Expointer: “terroir” gaúcho e certificação elevam valor da erva-mate

Wait 5 sec.

Símbolo do Rio Grande do Sul e matéria-prima do tradicional chimarrão, a erva-mate ganhou espaço próprio na Expointer, em Esteio (RS), com uma estratégia que vai além da tradição: elevar o valor do produto por meio de certificação, rastreabilidade e reconhecimento da origem.Representantes dos cinco principais polos ervateiros gaúchos participam da 49ª edição da feira, que termina neste domingo (6).A iniciativa ocorre em um estado que tem peso relevante na produção e, principalmente, no comércio externo do produto. Dados oficiais da Secretaria da Agricultura mostram que o Rio Grande do Sul colhe erva-mate em cerca de 29 mil hectares, com produção de aproximadamente 275 mil toneladas. Leia Mais Brasil abre 13 novos mercados para produtos do agronegócio Brasil deve perder posto 2º exportador de milho para Argentina em 2025/26 Exportação de algodão tem volume recorde para maio de 2026 Em 2024, o Estado exportou mate para 33 países e movimentou US$ 79,9 milhões, ocupando a posição de maior exportador brasileiro do produto.Na Expointer, a cadeia está representada pelos polos do Alto Taquari, Alto Uruguai, Missões, Nordeste Gaúcho e Região dos Vales.O Alto Taquari, sozinho, concentra cerca de 60% da produção estadual e reúne produtores e dezenas de empresas ligadas à atividade.Certificação para agregar valorUm dos focos apresentados durante a feira é a certificação da erva-mate desenvolvida no trabalho de Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters). A proposta é assegurar critérios relacionados à qualidade, procedência e boas práticas de fabricação.Segundo o extensionista rural Filipi Fagundes dos Santos, a certificação também funciona como reconhecimento do trabalho realizado pelas agroindústrias e pelas famílias responsáveis pela produção da matéria-prima.“O selo atesta que o produto atende aos critérios de qualidade, procedência e boas práticas de fabricação, além de reconhecer o trabalho das agroindústrias e das famílias produtoras da matéria-prima”, afirmou, em comunicado.A rastreabilidade e a identificação da origem ganham importância em uma cadeia que tenta diferenciar o produto não apenas pelo volume produzido, mas também pelas características de cada região, o famoso “terroir”.Origem vira estratégia comercialOutro destaque da Expointer é a divulgação da Indicação Geográfica (IG) da erva-mate de Machadinho. O reconhecimento associa o produto ao território e às características específicas desenvolvidas a partir das condições naturais e das práticas tradicionais de produção da região.Outras regiões produtoras também trabalham para avançar nesse caminho. No Alto Taquari, produtores, empresas, pesquisadores e poder público estudam as características sensoriais da erva-mate como parte da estruturação de uma futura Indicação Geográfica.O trabalho busca identificar aromas, sabores e outros atributos capazes de diferenciar a produção regional e, consequentemente, ampliar a agregação de valor.Rio Grande do Sul lidera exportaçõesA cadeia também tem importância no mercado externo. Dos US$ 79,9 milhões exportados pelo Rio Grande do Sul em mate em 2024, cerca de US$ 58 milhões tiveram o Uruguai como destino, equivalente a mais de 70% do valor comercializado pelo Estado.A Argentina apareceu em segundo lugar, com US$ 11,8 milhões, seguida pela Síria, com US$ 5,4 milhões. Espanha e Estados Unidos também figuraram entre os principais compradores.Na Expointer, a estratégia de destacar certificação, procedência e Indicações Geográficas mostra um movimento da cadeia para transformar uma tradição profundamente associada à cultura gaúcha também em instrumento de diferenciação comercial.Reconhecida como patrimônio cultural imaterial do Rio Grande do Sul desde 2023, a erva-mate chega à feira, portanto, com dois papéis: preservar a identidade ligada ao chimarrão e buscar mais valor para produtores e agroindústrias a partir da qualidade e da origem do produto.