Empresário bancou chope de Natal para unidade ligada a delegado investigado

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O processo que investiga o suposto desvio de uma carga de vergalhões avaliada em R$ 1,4 milhão também apura a atuação do delegado da Polícia Civil de Goiás Alexandre Bruno de Barros (foto em destaque), do escrivão Sílvio Pereira de Macedo e do agente Antônio Gomes de Assis Sobrinho.Segundo documentos anexados aos autos, uma conversa atribuída ao empresário Silvio Gonçalves Dutra, conhecido como Carioca, menciona o fornecimento de chope para a confraternização de Natal da Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas (DECAR).À época, a unidade era comandada pelo delegado Alexandre Bruno (imagem abaixo). Ainda conforme os arquivos, Carioca, empresário de Aparecida de Goiânia (GO), teria pedido a outros supostos receptadores que contribuíssem, em conjunto, para o fornecimento da bebida que seria servida na festa dos servidores da especializada.Alexandre Bruno, Sílvio Pereira e Antônio Gomes foram afastados das funções por 90 dias por determinação da Justiça. Além do afastamento cautelar, a decisão determinou o recolhimento das armas, dos distintivos e das carteiras funcionais dos investigados.Veja:6 imagensFechar modal.1 de 6No processo, conversa de empresário menciona compra de chopp para DecarReprodução2 de 6Diálogos no aparelho do empresárioReprodução3 de 6Apuração sobre a transferênciaReprodução4 de 6Processo explica como agente atuavaReprodução 5 de 6No processo aponta que o delegado recebeu propinaReprodução6 de 6Delegado intimidou envolvidosReprodução  Leia também Na MiraDelegado e policiais são afastados por desvio de cargas de R$ 1,4 milhão Na MiraDelegado investigado por desviar carga teria recebido propina de R$ 200 mil Na MiraDelegado da PCGO afastado nega acusações de desvio de cargas e propina Operação Fogo AmigoSegundo o Ministério Público de Goiás (MPGO), o ponto de partida da investigação foi o suposto desvio de uma carga de vergalhões apreendida durante a Operação Fogo Amigo, deflagrada em 2021 em Aparecida de Goiânia (GO). De acordo com o órgão, Alexandre Bruno, Sílvio Pereira e Antônio Gomes teriam participado da operação.Os vergalhões – barras de ferro usadas na construção civil, avaliados em aproximadamente R$ 1,4 milhão, teriam sido encaminhados para o depósito do empresário Silvio Dutra, ainda segundo as investigações.O Ministério Público afirma que outros bens apreendidos pela DECAR também teriam sido levados, de maneira informal, para galpões ligados a integrantes do grupo investigado. Conforme o órgão, o armazenamento ocorria sem contrato, licitação ou controle judicial.A coluna Na Mira tenta localizar a defesa dos demais citados. O espaço permanece aberto para manifestações.Delegado nega acusaçõesCitado na investigação sobre o suposto desvio de uma carga de vergalhões avaliada em R$ 1,4 milhão, o delegado Alexandre Bruno de Barros nega as acusações. Por meio da defesa, ele afirma que alertou órgãos de controle sobre a falta de estrutura da Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas (DECAR) para armazenar materiais apreendidos.Segundo os advogados, documentos apresentados no processo mostram que, em maio de 2022, o delegado solicitou à cúpula da Polícia Civil a disponibilização de galpões para o armazenamento de cargas recuperadas. O pedido, porém, não teria sido atendido.Ainda de acordo com a defesa, em janeiro de 2023, Alexandre Bruno acionou a Promotoria responsável pelo controle externo da atividade policial. Em junho de 2024, teria levado a situação ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público de Goiás. A defesa também apresentou documentos relacionados à destinação de bens apreendidos e à comunicação feita aos órgãos de controle.Documentos apresentados pelo delegado:6 imagensFechar modal.1 de 6Documento fala das operações policiaisImagem cedida ao Metrópoles2 de 6Fala sobre defesa não afeta atividade-fimImagem cedida ao Metrópoles3 de 6Contratação de bens apreendidosImagem cedida ao Metrópoles4 de 6Arquivo que fala sobre destinação de bens apreendidos Imagem cedida ao Metrópoles5 de 6E-mail enviado ao GaecoImagem cedida ao Metrópoles6 de 6Documentos enviados à JustiçaImagem cedida ao MetrópolesSuposto desvio de cargasSegundo os promotores, Silvio Dutra, o Carioca, seria responsável por armazenar cargas e veículos apreendidos pela DECAR durante a gestão de Alexandre Bruno.As investigações apontam que os valores obtidos com a suposta venda das cargas seriam divididos entre Carioca e agentes públicos vinculados à DECAR, entre eles o delegado.Em 2023, a Polícia Civil realizou buscas em um dos galpões ligados ao empresário e apreendeu o celular dele. Conforme a investigação, mensagens encontradas no aparelho fariam referência a supostos roubos, furtos e desvios de cargas.O processo também registra o relato de um parceiro de Carioca, que teria afirmado ter entregue uma sacola contendo R$ 200 mil ao delegado.Afastamento por 90 dias:A decisão do 1º Juízo das Garantias de Goiânia, no âmbito da investigação sobre um suposto esquema de desvio e venda clandestina de cargas e veículos apreendidos pela DECAR.Além do afastamento cautelar, a Justiça determinou o recolhimento das armas, dos distintivos e das carteiras funcionais dos investigados.Também foi determinado o bloqueio de seus acessos aos sistemas da Polícia Civil.Os três também estão proibidos de frequentar repartições policiais durante o período da medida.O afastamento tem prazo inicial de 90 dias e não implica suspensão da remuneração dos servidores.Defesa contesta acusaçõesEm nota, a defesa de Alexandre Bruno de Barros afirmou receber a decisão judicial com respeito e tranquilidade e disse confiar que as provas apresentadas demonstrarão a atuação regular do delegado.Entre os principais argumentos apresentados estão:Armazenamento das cargas: segundo a defesa, a Polícia Civil de Goiás não dispunha de estrutura própria para armazenar as cargas recuperadas pela DECAR. Por isso, as vítimas autorizavam, por meio de procuração, o encaminhamento dos materiais para depósitos privados. Os advogados afirmam ainda que o empresário citado na investigação já atuava como depositário antes de Alexandre Bruno assumir a titularidade da unidade.Carga de vergalhões: a defesa afirma que o delegado não teria sido responsável pela destinação ou pelo suposto desvio da carga de vergalhões avaliada em R$ 1,4 milhão.Supostos R$ 200 mil: os advogados negam que Alexandre Bruno tenha recebido ou dividido valores em espécie e classificam a acusação como sem fundamento. Segundo a defesa, o delegado abriu voluntariamente os sigilos bancário e fiscal à Justiça antes do avanço das investigações.Atuação perante órgãos de controle: a defesa sustenta que Alexandre Bruno tomou medidas para buscar soluções para a falta de estrutura da DECAR. Segundo os advogados, ele comunicou o problema à cúpula da Polícia Civil em maio de 2022, acionou o Ministério Público em janeiro de 2023 e, em junho de 2024, levou o caso ao GAECO, apresentando documentos e solicitando providências.PCGO apura condutasEm nota, a Polícia Civil de Goiás (PCGO) informou, na quarta-feira (2/9), que a Corregedoria da instituição instaurou procedimento para apurar as condutas relacionadas aos fatos investigados na Operação Depositário Infiel II.Segundo a corporação, diligências estão sendo realizadas e o procedimento tramita sob sigilo. A PCGO informou ainda que todas as medidas cautelares determinadas pelo Poder Judiciário foram cumpridas administrativamente.