Posso estar enganado ao tomar minha própria experiência como regra, mas nas vezes em que vi o Rise Against ao vivo, fiquei com a impressão de que a maioria do público não estava ali exatamente por eles. Quando abriram para Sublime e The Offspring no Rio, ganharam a plateia na insistência, na competência e, claro, em boas canções embaladas por discursos que — para quem domina o inglês — continuam infelizmente atuais. No Rock in Rio, o cenário não foi muito diferente: a transmissão não mentia, e boa parte da multidão parecia poupar energia para o headliner que assumiria o palco dali a três horas. O espetáculo visual também não ajudou, com o palco imerso na penumbra, poucas colunas de luzes intermitentes e o logo da banda estático ao fundo, mudando de cor conforme a iluminação. De longe, viam-se apenas silhuetas. Já o som, como costuma acontecer no Palco Mundo, foi encorpando conforme a noite avançava.Embora tenha lançado “Ricochet”, seu décimo álbum de estúdio, em 2025, o grupo não usou a oportunidade para promovê-lo. Pelo contrário: ignorou o trabalho recente e concentrou o repertório em “The Sufferer & the Witness”, sua incontestável obra-prima. É dele a atualíssima “Prayer of the Refugee”, de longe o maior sucesso da banda, cuja letra narra a saga de um imigrante em busca de uma vida melhor nos EUA, enfrentando a hostilidade e a discriminação do povo e do governo.Com o tempo de palco apertado, o repúdio a regimes autoritários e ideologias extremistas ficou restrito às letras. No único momento em que parou para conversar com a plateia, o vocalista Tim McIlrath fez questão de agradecer à produção do festival: “Nossos instrumentos não chegaram a tempo e esses caras providenciaram tudo para estarmos aqui hoje”, revelou. “Nunca tinha encostado neste violão. O Zach [Blair] nunca usou essa guitarra e o Joe [Principe] nunca tocou nesse baixo. O primeiro contato do Brandon [Barnes] com esta bateria foi há uma hora. É para vocês verem: somos só nós quatro tocando — sem bases pré-gravadas, sem samples, sem nada disso.”Para bom entendedor, o recado foi direto nas canelas. No palco principal do maior festival do país, resgatar o improviso e o som 100% orgânico no peito e na raça não foi só um desabafo técnico. Ao expor o teto de vidro de quem precisa de mil parafernalhas digitais para segurar uma hora de show, o Rise Against saiu de cena tendo convencido de que caras com instrumentos emprestados e que não necessariamente eram o motivo pelo qual a multidão se encontrava ali ainda fazem mais barulho e barulho de verdade… do tipo que ganham a plateia.Setlist Rise Against:“Re-Education (Through Labor)”“Under the Knife”“Give It All”“Help Is on the Way”“The Good Left Undone”“Ready to Fall”“Like the Angel”“Satellite”“Swing Life Away”“Chamber the Cartridge”“Prayer of the Refugee”“Make It Stop (September’s Children)”“Savior”Quer receber novidades sobre música direto em seu WhatsApp? Clique aqui!Clique para seguir IgorMiranda.com.br no: Instagram | X/Twitter | Facebook | YouTube | Bluesky | Threads | TikTok.O post Rise Against supera imprevisto no Rock in Rio e vence o desinteresse da multidão no peito e na raça apareceu primeiro em Igor Miranda.