No RS, quase 80% das PMEs não se sentem preparadas para eventos climáticos

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Os eventos climáticos extremos deixaram de ser uma preocupação exclusiva das grandes empresas. Cada vez mais, enchentes, secas, queimadas e ondas de calor afetam diretamente micro e pequenas empresas, provocando interrupções na operação, aumento dos custos, problemas logísticos e queda no faturamento. Um levantamento do Fundo de Impacto Estímulo, realizado com mais de 300 empreendedores do Rio Grande do Sul, aponta que 77% não se sentem totalmente preparados para novos eventos e que 93% pediriam crédito para usar com medidas protetivas. Leia Mais Análise: Mercado opera dividido entre eleição e crise institucional 8 em cada 10 escolas públicas têm internet dentro do ideal, aponta pesquisa Exportações brasileiras à China caem 10,9% em agosto ante igual mês de 2025 Os participantes da pesquisa fizeram parte da 1ª fase do Fundo Retomada RS, iniciativa específica montada pelo Estímulo junto a grandes lideranças, – como a FEDERASUL e Sebrae -, para ajudar com agilidade e facilidade a tomada de crédito produtivo em um momento caótico, durante as chuvas que impactaram o estado em 2024. As constatações guiaram as decisões da 2ª fase do fundo, onde foi anunciado que serão disponibilizados mais R$ 30 milhões para ajudar as MPEs locais com foco em resiliência climática. A nova fase do fundo recebeu R$ 5 milhões do Instituto Helda Gerdau, liderado por Beatriz Johannpeter, que se dedica a promover iniciativas de transformação social. E também R$ 1 milhão da família Nestor de Paula, fundador da Azaleia. Lucas Conrado, CEO do Fundo de Impacto Estímulo, reforça que para o pequeno empreendedor, resiliência climática começa muito antes da tragédia. Está na manutenção preventiva, na proteção do estoque e dos equipamentos, na diversificação de fornecedores, no planejamento financeiro e na capacidade de manter o negócio funcionando mesmo diante de um evento trágico. “É dentro deste contexto que o acesso a capital orientado e produtivo também precisa ser entendido de duas formas: além de instrumento de reconstrução, como ferramenta de prevenção”, completa. Até hoje, o Fundo Retomada RS já originou R$ 68 milhões na 1ª fase, alcançando cerca de 1 mil empreendedores em 142 cidades gaúchas e impactando positivamente mais de 12 mil empregos. A atuação apresentou indicadores relevantes de inclusão financeira: 30% do crédito destinado a empresas lideradas por mulheres e 35% concedido a empreendedores que nunca haviam acessado crédito formal.Outros resultadosA retomada ainda não terminouA recuperação permanece incompleta e a demanda por capital continua elevada.66% dos afetados direta ou indiretamente ainda não recuperaram o patamar anterior77% não se sentem plenamente preparados para uma próxima emergência climática95% dos respondentes precisam de crédito agora ou nos próximos 6 meses93% dos respondentes usariam crédito para tornar o negócio mais resilienteSeguem expostos à próxima enchenteParte da base que foi diretamente atingida fez melhorias de estrutura, mas as defesas financeiras que faltaram em 2024, como reserva e seguro, ainda alcançam poucos negócios.61% está parcialmente preparado23% está totalmente preparado13% está pouco preparado3% está nada preparadoDemanda por crédito para se protegerO apetite por uma linha de resiliência é quase universal, e vem com um pedido de acompanhamento técnico 93% usariam o crédito para resiliência31% dos interessados pedem orientação para onde investir77% seguem sem preparo pleno para uma próxima emergência climática Resultados positivos observados na base apoiadaTodos os respondentes receberam crédito do Estímulo. Os dados mostram a evolução dos negócios após o apoio, (sem isolar o quanto dessa evolução foi causada pelo crédito).51% relatam crescimento do faturamento desde o crédito do Estímulo34% dos afetados já recuperaram totalmente o patamar anterior(Texto de Maria Clara Dias)