Na eleição presidencial de 2018, Jair Bolsonaro conseguiu uma vitória acachapante sobre Fernando Haddad no estado de São Paulo, com uma dianteira de mais de 8 milhões de eleitores, fundamental para a vantagem de 10,7 milhões de votos que construiu sobre o petista na corrida nacional. Quatro anos depois, contra Lula, Bolsonaro não teve a mesma sorte nas urnas paulistas: viu sua vantagem cair para menos de 3 milhões de apoiadores e, muito em razão disso, perdeu a reeleição para o rival por 1,8 milhão de votos. A ironia foi o desempenho de Haddad como candidato a governador diante de Tarcísio de Freitas, em 2022. Mesmo derrotado, Haddad ajudou Lula a reduzir a vantagem para Bolsonaro e obter o terceiro mandato. Agora, o ex-ministro da Fazenda se vê diante de desafio parecido, contra o mesmo Tarcísio, mas em um cenário mais difícil. Com apenas dois candidatos competitivos na disputa ao governo, o primeiro objetivo será impedir que o governador liquide a fatura já no primeiro turno.Sondagens recentes mostram que Tarcísio está próximo da reeleição na primeira etapa — segundo o último levantamento do instituto Paraná Pesquisas, do final de maio, o governador tem 47,3% das intenções de voto, muito perto de garantir o patamar necessário para evitar o segundo turno. A situação tende a ficar ainda melhor com a desistência dos pré-candidatos Kim Kataguiri (Missão) e Paulo Serra (PSDB), que somavam 7,7% dos votos. Ambos têm perfis mais à direita no espectro ideológico, o que cria a expectativa de que a maior parte de seus eleitores migre para Tarcísio.TIME - Lula com Alckmin e os escalados para a disputa paulista: principal objetivo é levar a campanha para o segundo turno (Ricardo Stuckert/PR)Lula sabe mais do que ninguém a importância do desempenho em São Paulo, tanto que não poupou esforços para montar palanque competitivo no estado. Primeiro, convenceu Haddad a ir de novo para o jogo. Depois, bancou duas de suas ministras mais importantes, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), para disputarem o Senado — no caso de Tebet, convenceu-a a trocar de estado (era de Mato Grosso do Sul) e de partido (era do MDB). Por fim, reuniu Haddad, Tebet, Marina e o vice Geraldo Alckmin, que governou São Paulo por quatro mandatos, para convencer Márcio França, outro ex-governador, a ser vice de Haddad — ele queria o Senado ou o governo. Além disso, Lula vai intensificar a agenda em São Paulo, enquanto Haddad aposta em obras e programas federais para fazer o enfrentamento a Tarcísio. O PT decidiu inclusive pagar para impulsionar dezenas de vídeos no Facebook e no Instagram em que Haddad fala das realizações da gestão Lula no estado.Com VejaO post Pesquisas sobre batalha entre Tarcísio e Haddad levam tensão ao entorno de Lula apareceu primeiro em Vitrine do Cariri.