Nova tecnologia reacende esperança para transplante de olhos

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Pesquisadores desenvolveram um equipamento capaz de manter olhos recém-retirados do corpo em condições mais próximas das naturais, reduzindo a deterioração do tecido e preservando funções importantes da retina. Os resultados foram apresentados recentemente em um estudo divulgado em pré-publicação. A tecnologia foi testada inicialmente em olhos de porcos e, depois, em olhos humanos obtidos de doadores falecidos. Em ambos os casos, os órgãos submetidos ao sistema apresentaram melhor conservação do que aqueles mantidos pelos métodos convencionais.A expectativa da equipe é que o dispositivo contribua para pesquisas sobre doenças oculares e, futuramente, torne viável o transplante completo de olhos, procedimento que ainda não conseguiu restaurar a visão em pacientes.Você pode ler o estudo completo clicando aqui.Equipamento preserva estruturas do olho e pode impulsionar pesquisas sobre transplantesImagem: Suraj Kailase / ShutterstockBatizado de Eye-in-a-Care-Box, ou ECaBox, o equipamento utiliza um sistema de perfusão para fornecer oxigênio e nutrientes ao olho por meio da artéria que normalmente leva sangue ao órgão. Enquanto isso, o excesso de líquido é removido e o ambiente interno permanece sob temperatura e pressão controladas, permitindo ainda que o tecido seja observado por meio de uma janela transparente instalada no dispositivo.Os primeiros testes foram realizados com olhos de porcos, escolhidos por apresentarem características anatômicas semelhantes às dos seres humanos e por serem mais facilmente obtidos pelos pesquisadores. A comparação mostrou que os órgãos mantidos fora do equipamento sofreram rápida degradação, com encolhimento das células e perda da estrutura. Mesmo quando refrigerados a 4°C, os olhos apresentaram deterioração em até 24 horas.Nos exemplares submetidos ao ECaBox, porém, os pesquisadores identificaram maior preservação da viabilidade dos tecidos após o mesmo período. Além disso, os testes indicaram que os olhos voltaram a responder à luz cerca de 15 minutos após o início da perfusão, capacidade que havia desaparecido logo depois da retirada do corpo. Em alguns casos, essa resposta permaneceu por mais de dez horas.Transplante de córnea (imagem: Julien Tromeur / Shutterstock)Depois dos experimentos em animais, a equipe aplicou o método em 12 olhos humanos provenientes de seis doadores. Em cada caso, apenas um dos olhos era colocado no equipamento, enquanto o outro permanecia sem o tratamento para permitir a comparação dos resultados. Segundo os pesquisadores, as retinas dos órgãos submetidos à perfusão apresentaram melhor preservação.Os autores do estudo também avaliam que a tecnologia poderá oferecer uma alternativa para pesquisas em oftalmologia, reduzindo a necessidade de experimentação em animais vivos. Outra meta é adaptar o equipamento para uso em centros cirúrgicos, diminuindo o intervalo entre a retirada do órgão e o início do tratamento, o que pode reduzir ainda mais a degradação dos tecidos.Embora os resultados sejam considerados promissores, ainda não há comprovação de que olhos preservados pelo equipamento consigam recuperar a visão após um transplante. A pesquisadora Shannon Tessier, do Massachusetts General Hospital, que não participou do estudo e investiga técnicas de perfusão em outros órgãos, afirmou que essa resposta só será conhecida quando o procedimento for efetivamente realizado.Ao comentar o potencial da tecnologia para a MIT Technology Review, Tessier classificou a iniciativa como “realmente muito interessante“.A cautela decorre do histórico desse tipo de procedimento. Em 2023, uma equipe da NYU Langone realizou o transplante de um olho juntamente com parte do rosto de um paciente que havia sofrido um grave acidente elétrico. Apesar da boa recuperação clínica, o órgão transplantado não recuperou a capacidade de enxergar.O post Nova tecnologia reacende esperança para transplante de olhos apareceu primeiro em Olhar Digital.