De Steem a Solana: o que aconteceu com as criptomoedas que dominavam o mercado há 10 anos

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Embora o Bitcoin tenha atravessado a última década como a maior criptomoeda do mundo, o restante do mercado mudou quase por completo. O Ethereum se consolidou como a segunda principal força do setor, mas boa parte dos nomes que apareciam entre as maiores altcoins há dez anos hoje perdeu relevância ou praticamente saiu do radar dos investidores.Em 2016, projetos como Steem, Dash, NEM e MaidSafeCoin estavam entre os mais importantes do mercado. Já agora em 2026, quem ocupa esse espaço são ativos como BNB, Solana, Chainlink e Dogecoin.Levantamento feito pelo Portal do Bitcoin mostra como o mercado de altcoins foi praticamente reconstruído entre 2016 e 2026. A análise acompanha as maiores criptomoedas daquela época e indica que poucas conseguiram atravessar uma década mantendo relevância. A maior parte das estrelas de ciclos anteriores foi substituída por projetos ligados a novas teses, como contratos inteligentes, infraestrutura on-chain, stablecoins, DeFi, memecoins e redes de alto desempenho.O principal termômetro dessa mudança é o valor de mercado, que mede o preço de cada moeda multiplicado pela quantidade de tokens em circulação. A métrica ajuda a mostrar não apenas quanto um ativo valorizou, mas qual peso ele passou a ter dentro de um mercado que cresceu e mudou profundamente ao longo dos últimos dez anos.A conclusão é clara: no mercado de altcoins, liderança não é permanente. Projetos podem chegar a dezenas de bilhões de dólares em valor de mercado durante um ciclo e perder grande parte desse espaço poucos anos depois. Além disso, é possível crescer ao longo dos anos, mas ainda assim ficar para trás dentro quando comparado com ativos concorrentes.Ethereum, XRP, Litecoin e Monero sobrevivem à troca de ciclosEntre as altcoins mais antigas, o caso mais expressivo é o Ethereum. Em 2016, seu valor de mercado médio era de cerca de US$ 803 milhões. Em 2026, esse número está próximo de US$ 263 bilhões, depois de ter atingido os US$ 370 bilhões em 2024.A diferença ajuda a explicar por que o Ethereum conseguiu atravessar sucessivos ciclos enquanto tantos concorrentes perderam força. A rede se consolidou como a principal plataforma para contratos inteligentes, base sobre a qual foram construídos mercados de finanças descentralizadas, stablecoins, NFTs e outras aplicações. No preço, o ETH saiu de cerca de US$ 13,22 em setembro de 2016 para US$ 2.467 no fim de agosto deste ano, uma alta acumulada de aproximadamente 18.560%.O XRP também conseguiu atravessar a década entre os principais ativos. Seu valor de mercado médio saltou de US$ 241 milhões em 2016 para US$ 81,8 bilhões em 2026, chegando a uma máxima de US$ 145 bilhões em 2025. A tese do projeto sempre esteve mais ligada ao setor financeiro e a pagamentos, com uma blockchain voltada a transações financeiras e liquidez entre moedas. Mesmo passando por longos períodos de menor interesse, o XRP acumula valorização superior a 15.500% desde setembro de 2016.A Litecoin seguiu outro caminho. Criada em 2011 como uma moeda digital para pagamentos rápidos e de baixo custo, o LTC viu seu valor de mercado médio crescer de US$ 176 milhões em 2016 para US$ 4,1 bilhões em 2026. Ainda assim, perdeu relevância relativa porque o mercado passou a privilegiar redes com contratos inteligentes, DeFi e outras aplicações. Seu auge foi em 2021, com valor de mercado de US$ 12,6 bilhões.Já a Monero preservou uma tese específica: privacidade. A rede oculta por padrão dados como remetente, destinatário e valor das transações, mantendo foco em pagamentos privados e resistentes à censura. O valor de mercado médio do XMR passou de US$ 47 milhões em 2016 para cerca de US$ 7 bilhões em 2026, o maior patamar de toda a série analisada. Mesmo enfrentando restrições e remoções em algumas plataformas, o ativo conseguiu preservar um nicho próprio.Antigas estrelas perderam espaçoSe alguns projetos sobreviveram à troca de ciclos, outros mostram como a liderança no mercado cripto pode ser temporária.A Steem é um dos exemplos mais emblemáticos. Lançada em 2016, a blockchain nasceu com a proposta de criar uma rede social em que usuários seriam remunerados em criptomoedas pela publicação e curadoria de conteúdo. A ideia parecia promissora naquele momento, e o Steemit se tornou a primeira grande aplicação construída sobre a rede.O valor de mercado da Steem chegou a US$ 524 milhões em 2018, contra cerca de US$ 72 milhões em 2016. Depois disso, a trajetória mudou. Em 2026, o valor está em apenas US$ 27 milhões. Um dos episódios que marcaram essa perda de força ocorreu em 2020, quando uma disputa envolvendo a comunidade e a aquisição da Steemit levou parte dos participantes a criar a blockchain Hive, por meio de um hard fork.A Dash viveu uma história diferente. Criada como moeda digital voltada a pagamentos, ganhou notoriedade inicialmente por recursos de privacidade e depois ampliou o foco para velocidade, facilidade de uso e pagamentos instantâneos. Seu valor de mercado saiu de US$ 53 milhões em 2016 e chegou a US$ 2,7 bilhões em 2018. Hoje, está próximo de US$ 487 milhões. Ou seja: a Dash ainda vale mais do que há dez anos em termos absolutos, mas perdeu enorme relevância relativa porque o restante do mercado cresceu muito mais.A NEM teve uma deterioração ainda mais forte. Seu token XEM tinha valor de mercado médio de cerca de US$ 30 milhões em 2016 e chegou a US$ 2,7 bilhões em 2018. Em 2026, restam aproximadamente US$ 6 milhões, uma queda superior a 99% em relação ao auge.Parte da história do ecossistema passou pela criação da Symbol, uma nova blockchain lançada em 2021. Os detentores de XEM puderam receber o novo token XYM, enquanto a rede antiga continuou existindo. A mudança, porém, não foi suficiente para devolver ao projeto o protagonismo que teve no ciclo de 2017 e 2018.A MaidSafeCoin completa o grupo das antigas gigantes. O projeto surgiu ligado à SAFE Network, uma proposta de rede descentralizada para armazenamento, dados e comunicação. Seu valor de mercado médio era de US$ 32 milhões em 2016 e chegou a cerca de US$ 254 milhões em 2021. A partir daí, perdeu espaço rapidamente. O último ano do levantamento com valor de mercado utilizável é 2023, em torno de US$ 71 milhões.BNB, Solana e Chainlink: a nova geraçãoEnquanto antigas líderes encolhiam, projetos que sequer existiam no começo da série passaram a ocupar posições centrais no mercado.O caso mais extremo é o BNB. O primeiro ano com dados no levantamento é 2017, quando o token tinha valor de mercado médio de apenas US$ 191 milhões. Em 2026, o número chega a aproximadamente US$ 90,8 bilhões, sendo a terceira maior criptomoeda do mundo.O ativo nasceu ligado à Binance, mas sua utilidade cresceu junto com a expansão da BNB Chain. Hoje, o BNB é usado para pagar taxas, fazer staking e acessar aplicações de DeFi e outros serviços construídos no ecossistema. No preço, o token multiplicou seu valor em mais de 6.600 vezes desde o primeiro fechamento disponível no levantamento.A Solana representa outra troca de geração. Seu histórico começa em 2021, quando a rede já registrava valor de mercado médio de US$ 25,7 bilhões. O número alcançou US$ 86,9 bilhões em 2025 e está em aproximadamente US$ 47,9 bilhões neste ano. A blockchain ganhou espaço com uma proposta de alto desempenho e custos baixos, especialmente para negociações, aplicações financeiras, pagamentos e outros produtos cripto.A Chainlink mostra a força da especialização. Em vez de disputar diretamente o mercado das blockchains de uso geral, o projeto construiu uma rede de oráculos, infraestrutura usada para levar dados externos a aplicações on-chain. Essa função ganhou importância com DeFi e, mais recentemente, com tokenização. O valor de mercado médio do LINK passou de cerca de US$ 99 milhões em 2017 para US$ 6,4 bilhões em 2026.Nem toda ascensão, porém, dependeu de uma nova solução tecnológica. A Dogecoin é o maior exemplo. Criada inicialmente como uma brincadeira baseada no meme do cachorro Shiba Inu, a DOGE se consolidou como uma moeda digital sustentada por uma comunidade forte. Em 2016, seu valor de mercado médio era de apenas US$ 24,7 milhões. Em 2026, chega a US$ 15,8 bilhões, depois de ter alcançado US$ 31,4 bilhões no ano passado.O crescimento da Dogecoin resume uma das grandes mudanças da década: as memecoins deixaram de ser uma curiosidade periférica e viraram uma categoria própria, capaz de movimentar bilhões de dólares.Chegar ao topo não garante permanênciaA troca de gerações não aconteceu apenas entre moedas antigas e novas. Mesmo projetos que surgiram no meio do caminho já enfrentam o desafio de preservar relevância.A Cardano é um bom exemplo. A blockchain usa consenso proof-of-stake e foi construída com ênfase em pesquisa acadêmica e desenvolvimento baseado em evidências. Seu valor de mercado médio era de US$ 3,1 bilhões em 2017 e disparou para US$ 44,5 bilhões em 2021, auge do ADA no levantamento. Em 2026, caiu para cerca de US$ 8,6 bilhões.A Polkadot viveu uma queda ainda mais acentuada. A rede foi projetada em torno da interoperabilidade, permitindo comunicação e transferência de ativos e dados entre diferentes blockchains. Seu valor de mercado médio chegou a US$ 26,1 bilhões em 2021, mas recuou para aproximadamente US$ 1,9 bilhão em 2026, queda de mais de 90% desde o pico.Os dois casos reforçam uma das principais conclusões do levantamento: uma criptomoeda pode conquistar dezenas de bilhões de dólares em valor de mercado durante um ciclo e ainda assim perder grande parte desse espaço poucos anos depois.Também por isso, olhar apenas para preço não conta toda a história. BNB, Dogecoin, Ethereum, XRP e Monero tiveram valorizações de milhares por cento no período analisado. Litecoin também vale mais do que há dez anos. Mas a trajetória do valor de mercado mostra algo diferente: quais projetos cresceram junto com todo o setor e quais ficaram para trás mesmo quando seus preços permaneceram acima dos níveis de uma década atrás.Depois de dez anos, a principal conclusão não é simplesmente que algumas altcoins subiram e outras caíram. É que a liderança neste mercado é muito menos permanente do que os rankings de cada ciclo fazem parecer.Ethereum e XRP atravessaram toda a década entre os principais nomes; Litecoin e Monero preservaram nichos relevantes; Dogecoin saiu de uma posição pequena para se tornar um ativo bilionário. Ao mesmo tempo, BNB, Solana e Chainlink surgiram e ocuparam espaços que não existiam em 2016, enquanto Steem, Dash, NEM e MaidSafeCoin deixaram de ter o protagonismo que um dia tiveram.A análise considera dados históricos entre setembro de 2016 e agosto de 2026. Para comparar relevância, o levantamento prioriza o valor de mercado. Os números anuais citados correspondem às médias de cada ano disponíveis na base utilizada, com 2026 considerando o período transcorrido até agora. As cotações de preço usam fechamentos mensais.Quer investir na maior criptomoeda do mundo? No MB, você começa em poucos cliques e de forma totalmente segura e transparente. Não adie uma carteira promissora e faça mais pelo seu dinheiro. Abra sua conta e invista em bitcoin agora!O post De Steem a Solana: o que aconteceu com as criptomoedas que dominavam o mercado há 10 anos apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.