“Are you ready for the greatest night of your fucking life?” (“Você está pronto para a melhor noite da sua vida?”), indaga a gravação que precede a subida da banda ao palco.Tem certas coisas que só vendo para crer, e nem todo o estudo de material escrito e audiovisual é capaz de preparar adequadamente para um show do Bring Me The Horizon. Trata-se de uma experiência imersiva completa, com cada detalhe pensado e posto em prática de modo a trazer o público para dentro de um universo pós-apocalíptico e gamer, musicalmente sintomático do que é o rock que faz a cabeça da geração na casa dos vinte e poucos anos — mas definitivamente não limitado a ela. É o metalcore cada vez mais rendido às parafernálias eletrônicas e ciente de seu papel conscientizador e de crítica social sem, com isso, relegar a estética sonora ao segundo plano. No Brasil, a experiência é amplificada: foi aqui, em 2024, que o grupo tocou para o maior público de sua carreira. Cerca de 50 mil pessoas compareceram ao então Allianz Parque, em São Paulo, para a gravação de “L.I.V.E. In São Paulo (Live Immersive Visual Experiment)”, lançado em abril deste ano.Quem lidera o BMTH é o “divo acessível” Oliver Sykes, e é dele que se originam ainda mais conexões com o “Vai Brasa”. Casado desde 2016 com a modelo brasileira Alissa Salls, Sykes até emitiu CPF. “Virei brasileiro; tenho até conta no Mercado Livre”, brincou em maio de 2024, quando a notícia repercutiu como se fosse coisa das mais incomuns. Até quando nossa síndrome de vira-lata nos impedirá de crer que o Brasil possa se tornar moradia de artistas nascidos fora e oriundos de países com IDH superior e, teoricamente, mais “evoluídos”?Aliás, “evolução” é a palavra que melhor representa, em termos sonoros, o Bring Me de Sykes. O quarteto formado por Lee Malia (guitarra), Matt Kean (baixo) e Matt Nicholls (bateria), além do próprio vocalista, está há 22 anos na ativa e começou fincando seu nome no deathcore. Depois, passou por uma fase intermediária, mais alternativa, até que, a partir de “That’s the Spirit” (2015), abraçou de vez o rock alternativo, o pop-rock, o nu metal dos anos 2000, influências de eletrônica e EDM e até estéticas do hyperpop e do emo, mantendo apenas pitadas esporádicas da agressividade extrema do início. O caminho percorrido fica evidente: a intensidade e os guturais de “Pray for Plagues” — para a qual Sykes chamou um fã ao palco para dividir os vocais-urros — contrastam com a pegada algo mais abrangente de “Kingslayer”, notável colaboração com o Babymetal. Impressionou este escriba o fato de alguns fãs saberem — ou fingirem bem o suficiente — os versos em japonês da letra.Ninguém tira do BMTH também o título de quem primeiro e melhor utilizou a cenografia inédita do Palco Mundo, de estrutura frontal totalmente revestida por painéis de LED de altíssima definição. As animações e os complementos visuais eram um show à parte e funcionavam particularmente bem vistos de longe — um salve solidário para a “galera do fundão”. Até São Pedro contribuiu significativamente com o espetáculo ao providenciar chuva bem na hora de “Doomed”, cujo um dos versos diz justamente: “So come rain on my parade, ’cause I wanna feel it”.Chamar de “melhor noite da vida” é exagerado na raia do absurdo, mas seria possível bater o martelo de antemão: este foi o melhor show do primeiro fim de semana do Rock in Rio 2026. Se há exagero na promessa, não há na percepção de que o BMTH ocupa hoje um espaço cada vez mais central no rock pesado mundial — e tem potencial real para se tornar seu principal nome em escala global.Setlist BMTHDArkSideThe House of WolvesHappy SongTeardropsDehumanizedProject Angel Dust / Kool-AidShadow MosesItch for the Cure (When Will We Be Free?) / KingslayerPray for PlaguesDoomedDrownThroneCan You Feel My HeartQuer receber novidades sobre música direto em seu WhatsApp? Clique aqui!Clique para seguir IgorMiranda.com.br no: Instagram | X/Twitter | Facebook | YouTube | Bluesky | Threads | TikTok.O post Bring Me The Horizon traz apocalipse gamer dançante para o palco do Rock in Rio apareceu primeiro em Igor Miranda.