Dados pessoais de brasileiros já circulam na internet e podem ser vendidos na dark web. É o que aponta uma pesquisa da NordVPN divulgada neste mês.O levantamento mostra um contraste entre a percepção dos brasileiros sobre privacidade e os dados que efetivamente despertam o interesse de criminosos. Enquanto 37% afirmam temer que informações pessoais estejam circulando pela internet sem conhecimento, dados como cartões, contas de e-mail e serviços de streaming estão entre os itens mais comercializados na ‘internet paralela’.Segundo a pesquisa, cartões de pagamento roubados têm um preço mediano de cerca de US$ 13 (R$ 67). Já um conjunto completo de informações pessoais, conhecido como “fullz”, chega a US$ 40 (R$ 208). Isso pode incluir nome completo, data de nascimento, endereço e até informações de cartões. Leia Mais Criminosos roubaram R$ 150 milhões de investidores de criptos em 2026 Bancarização torna Brasil alvo de ciberataques, diz VP da CrowdStrike 45% dos ataques hackers no Brasil acontece por falhas básicas; entenda Contas de redes sociais têm valores maiores. Acessos a perfis do Telegram são vendidos por cerca de US$ 12 (R$ 62), enquanto os do TikTok chegam a US$ 60 (R$ 312). Contas de streaming ficam bem abaixo: o acesso a um perfil da Netflix é vendido por menos de US$ 5 na dark web (R$ 26).Os valores mais altos estão atrelados a contas financeiras. Contas comprometidas da Wise têm preço mediano de US$ 899 (R$ 4.672) na internet paralela. As da Revolut ultrapassam US$ 1.700 (R$ 8.840).Para a NordVPN, o cenário revela um paradoxo: os usuários tendem a se preocupar mais com informações consideradas sensíveis, como dados bancários e documentos de identificação, enquanto criminosos preferem explorar contas usadas no cotidiano, como e-mail, redes sociais e serviços de streaming.Maioria dos brasileiros já compartilhou dados pessoais na internetO estudo também mostrou que, entre os países analisados, os brasileiros estão entre os usuários que mais compartilham informações pessoais na internet:82% afirmam já ter compartilhado o nome completo online;Outros 78% já divulgaram a data de nascimento;63% disseram ter compartilhado o endereço residencial completo e o status de relacionamento.O CPF aparece entre as informações compartilhadas: 51% dos brasileiros entrevistados afirmam já ter divulgado o documento na internet. Além disso, 21% já compartilharam dados bancários.No geral, o comportamento gera arrependimento. Segundo o levantamento, 21% se arrependeu após divulgar alguma informação pessoal online. O número é quase o dobro da média global.A pesquisa também mostra a dependência dos brasileiros em relação à vida digital: 33% afirmam que não conseguem imaginar passar um dia inteiro sem estar conectados.Os dados foram coletados pela empresa Cint entre 1º e 17 de abril de 2026, com mais de 20 mil usuários de internet em 20 países. No Brasil, foram entrevistadas 1.003 pessoas entre 18 e 74 anos.