Que fim levaram os padrões NTSC e PAL-M de sinal em televisores?

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Quem viveu a era de ouro das transmissões analógicas dos televisores viveu na pele a experiência de assistir a um programa em TVs de tubo e o uso do VHS como principal mídia física. Nesses casos, algumas siglas se repetiam ao ligar um aparelho ou sintonizar um canal.Nomes como NTSC e PAL-M ficaram famosos por aparecem no canto das telas e eram essenciais para a reprodução de um elemento essencial para os conteúdos dessas emissoras: as cores, novidade que gradualmente apareceu em diferentes países.Porém, hoje em dia essas siglas são apenas memórias de anos anteriores ou de um vocabulário restrito a entusiastas de certas áreas. A seguir, saiba o que significa cada uma delas e qual a importância desse padrão para a história da TV.O que significam NTSC e PAL?Ambas as siglas são padrões analógicos de codificação de cor para televisão. Ou seja, são protocolos unificados que estabelecem a comunicação entre uma TV e as estações transmissoras, permitindo a exibição de conteúdos com a maior fidelidade possível.O primeiro desses padrões surge na década de 1950 e é o estabelecido pelas estações dos EUA que compunham o recém formado National Television System Committee — Comitê Nacional de Sistemas de Televisão, ou NTSC na sigla que ficou mais famosa.A barra de cores comum em TVs de tubo era um teste de reprodução de cor, normalmente acompanhado de um sinal sonoro. (Imagem: Wikimedia Commons/Reprodução)Inclusive pelo pioneirismo, ele foi adotado por outros países, incluindo o Japão e algumas nações da América do Sul. Porém, esse não foi o único sistema criado para essa finalidade, com um grupo insatisfeito com a instabilidade de leitura de cores no padrão NTSC buscando uma alternativa.A criação foi o Phase Alternating Line, o PAL. Ele foi desenvolvido no início da década de 1960 por um engenheiro chamado Walter Bruch, que trabalhava na alemã Telefunken. A marca foi uma das pioneiras na fabricação e em testes de transmissão de televisores.O PAL tinha uma imagem considerada mais estável e dispensava qualquer ajuste manual. Isso fez o padrão crescer na Europa e também em localidades como Austrália e países da Ásia.Um terceiro padrão chegou a ser desenvolvido: o Séquentiel Couleur À Mémoire (SECAM), que significa "cor sequencial com memória". A tecnologia francesa saiu em 1967 e também era precisa na reprodução, mas acabou restrita a territórios da União Soviética, Oriente Médio e países africanos colonizados pela França por ser mais cara de implementar.PAL-M: o padrão brasileiroEnquanto os padrões eram adotados em blocos, o Brasil decidiu seguir um caminho diferente. O país realizou a primeira transmissão a cores em 1972, com a exibição da abertura da Feira da Uva no Rio Grande do Sul, e fez isso a partir do padrão PAL-M.Como o nome indica, essa é uma solução que aproveita a tecnologia europeia, mas a partir de uma variante: o "M" é um padrão norte-americano de contagem de linhas e campos na exibição da imagem, adotado para não inutilizar todos os aparelhos monocromáticos na migração de padrão de transmissão Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por RS Antigamente (@rs_antigamente)Dessa forma, o país conseguiu adotar a transmissão em cores e, quem ainda tivesse uma TV preto e branco, continuaria recebendo o conteúdo normalmente sob essa limitação.A importância de um padrão de transmissãoExperimentos com a transmissão de imagens à distância com cores foram feitos praticamente ao mesmo tempo que o surgimento dos modelos monocromáticos. A primeira patente que ao menos sugere a existência desse recurso é de 1904, sem que fosse possível tirá-lo do papel.Sistemas que capturavam ou adicionavam cores nas imagens capturadas por câmeras só evoluem na década de 1940, a partir de patentes e sistemas como o do mexicano Guillermo Camarena e do engenheiro estadunidense Peter Goldmark.O problema é que, neste ponto, havia um problema de compatibilidade: emissoras e dispositivos diferentes possuíam as próprias tecnologias de captura e exibição de cores, o que significa que era necessário adotar um padrão para unificar as transmissões em toda uma região.A necessidade de criação dos padrões afetou também as mídias físicas. As versões “multi-sistema” de aparelhos de videocassete como os reprodutores de VHS liam fitas de um ou vários desses padrões, mas modelos mais antigos podiam ser restritos a apenas um dos protocolos.O que aconteceu com essas tecnologias?Essas tecnologias de transmissão a cores perduraram por décadas, mas foram gradualmente substituídos por padrões digitais e o respectivo encerramento das transmissões analógicas.O NTSC foi oficialmente desligado em 2009, mas estações de baixa potência puderam aproveitar o formato por mais de uma década. O PAL teve o encerramento feito de acordo com a região entre 2008 e 2015.Já o PAL-M, que era o padrão exclusivamente brasileiro, deixa de ser a prioridade com a adoção do padrão digital ISDB-Tb. A migração acontece de 2016 a 2025, ano em que a transmissão analógica de TV até das antenas parabólicas é encerrada em definitivo.Smart TVs hoje utilizam sinal digital que transforma o conteúdo em dados para fazer a transmissão. (Imagem: Divulgação/Hisense)No caso do Brasil, televisores apenas de sinal analógico precisaram de uma antena digital ou conversor para seguir funcionando e sintonizando canais abertos após a migração.Apesar de não existirem mais como infraestrutura de transmissão, as siglas não sumiram totalmente:PAL e NTSC ainda são raramente usadas no mercado de games retrô para identificar versões regionais de jogos;Algumas câmeras mantém a terminologia nas configurações, assim como na exibição de cores em fitas VHS;Monitores profissionais antigos usados em estúdios e emissoras menores ou de regiões mais agastadas também podem seguir adotando a diferenciação.O que é a TV 3.0, novo padrão interativo de transmissões em teste no Brasil? Descubra as possibilidades nesta matéria!