As conclusões constam do mais recente Barómetro do Investimento em Early Stage, da Investors Portugal – Associação Portuguesa dos Investidores em Early Stage.Segundo o estudo, 76% dos investidores considera que tanto o número de investimentos como o volume aplicado foram inferiores aos registados no segundo semestre de 2025. Apesar deste recuo, cerca de 75% dos inquiridos prevê uma evolução positiva da atividade durante a segunda metade do ano, tanto no número de operações como no montante investido.O acesso a oportunidades de investimento manteve-se relativamente elevado, com 60% dos investidores a classificá-lo como positivo. Ainda assim, este valor representa uma descida face aos 68% registados no semestre anterior.Também a capacidade de angariar capital sofreu um agravamento. 68% dos investidores admite ter enfrentado dificuldades na captação de financiamento, invertendo a tendência observada no final de 2025, quando 64% referia maior facilidade nesse processo.Apesar do contexto menos favorável, o sentimento em relação ao investimento permanece otimista. Cerca de 60% dos investidores mantém uma perspetiva positiva para a atividade nos próximos meses. Exits e políticas públicasJá no que respeita aos exits — operações de venda ou desinvestimento que permitem aos investidores realizar mais-valias — o cenário é mais prudente. As expectativas positivas manifestadas no início do ano não se concretizaram e apenas 44% dos inquiridos acredita agora num cenário favorável para o segundo semestre, enquanto apenas 4% antecipa uma evolução muito positiva.Para Lurdes Gramaxo, presidente da Investors Portugal, o contraste entre os resultados do primeiro semestre e as expectativas para os próximos meses demonstra a resiliência do setor, embora subsistam desafios estruturais. «De forma curiosa, não obstante os resultados menos positivos na atividade durante a primeira metade do ano, incluindo no que respeita ao levantamento de capital, os investidores manifestam otimismo para a atividade de investimento neste novo semestre. Ainda assim, aquela que era a tendência no início de 2026 alterou-se e vemos agora investidores menos otimistas com oportunidades de exit para a segunda metade do ano. Será um desafio a colmatar, num mercado onde a liquidez continua a ser um entrave ao investimento e onde as medidas de incentivo tardam em chegar ou são cada vez menores», afirma.O estudo revela ainda que a perceção dos investidores relativamente ao papel das políticas públicas continua maioritariamente negativa, embora menos acentuada do que no semestre anterior, registando uma melhoria de 12 pontos percentuais.Entre as principais medidas apontadas para dinamizar o mercado destacam-se a criação de novos incentivos fiscais, mecanismos alternativos ao extinto SIFIDE indireto para estimular a captação de capital privado nacional, iniciativas de atração de investimento estrangeiro, o reforço dos programas de coinvestimento entre os setores público e privado e uma maior estabilidade e previsibilidade das políticas de apoio, em linha com as melhores práticas europeias.O Barómetro do Investimento em Early Stage pretende acompanhar a evolução do mercado português de capital de risco nas fases iniciais de investimento, identificando tendências, expectativas e os principais desafios enfrentados pelos investidores.O conteúdo Investidores veem menos negócios e mais dificuldades em captar capital aparece primeiro em Revista Líder.