Partido de direita da Alemanha busca virada história em eleições estaduais

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Eleitores do estado da Saxônia-Anhalt, na Alemanha, vão às urnas neste domingo (6) em uma eleição na qual o partido de direita AfD, o Alternativa para a Alemanha, espera chegar ao poder pela primeira vez e marcar uma mudança histórica na política alemã.O primeiro-ministro estadual Sven Schulze, dos democratas-cristãos conservadores, do partido CDU, do chanceler Friedrich Merz, afirma que a eleição na Saxônia-Anhalt é “uma decisão que definirá os rumos da Alemanha”.Pesquisas de opinião no estado apontam que o apoio à AfD, que quer restringir a imigração, restabelecer relações com a Rússia e abandonar o euro, ultrapassa 40%, ficando de 15 a 20 pontos percentuais à frente da CDU, que governa em coalizão com os social-democratas de centro-esquerda, o SPD, e os liberais do Partido Democrático Liberal, o FDP.A maioria dos outros partidos que disputam a eleição se recusou a cooperar com a AfD, classificada pelo órgão regional do serviço de inteligência interna da Alemanha como uma organização extremista de direita. Isso significa que uma coalizão liderada pela CDU pode impedir que o partido chegue ao poder na Saxônia-Anhalt. Leia Mais Alemanha sofre tentativa de sabotagem à rede elétrica perto de eleições Milei atrai apoio de argentinos contra projeto petrolífero nas Malvinas Rússia e Ucrânia iniciam cessar-fogo pontual para reparos em usina nuclear Mas o tamanho de seu apoio, impulsionado pela desilusão com o impopular governo do chanceler Friedrich Merz em Berlim, deixou evidente o quanto a política alemã mudou na década ou pouco mais desde a criação do partido, em 2013.Ulrich Siegmund, de 35 anos, que espera se tornar o primeiro chefe de governo estadual da AfD, faz campanha há meses, atraindo multidões para comícios lotados em salões comunitários e praças de cidades de todo o estado.“A questão é claramente a imigração. As pessoas já não reconhecem sua própria terra natal e estão dizendo isso abertamente”, disse Siegmund à Reuters em agosto.Fundada no oeste da Alemanha no auge da crise da dívida da zona do euro, a AfD passou a conquistar cada vez mais apoio nos antigos estados comunistas do leste, onde pesquisas mostram que persiste um sentimento de insatisfação com os resultados da reunificação de 1990.Siegmund, que rejeita o rótulo de extrema direita, afirma que fala “a linguagem do povo”, adotando uma postura sorridente que evita a retórica de correligionários como Bjoern Hoecke, do vizinho estado da Turíngia, que foi condenado duas vezes por usar slogans nazistas.A AfD vê a Saxônia-Anhalt, seguida por outras duas eleições estaduais na região nordeste — em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e em Berlim — ainda neste mês, como um trampolim para uma vitória nas eleições nacionais previstas para 2029.As pesquisas de boca de urna da eleição estadual da Saxônia-Anhalt serão divulgadas no domingo, às 18h (16h GMT).