrangida por ser mulher” e defendeu o combate à misoginia independentemente de divergências partidárias.A avaliação de aliados de Lula é que mulheres, inclusive as conservadoras, vão se sentir mais acolhidas por um discurso baseado em respeito, proteção e solidariedade feminina acima das disputas políticas.