Pela primeira vez, a extrema direita venceu uma eleição regional na Alemanha desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Na liderança desse movimento, está Ulrich Siegmund, de 35 anos, que teve ascensão graças às redes sociais.Ex-vendedor de aromatizadores de ambiente, ele é o principal candidato do partido AfD (Alternativa para a Alemanha) e teve cerca de 44% dos votos na Saxônia-Anhalt, leste do país. O número representa mais que o dobro da CDU, partido do chanceler Friedrich Merz. Leia também MundoPesquisa indica vitória da extrema direita em eleição regional na Alemanha MundoAlemanha tem eleição decisiva para extrema direita neste domingo (6/9) MundoEm meio à tensão com a Rússia, Alemanha testa míssil balístico israelense MundoAlemanha fecha consulado russo em Bonn e eleva tensão entre os países Ulrich Siegmund aproveitou sua popularidade na internet para ganhar a disputa pela extrema direita da Alemanha que, desde o fim da era nazista, em 1945, não ganhava uma eleição estadual.O resultado do pleito foi anunciado por volta das 19h30 (horário de Brasília). Ulrich Siegmund venceu a disputa para o cargo de governador do estado que tem cerca de 2,1 milhões de habitantes.Em entrevista à emissora pública ARD, ele afirmou que está disposto a dialogar com forças que defendem mudanças políticas no país.“Fizemos história neste país. Estendemos a mão a todas as forças democráticas que desejam buscar políticas melhores”, disse.3 imagensFechar modal.1 de 3Ulrich Siegmund é o principal candidato do AfDLe Monde2 de 3Ulrich Siegmund foi o primeiro candidato da extrema direita eleito pós-guerraChristian Schroedter/IMAGO3 de 3Candidato tem entre as principais propostas políticas contra a imigraçãoPanrotas/ReproduçãoExtrema direitaO candidato da AfD tem um plano de governo voltado à segurança e tem como uma de suas principais bandeiras o aumento das deportações no país.Ele propõe ampliar a expulsão de solicitantes de asilo rejeitados e aumentar os centros de detenção para imigrantes.Os líderes de seu partido mantêm laços estreitos com a Rússia, e alguns fizeram comentários subliminares sobre a era nazista, inclusive minimizando o Holocausto.Em uma entrevista em podcast ao site Politico, Ulrich Siegmund afirmou que não poderia “presumir julgar” se o Holocausto foi o pior crime da humanidade, “porque não tenho como compreender a totalidade da história humana”.Ele também se recusou a condenar apoiadores que entoavam seu sobrenome, Siegmund, no estilo da saudação nazista, “Sieg Heil”.De acordo com os registros históricos, cerca de seis milhões de judeus foram assassinados pela Alemanha nazista durante o período (1933 e 1945).Além deles, o regime também perseguiu e matou milhões de pessoas de outros grupos considerados alvos como negros, pessoas com deficiências, ciganos e opositores políticos.