Infraestrutura domina 86% das emissões de debêntures incentivadas

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O mercado de capitais vem ampliando a participação no financiamento de projetos de infraestrutura no Brasil em projetos que já somam R$ 554 bilhões desde 2018, conforme mostrou um levantamento da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).Segundo a associação, as debêntures incentivadas representam 86% do montante investido nesses projetos. Criadas para estimular o investimento privado de longo prazo, elas estão sendo mais utilizadas em áreas como energia, saneamento, transporte, logística e telecomunicações.Em julho de 2018, o valor total de debêntures incentivadas era de R$ 42 bilhões. Passados oito anos o valor aumentou expressivamente e já chegou a R$ 589,9 bilhões.As debêntures incentivadas ajudaram a estabelecer uma ponte mais direta entre o mercado de capitais e a necessidade de ampliar a infraestrutura do país. Esse instrumento ganhou escala, diversificou a base de financiamento e passou a ocupar um espaço estratégico em setores essenciais para o crescimento econômicoErika Lacreta, Gerente de Mercado de Capitais da AnbimaAlém das debênturesApesar do alto volume de investimentos por meio das debêntures incentivadas, o financiamento privado da infraestrutura vai além e também recorre a outros instrumentos, como debêntures, notas comerciais e fundos de investimento em direitos creditórios, os FIDCs.Segundo a Anbima, entre 2018 e 2025, o volume acumulado de emissões de títulos de dívida para infraestrutura alcançou R$ 559,7 bilhões, indicando a maior diversificação das fontes de captação.Para a associação, o avanço desse modelo acompanha uma mudança estrutural no perfil do investimento em infraestrutura no país.Hoje, 83,9% dos investimentos no setor são realizados pelo setor privado, enquanto 16,1% têm origem pública. O movimento ocorre em um momento em que o Brasil busca elevar o investimento total em infraestrutura de 2% para 4% do PIB, segundo estudo da CNI (Confederação Nacional da Indústria).Além disso, o investidor ainda conta com a expansão da indústria de fundos de investimento em infraestrutura, que alocam cerca de 85% de suas carteiras nesses títulos.Em dezembro do ano passado, o patrimônio líquido desses fundos chegou a R$ 352,7 bilhões, com quase 70% do volume concentrado nos setores de energia, transporte e logística.Para a gerente de mercado da Anbima, Erika Lacreta, quando o investidor acessa fundos voltados à infraestrutura, ele participa do financiamento de projetos de longo prazo que têm impacto concreto nos projetos voltados ao setor, em uma dinâmica que fortalece o mercado de capitais e, ao mesmo tempo, apoia a modernização do país.Os efeitos desse ciclo de investimento se espalham por diferentes setores da economia.Segundo estudos do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), a cada R$ 1 milhão investido em infraestrutura, são gerados entre R$ 2,86 milhões e R$ 3,34 milhões na atividade econômica.Como mostrou a CNN, o PNL (Plano Nacional de Logística) 2050, apresentado no início de agosto, previu R$ 1,2 trilhão em investimentos em infraestrutura logística até 2050.Do total estimado, R$ 734,4 bilhões devem vir da iniciativa privada, enquanto outros R$ 490,5 bilhões seriam investimentos públicos.O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou, à época, que o valor total dos projetos foi baseado no levantamento da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), que estima R$ 1 trilhão de investimentos para manter a infraestrutura brasileira em um patamar de serviço adequado.