As famílias com crédito à habitação voltam a enfrentar um cenário de maior pressão financeira. A decisão do Banco Central Europeu (BCE) de aumentar as taxas de juro diretoras em 25 pontos-base, elevando a taxa de depósitos para 2,25%, deverá traduzir-se num aumento gradual das prestações da casa ao longo do segundo semestre de 2026.O alerta é da DECO PROteste, que considera que a decisão marca o fim de um período de relativa estabilidade das taxas de juro e poderá ter impacto não apenas em quem já tem um empréstimo, mas também nas famílias que estão a preparar a compra de habitação.Euribor deverá continuar a subirSegundo a associação de defesa do consumidor, a decisão do BCE surge num contexto de inflação persistente na Zona Euro, que voltou a acelerar para 3,2%, acima da meta de 2% definida pelo banco central.Ao mesmo tempo, o atual contexto internacional — marcado por conflitos armados, tensões comerciais e incerteza económica — continua a alimentar a volatilidade dos mercados, reduzindo a probabilidade de uma descida das taxas de juro no curto prazo.Para os consumidores portugueses, o principal impacto deverá sentir-se através da Euribor, o indexante utilizado na maioria dos contratos de crédito à habitação com taxa variável. Segundo a DECO PROteste, qualquer subida sustentada da Euribor refletir-se-á gradualmente nas prestações dos contratos revistos ao longo dos próximos meses.Quanto pode aumentar a prestação da casa?Embora a subida da taxa diretora do BCE não tenha um efeito automático sobre os contratos de crédito, a DECO PROteste apresenta três simulações que ilustram o impacto de um agravamento de 0,25 pontos percentuais na Euribor, considerando um prazo de 30 anos, um spread de 1% e Euribor a seis meses.Os resultados mostram que:Empréstimo de 150 mil euros: a prestação mensal poderá passar de 676,58 euros para 697,74 euros, um aumento de 21,16 euros por mês;Empréstimo de 250 mil euros: a prestação poderá subir de 1.127,64 euros para 1.162,90 euros, ou seja, mais 35,26 euros mensais;Empréstimo de 350 mil euros: a mensalidade poderá aumentar de 1.578,70 euros para 1.628,06 euros, representando um agravamento de 49,36 euros por mês.O impacto final dependerá sempre do montante em dívida, do prazo remanescente e do indexante contratado por cada família.Comprar casa pode tornar-se mais difícilA DECO PROteste alerta que os efeitos da subida das taxas de juro não se limitam aos contratos já existentes. A organização lembra que está também em discussão uma eventual revisão das medidas prudenciais do Banco de Portugal, incluindo a possibilidade de reduzir a taxa de esforço máxima recomendada para novos créditos à habitação.Caso essa alteração avance, o acesso ao financiamento poderá tornar-se mais exigente, sobretudo para famílias com menor margem financeira. «A subida das taxas de juro não afeta apenas quem já tem crédito à habitação. Também pode tornar mais difícil o acesso à compra de casa para milhares de famílias que estão atualmente a preparar um pedido de financiamento. É fundamental que os consumidores avaliem cuidadosamente a sua capacidade financeira antes de assumirem novos encargos», alerta a organização.O que fazer se tem crédito à habitação?Perante este novo cenário, a associação recomenda que os consumidores acompanhem regularmente a evolução do seu empréstimo e adotem uma gestão mais preventiva.Entre as principais recomendações estão:Rever as condições do crédito à habitação;Comparar propostas entre diferentes instituições financeiras;Recorrer a simuladores de crédito para antecipar o impacto de futuras alterações da Euribor;Avaliar soluções que permitam reduzir os encargos mensais, sempre que possível.O conteúdo BCE sobe juros e prestações da casa podem voltar a aumentar. Saiba quanto pode pagar a mais aparece primeiro em Revista Líder.