O Tribunal do Júri de Sobradinho irá julgar o serralheiro Guilherme Silva Teixeira, de 24 anos, acusado pelo homicídio do professor João Emmanuel Ribeiro, morto no dia 4 de janeiro deste ano em uma parada de ônibus de Sobradinho (DF). A data da audiência ainda não foi definida pela Justiça do Distrito Federal.A denúncia do Ministério Público do DF (MPDFT) detalhou que Guilherme agiu com extrema crueldade, submetendo o professor a um intenso e desnecessário sofrimento antes de morrer ao deferir inúmeros chutes e socos contra a cabeça do professor.De acordo com o MP, João Emmanuel havia retornado de uma confraternização familiar de madrugada em um carro de aplicativo. Ele entrou em seu terreno, deixou os pertences na residência e resolveu retornar para a via pública. Ao avistar Guilherme do outro lado da pista da rodovia DF-150, os dois estabeleceram um contato visual à distância. Esse teria sido o primeiro contrato entre os dois, que não se conheciam previamente.Guilherme teria atravessado as duas pistas da rodovia e foi ao encontro de João Emmanuel. Após uma breve discussão motivada por uma suposta abordagem de cunho sexual que teria irritado o réu, Guilherme desferiu um soco contra o rosto do professor, fazendo-o cair imediatamente no chão. Leia também Distrito Federal“Justiça”: parentes e amigos fazem passeata para professor morto no DF Distrito FederalVeja o que disseram amigos e familiares sobre professor morto no DF Distrito FederalProfessor encontrado morto em parada de ônibus será enterrado no Piauí Distrito FederalProfessor encontrado morto no DF tinha lesões na área dos olhos Após o espancamento, Guilherme deixou o professor agonizando e se afogando no próprio sangue na via pública, fugindo do local logo em seguida na companhia de seu colega de trabalho para seguir a rotina normal do dia.A Justiça pronunciou o réu por entender que há indícios suficientes de autoria baseados na própria confissão do réu e nos depoimentos dos agentes de polícia e das testemunhas.A magistrada do caso manteve a prisão preventiva e rejeitou a reclassificação do crime para lesão corporal seguida de morte. Em sua defesa, Guilherme chegou a dizer que João Emmanuel teria dito “E esse pau aí?”, momento em que ele teria se revoltado e cometido o crime.A defesa de Guilherme Silva Teixeira informou que irá interpor o recurso cabível, por não concordar com o enquadramento jurídico adotado. “A defesa sustentará, como tese principal, a desclassificação para lesão corporal seguida de morte, diante da ausência de elementos suficientes que demonstrem dolo de matar. De forma subsidiária, será requerido o afastamento das qualificadoras, por entender que não encontram suporte adequado no conjunto probatório produzido”, afirma em nota.Imagens de câmeras de segurança mostraram Guilherme antes de cometer o crime.No dia seguinte do crime, Guilherme foi preso próximo de casa usando a sandália que utilizou para pisar no rosto do professor antes de matá-lo, além de um casaco branco que usava no momento do crime.Testemunhos e obra na PapudaAo todo, 13 pessoas foram ouvidas em juízo durante a audiência de instrução e julgamento realizada. Um colega de trabalho de Guilherme relatou que, ao saber do crime, foi até ao local e tentou socorrer a vítima, colocando-a de lado para não sufocar. A esposa do colega de Guilherme também soube do caso e acionou o Samu usando um nome falso alegando medo de ser envolvida no crime.O colega de Guilherme relatou que após o socorro chegar, os dois seguiram para finalizar uma obra no Complexo Penitenciário da Papuda. O serralheiro contou que durante todo o dia Guilherme se mostrou bastante abalado e reflexivo com as agressões que teria cometido.A versão da irmã de João Emmanuel e de outras pessoas que estiveram com ele durante as últimas horas de vida do professor foi de que ele estaria bebendo cerveja e tendo uma noite de jogos na casa do sogro de sua irmã. Apesar de ingerir álcool, alegam que João estaria sóbrio e foi embora por volta das 5h para descansar porque trabalharia no dia seguinte.Familiares e colegas de trabalho de João Emmanuel também o descreveram como discreto e reservado sobre sua vida pessoal, e uma pessoa avessa à violência.Quem era João EmmanuelJoão Emmanuel é natural de Teresina, no Piauí, e trabalhava como professor do Instituto São José, uma escola particular de Sobradinho. Em uma nota publicada nas redes sociais, a instituição lamentou a morte do colaborador.6 imagensFechar modal.1 de 6Ele é filho de George Moura, vice-prefeito de Isaías Coelho (PI)Reprodução/Redes Sociais2 de 6Corpo de João Emmanuel será enterrado na casa da avó, no município piauiense onde o pai dele é vice-prefeitoReprodução/Redes Sociais3 de 6João Emmanuel era professor no Instituto São José, escola particular de SobradinhoReprodução/Redes Sociais4 de 6O cadáver do homem foi encontrado com diversas lesões no rostoReprodução/Redes Sociais5 de 6João Emmanuel Ribeiro, de 35 anos, foi encontrado em uma parada de ônibus, na DF-150, Grande Colorado, próximo a Sobradinho II (DF)Reprodução/Redes Sociais6 de 6O acusado de matar o professor foi preso no dia seguinte e confessou o crimeReprodução/Redes SociaisO Metrópoles também apurou que João Emmanuel é filho do vice-prefeito do município de Isaías Coelho (PI), George Moura.Guilherme segue preso desde o dia 5 de janeiro e aguarda julgamento onde responderá pelo crime de homicídio qualificado consumado com agravantes de motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.