O Itaú BBA promoveu três mudanças em sua carteira recomendada de ações para setembro, em uma tentativa de proteger o portfólio de um cenário mais adverso para a Bolsa brasileira.Nubank (ROXO34), Sabesp (SBSP3) e Bradesco (BBDC4) deixaram a seleção. Em seus lugares, entraram BTG Pactual (BPAC11), Eneva (ENEV3) e Suzano (SUZB3).Com as alterações, a carteira Top 5 passou a ser formada por:table.tableizer-table {font-size: 12px;border: 1px solid #CCC; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;} .tableizer-table td {padding: 4px;margin: 3px;border: 1px solid #CCC;}.tableizer-table th {background-color: #104E8B; color: #FFF;font-weight: bold;}AçãoTickerPesoPreço justoPotencial de alta EmbraerEMBJ320%R$ 124,0033,2% BTG PactualBPAC1120%R$ 67,0022,5% EnevaENEV320%R$ 32,7024,6% Axia EnergiaAXIA320%R$ 75,2041,1% SuzanoSUZB320%R$ 58,0027,8%A reformulação revela uma postura mais defensiva do banco. O Itaú BBA diminuiu a exposição ao crédito para pessoas físicas e aumentou a presença de companhias com receitas contratadas, negócios dolarizados ou menor dependência da economia brasileira.BTG entra no lugar do NubankA troca do Nubank pelo BTG Pactual reflete a preocupação do Itaú BBA com o endividamento das famílias, os juros elevados e o possível aumento da inadimplência no crédito ao consumidor.Embora tenha mantido exposição ao setor financeiro, o banco optou por uma instituição com fontes de receita mais diversificadas.Segundo a carta, o BTG combina crescimento consistente dos lucros e rentabilidade elevada, além de apresentar revisões positivas de resultados mesmo em um ambiente mais difícil para os bancos de varejo.O BTG atua em áreas como banco de investimento, crédito corporativo, negociação de ativos, gestão de recursos e gestão de patrimônio. Essa diversificação reduz sua dependência direta do consumo das famílias.Eneva substitui SabespA Eneva entrou na carteira no lugar da Sabesp. Para o Itaú BBA, a companhia de energia oferece maior previsibilidade de resultados, apoiada pelo aumento das receitas contratadas.O banco também vê oportunidades que ainda não estariam totalmente incorporadas ao preço da ação, como os ganhos com o acionamento das usinas termelétricas, a comercialização de gás e energia e a necessidade crescente de flexibilidade no sistema elétrico brasileiro.Novos projetos no leilão de reserva de capacidade e a flexibilização operacional de ativos também aparecem como possíveis gatilhos para a empresa.Suzano reforça proteção contra riscos domésticosJá a entrada da Suzano no lugar do Bradesco representa uma redução adicional da exposição ao crédito brasileiro.Com vendas concentradas no exterior e receitas em dólar, a produtora de celulose tem menor correlação com a atividade econômica doméstica. A ação também pode funcionar como uma proteção parcial contra riscos fiscais, cambiais e eleitorais.Mesmo com os preços da celulose ainda pressionados, o Itaú BBA avalia que a Suzano negocia a múltiplos descontados e mantém uma geração de caixa atrativa.Por que o Itaú BBA ficou mais defensivo?A mudança ocorre depois de um agosto marcado pela saída de aproximadamente R$ 18,5 bilhões de investidores estrangeiros da Bolsa brasileira.O Ibovespa encerrou o mês com queda de 0,3%, após chegar a acumular perda de 6,5% até o dia 18. Para o Itaú BBA, a recuperação nas últimas semanas não eliminou os fatores de risco para o mercado.No exterior, as tensões no Oriente Médio mantiveram o petróleo em níveis elevados, reforçando as preocupações com a inflação. Ao mesmo tempo, os juros dos títulos de longo prazo dos Estados Unidos subiram diante das dúvidas sobre a trajetória da dívida pública norte-americana.O avanço da inteligência artificial também desviou parte do fluxo destinado aos mercados emergentes para países como Taiwan e Coreia do Sul, que concentram grandes fabricantes de chips e memória.No Brasil, a eleição e as incertezas fiscais reduziram ainda mais o interesse dos estrangeiros. O Itaú BBA observa que até mesmo empresas com resultados positivos foram penalizadas: cerca de 85% dos balanços do segundo trimestre ficaram em linha ou acima das projeções da casa, mas 52% das ações caíram no pregão seguinte à divulgação.“Em agosto, a dinâmica dos fluxos globais e as condições macroeconômicas se sobrepuseram aos fundamentos apresentados isoladamente pelas empresas”, afirma a instituição.O corte da Selic para 14% ao ano e a desaceleração da inflação ofereceram algum alívio. O cenário-base do Itaú prevê mais uma redução de 0,25 ponto percentual em setembro. Ainda assim, o movimento deve permanecer em segundo plano enquanto o fluxo estrangeiro, a disputa eleitoral e os juros internacionais continuarem ditando o humor dos investidores.Em agosto, a carteira Top 5 caiu 0,7%, desempenho 0,4 ponto percentual inferior ao do Ibovespa. No acumulado de 2026, a seleção avançou 1,9%, ante alta de 10,1% do índice. Desde sua criação, em janeiro de 2016, porém, a carteira acumula valorização de 1.197%, frente a 342% do Ibovespa.