The Sinking City 2 é a sequência do game de ação e investigação que foi lançado originalmente em 2019. O jogo usava elementos do universo cósmico de H. P. Lovecraft para criar uma trama que envolvia desde assassinatos e crimes comuns até a conjuração de forças de outro mundo.Já o novo jogo busca criar uma identidade própria. Para isso, foca mais na ação, visando ser comparado com Alone In The Dark, The Evil Within, Silent Hill e outras referências no gênero. Mas será que essa mudança “drástica” deu certo? Confira o review completo.Revitalização deixa o mundo de H. P. Lovecraft de lado e buscar criar o seuComo dito anteriormente, The Sinking City 2 é uma espécie de recomeço para uma franquia que aposto que não terminará neste título. Curiosamente, o primeiro game não me agradou, mesmo sendo fã de jogos do universo de H. P. Lovecraft, como Call of Cthulhu e outros títulos bem ruins.O que mais me incomodou na época foi a má utilização de um universo tão rico. Para ser mais específico, em vez de histórias envoltas na mitologia das obras do famoso autor, havia uma sequência de investigações que obrigava o jogador a percorrer uma cidade sem graça, tornando o jogo bastante repetitivo desde as primeiras horas.Porém, a promessa foi a de uma reconstrução total em The Sinking City 2. Isso já ficou bem visível na campanha de divulgação do game, mostrando combates intensos contra diversas criaturas, em um estilo que lembra alguns clássicos do gênero, como Alone in the Dark, e com direito a um traje similar ao de Edward Carnby em seu título mais recente.Já o universo, que antes bebia da fonte de Lovecraft e de suas icônicas obras, agora parece querer criar uma identidade própria. A simbologia ainda está por toda parte, indo das criaturas e seus tentáculos no melhor estilo Cthulhu até o ocultismo em seu enredo. Porém, ao longo da história, fica nítido o quanto o título busca originalidade, tanto em seus personagens como na forma como tudo acontece do início ao fim.Depois de concluir a (curta) jornada do game, posso garantir que houve, sim, uma grande revolução. Mas a franquia ainda precisa percorrer um longo caminho para conquistar um dos gêneros mais populares dos games. Um mundo sobrenatural em meio ao caos e águaEm The Sinking City 2, você assume o controle de Calvin Rafferty, uma espécie de detetive paranormal que precisa usar suas habilidades para salvar a esposa, Freye, a qual acabou presa em outro mundo depois que um ritual deu errado. Para isso, será necessário vasculhar a cidade de Arkham, que está totalmente inundada devido a eventos que envolvem outra dimensão e os seres que nela habitam.A história começa bastante confusa, com uma série de informações jogadas na tela, o que inevitavelmente me deixou muito perdido. Entretanto, ao longo do jogo é possível notar que tudo isso é proposital, e serve até mesmo como um incentivo para recolher e montar pistas, que por sua vez são uma das principais dinâmicas paralelas do título.Por meio de rascunhos, páginas de livros e outros elementos espalhados pelo cenário, é possível montar um quadro com informações interligadas. Para isso, é preciso decifrar os textos, traçando linhas entre tudo que pode ter relação e, ao mesmo tempo, encontrar a quantidade total de dados para fechar os casos. Embora divertida, a mecânica traz uma simplicidade que amaldiçoa o jogo, sobre a qual darei mais detalhes ao longo do texto.Voltando à história principal, ao longo da jornada você se depara com flashbacks do que de fato aconteceu com o casal. São partes jogáveis, algumas delas até imensas, nas quais você descobre o que deu errado com Freye e a forma de reverter o problema. Para completar, ainda fazendo uma rápida comparação com o jogo anterior, os diálogos neste game são quase inexistentes. Dá para contar nos dedos a quantidade de NPCs que interagem com você em toda a história, e a sensação é de que, se eles não tivessem aparecido no meio do caminho, pouca coisa mudaria.No fim das contas, mesmo com alguns problemas, a história acaba sendo uma das melhores coisas do game, tanto para criar um plano de fundo para tudo o que a jogabilidade propõe, como até mesmo para ampliar esse universo para futuros capítulos.Jogabilidade se perde na simplicidade e na dificuldade forçadaLogo de cara, é possível notar o quanto o jogo é mais focado na ação do que na investigação como aconteceu no game anterior. Em poucos minutos, você precisa entrar em um pequeno barco com destino às regiões marcadas no mapa e começar a rotina de jogos do gênero: recolher itens para o personagem usar ou que servem para solucionar quebra-cabeças.Ao mesmo tempo em que o título é ágil para mostrar que de fato tem uma jogabilidade refeita, não demora muito para o jogador perceber que ele criou outro problema: a simplicidade. Por exemplo, além de haver pouca variedade de armas, de nada serve o combate direto por meio de socos e chutes. Além de não causarem praticamente nenhum dano, é quase impossível acertar as criaturas com os golpes, especialmente as que se parecem com aranhas, já que, a qualquer movimento em direção a elas, as criaturas pulam na sua direção.Derrubar um inimigo e pisoteá-lo até derrotá-lo, no melhor estilo Resident Evil? Isso não existe. Se não bastasse, em alguns casos ele simplesmente retorna à vida, graças a pequenas minhocas de outro mundo que consomem o respectivo corpo. Para piorar, o jogo impõe uma escassez de balas que não agrada nem um pouco. A sensação é de forçar a barra para criar uma dificuldade a mais, porém, isso só torna o game irritante e não desafiador, já que as próprias criaturas que assumem os corpos dos humanos possuem uma dinâmica na qual é preciso acertar uma espécie de alvo para derrotá-las.O problema é que, em 90% das vezes, elas fazem um movimento para escapar, o que passa a sensação de ser acionado justamente na hora do tiro. Em outras palavras, não há como você aguardar ou flertar com um disparo para que isso seja feito. Afinal, os inimigos sempre farão esse movimento no tempo exato para que você perca as balas, que já são escassas.Por conta disso, a melhor opção é sempre fugir dos confrontos. Isso faz com que salas nas quais você deveria gastar mais tempo em busca de itens, documentos ou outros recursos sejam conferidas o mais rápido possível para evitar esses embates.A ameixa desse bolo ruim é a introdução de um ser que deveria ser uma espécie de Nemesis de Resident Evil 3. Na incursão no hospital, onde está o corpo de Freye, ele te persegue por algumas salas, e não há uma forma de derrotá-lo naquele momento. Porém, além de isso não acontecer em todos os lugares, também não há uma lógica em torno da sua aparição, que às vezes mais parece um bug do que um evento propositalmente aleatório.Sendo assim, mesmo que The Sinking City 2 seja muito mais divertido de se jogar do que o seu capítulo de estreia, ainda assim há muita coisa para ser melhorada e corrigida para um eventual terceiro jogo da franquia.Um mundo convidativo à exploração, mas preso à uma linearidade absurdaRepetindo o que eu disse anteriormente, nos primeiros minutos de jogo sou obrigado a pegar um barco e avançar por uma cidade alagada. A minha primeira impressão era a de uma exploração similar à de jogos como Silent Hill 2, em que é preciso adentrar algumas localidades e encontrar caminhos para ruas bloqueadas. Porém, essa foi só uma falsa impressão.O motivo é o mesmo que assola o game do início ao fim: a sua linearidade. E isso não se limita apenas ao fato de não poder explorar um mapa livremente, mas também à forma como a campanha precisa ser concluída. Por exemplo: puzzles que deveriam quebrar a cabeça do jogador são fáceis de solucionar com pistas que, por sua vez, surgem ao longo do roteiro normal.Para ser mais específico, no mesmo hospital onde se passa uma grande parte do jogo, você precisa descobrir sequências de símbolos. Eles aparecem no cenário com as cores de seus respectivos painéis, bastando colocá-los em uma ordem de três fileiras. Ainda nesse hospital, uma porta que tranca o progresso será facilmente aberta, já que a chave estará em uma sala localizada no próprio roteiro principal da campanha, tornando impossível ficar travado na história.Para piorar, alguns acontecimentos também são roteirizados. Por exemplo, por diversas vezes você vai se deparar com a seguinte cena: o personagem visualiza um item-chave em uma sala bloqueada e, logo após entrar no local e pegá-lo, surgem diversas criaturas para atazanar a sua vida. Isso acontece da mesmíssima forma a todo momento, jogando por água abaixo qualquer elemento que pudesse contribuir com o “fator susto”. E, por incrível que pareça, o jogo até ensaia algumas missões paralelas, como o desbloqueio de salas ocultas que revelam mais detalhes da história. Mas estas, por sua vez, também não são nada complexas de encontrar ou concluir, pois fazem parte de um roteiro extremamente linear.Para completar, o jogo ainda conta com um sistema de habilidades que poderia facilmente ser descartado. A começar pela forma como elas evoluem e são desbloqueadas, as quais dependem de itens, e não de Pontos de Experiência. Em seguida, há tantas opções que é quase impossível liberar tudo em uma única campanha, necessitando começar um novo modo. Porém, diante de todos esses problemas citados anteriormente, fica muito difícil encontrar motivação para jogar tudo novamente.Uma bela ambientação, povoada por personagens mal construídosA ambientação de The Sinking City 2 merece elogios. A forma como toda Arkham foi construída e colocada debaixo d'água impressiona pelos detalhes, desde uma simples rua repleta de escombros até um enorme cargueiro atravessando a região. Esse mesmo capricho se expande para dentro de algumas localidades, indo de uma livraria e suas seções bem definidas a um enorme mercado com pequenas lojas.E para a produção deste conteúdo, pude testar a versão para PC do game, em um computador com a seguinte configuração: Placa de Vídeo: GeForce 4090 Placa Mãe: Asus Rog Strix Z790-h Gaming Wifi Processador: Intel i7 14700k Memória RAM: 32GB Kingston Fury RenegadeCom isso, pude rodar o jogo com as opções gráficas no Ultra, mantendo a taxa em 120 FPS sem problemas de travamento ou algo similar no seu desempenho.Porém, esse capricho ficou devendo na hora de construir os personagens do jogo. Isso porque, dos protagonistas às criaturas pelo caminho, há uma notável falta de cuidado em relação à caracterização. Calvin, por exemplo, conta com expressões faciais que não condizem com seu estado emocional. Ou seja, tem horas em que o personagem parece sorrir quando deveria expressar desespero ou tristeza. O mesmo vale para sua esposa e os escassos NPCs pelo caminho.Já as criaturas, além de não apresentarem uma grande variedade, ainda assim deixam a desejar em suas composições. Tirando as vestimentas de alguns zumbis, todas são exatamente iguais, o que prejudica na hora de saber se é a mesma criatura em confronto ou se é uma nova que surgiu no local.Vale a pena?The Sinking City 2 consegue ser melhor que o jogo anterior, mas ainda conta com uma série de problemas que o deixam longe de ser um título atrativo para os fãs do gênero. Mais focado na ação, o game aposta em poucos diálogos e em uma trama simples e fantasiosa, mas que diverte e se encaixa muito bem como plano de fundo para o que o título propõe.Entretanto, o game esbarra em uma linearidade do início ao fim que acaba com elementos cruciais de títulos similares, como a exploração de áreas em busca de itens e chaves. Além disso, seu sistema de combate é repleto de falhas e conta com uma dificuldade artificial baseada em poucas balas e muitos monstros. Esse é o típico jogo que vale mais a pena esperar até que fique de graça em algum serviço de assinatura, mas ainda assim sem criar grandes expectativas em relação a ele.NOTA FINAL: 70Pontos positivos (Prós):Mais divertido que o primeiro gameEnredo interessante e menos dependente do universo de LovecraftSistema de construção de histórias através de pistasPontos negativos (Contras): Linear demaisCurta duração e sem elementos que contribuam para o fator replayFalta de capricho na caracterização de personagensJogabilidade simples e bastante falha E quais suas expectativas para The Sinking City 2? Conte para a gente aqui nos comentários!