O que está por trás da nova escalada entre Argentina e Reino Unido pelas Malvinas

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A disputa entre Argentina e Reino Unido pelas Malvinas voltou a ganhar força após o governo de Javier Milei endurecer as regras contra empresas que exploram petróleo em áreas reivindicadas por Buenos Aires. O movimento atingiu diretamente um projeto de até US$ 2,1 bilhões desenvolvido por empresas britânica e israelense, mas, até o momento, não alterou o cronograma anunciado para a produção.O centro da nova tensão é o projeto Sea Lion, conduzido pela britânica Rockhopper Exploration e pela israelense Navitas Petroleum. A iniciativa prevê investimentos de aproximadamente US$ 2,1 bilhões, produção inicial de cerca de 55 mil barris de petróleo por dia e início da extração em 2028.Leia mais: Inglaterra, Argentina e Ilhas Malvinas: entenda a rivalidade histórica dos paísesA Argentina considera ilegais as atividades de exploração de hidrocarbonetos realizadas sem autorização do governo em áreas que Buenos Aires entende fazerem parte de sua plataforma continental. Leia tambémMais argentinos recorrem a aplicativos para obter empréstimosAplicativos de fintechs estão se tornando uma importante fonte de crédito no paísCook deixa cargo de CEO, mas seguirá influente na Apple como o “encantador de Trump”Mesmo após deixar o comando da Apple, executivo permanecerá como presidente do conselho executivo, responsável por conduzir as relações da empresa com Donald Trump e o governo chinêsO Reino Unido, que controla as ilhas, defende o direito das autoridades locais de conceder licenças e desenvolver os recursos naturais da região.Na quinta-feira (3), Milei afirmou, em pronunciamento em cadeia nacional, que o desenvolvimento de recursos petrolíferos nas áreas reivindicadas pela Argentina representa um “perigo concreto e urgente”.No dia seguinte, o governo publicou um decreto que regulamenta e acelera a aplicação da legislação que restringe atividades de exploração e produção de hidrocarbonetos na plataforma continental argentina sem autorização de Buenos Aires.O decreto atribui ao Ministério das Relações Exteriores, Comércio Internacional e Culto a responsabilidade pela aplicação da lei. A pasta poderá investigar possíveis infrações e aplicar sanções, enquanto outros órgãos públicos deverão comunicar à Chancelaria eventuais violações.Ilhas Malvinas, território disputado pro Argentina e Reino Unido (Reprodução)O que é o projeto Sea Lion O Sea Lion é o principal projeto de petróleo em desenvolvimento nas Malvinas. Em dezembro de 2025, Rockhopper e Navitas anunciaram as decisões finais de investimento para as primeiras fases da iniciativa.A primeira etapa prevê cerca de US$ 1,8 bilhão em investimentos até o início da produção. Considerando o desenvolvimento completo, o valor estimado chega a aproximadamente US$ 2,1 bilhões.O projeto também ganhou relevância após uma nova avaliação independente dos recursos recuperáveis, divulgada pela Rockhopper em agosto, apontar aumento dos volumes e dos valores presentes líquidos em relação à avaliação anterior. As projeções indicam entre 314 milhões de barris de reservas a 917 milhões.Além do impacto para as empresas, o projeto pode gerar receitas relevantes para as próprias ilhas. Uma estimativa baseada em documentos da Rockhopper e na avaliação da NSAI indica que as receitas do governo das Malvinas ao longo da vida útil do projeto podem variar de US$ 2,85 bilhões a US$ 8,8 bilhões.A diferença depende principalmente dos preços futuros do petróleo e do nível efetivo de desenvolvimento. A estimativa considera royalties de 9% e imposto de renda de 25% ao longo de uma vida útil de aproximadamente 40 anos. Empresas não recuamApesar da nova ofensiva argentina, Rockhopper e Navitas disseram que as medidas não devem provocar alterações relevantes no Sea Lion.Em comunicado conjunto divulgado na sexta-feira (4), as empresas afirmaram que os acontecimentos recentes não devem produzir efeitos materiais sobre as atividades do projeto, incluindo o cronograma de desenvolvimento.As companhias também disseram que as licenças continuam válidas, foram concedidas legalmente pelo governo das Malvinas e contam com o apoio contínuo do governo britânico.Na sexta-feira, as ações da Rockhopper chegaram a cair 10% na abertura do pregão em Londres após o pronunciamento de Milei, enquanto os papéis da Navitas recuaram cerca de 2% em Tel Aviv. A Borders & Southern Petroleum, que também possui licenças de exploração na região, chegou a registrar queda de aproximadamente 15%.O governo do Reino Unido, inclusive, reafirmou que sua posição sobre as Malvinas é inabalável. Londres também afirmou que as Forças Armadas permanecem preparadas para proteger seus interesses.A disputa territorial entre os dois países remonta ao século XIX. O Reino Unido controla as ilhas desde 1833, enquanto a Argentina mantém a reivindicação de soberania. Em 1982, a invasão argentina levou à Guerra das Malvinas, encerrada com a derrota de Buenos Aires.Trump entra em jogoA posição dos Estados Unidos também passou a ser acompanhada com mais atenção pela Argentina.Em abril, um documento vazado do Pentágono revelou que autoridades americanas haviam discutido, entre possíveis medidas contra aliados considerados pouco colaborativos durante a guerra com o Irã, uma revisão da posição dos Estados Unidos sobre a reivindicação britânica das Malvinas.Em agosto, Donald Trump afirmou que costuma rever suas posições quando questionado sobre o arquipélago. Milei passou a interpretar o tom como uma possível oportunidade diplomática para Buenos Aires.The post O que está por trás da nova escalada entre Argentina e Reino Unido pelas Malvinas appeared first on InfoMoney.