A Rússia criticou nesta segunda-feira (7) o envio de um sistema de mísseis avançado dos Estados Unidos para a Noruega, afirmando que a medida representa um novo golpe para as perspectivas de negociações entre Washington e Moscou sobre a estabilidade nuclear estratégica.O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou em comunicado que a instalação na Noruega de um sistema de mísseis baseado em lançadores Mk-41, capazes de disparar diversos tipos de mísseis, incluindo mísseis de cruzeiro Tomahawk, representa uma ameaça, pois os mísseis disparados por eles seriam capazes de atingir uma parte substancial da Rússia europeia, incluindo Moscou. Leia Mais Rússia entrega munições nucleares a Belarus como parte de exercícios Putin diz que Rússia vai continuar modernizando forças nucleares Rússia demonstra força nuclear em meio ao aumento de tensões com a Otan “Medidas como a implantação na Europa de mísseis terrestres de alcance intermediário dos EUA, que representam uma ameaça para a Federação Russa, ‘reiniciam a zero’ — para dizer o mínimo — as condições para um diálogo construtivo com os EUA sobre questões estratégicas”, afirmou o ministério.O comunicado acrescentou que a Rússia daria “atenção especial” aos locais de implantação e aos centros de comando e controle dos sistemas de mísseis dos EUA e que estes se tornariam alvos em caso de conflito militar.Notícias veiculadas pela mídia americana sugeriram que Washington entregou o novo sistema de lançamento de mísseis à Noruega em agosto.O Ministério das Relações Exteriores afirmou que o diálogo sobre estabilidade estratégica entre Moscou e Washington foi restringido durante o governo anterior dos EUA e descreveu os planos do governo atual de prosseguir com negociações multilaterais envolvendo a China como “irrealistas”.EUA propõe negociações trilateraisA afirmação foi feita dias depois da reunião entre enviados do presidente Donald Trump a Moscou, Steve Witkoff e Jared Kushner, e o presidente Vladimir Putin neste sábado (5). Os três discutiram as possibilidades para encerrar a guerra da Ucrânia, que completou 4 anos e meio em agosto.O assessor do Kremlin Yuri Ushakov descreveu posteriormente as conversas como “úteis” e disse que os representantes americanos “se prepararam seriamente para esta viagem”. Ele afirmou que a equipe dos EUA demonstrou interesse em encerrar as hostilidades o mais rapidamente possível e apresentou “toda uma série de considerações sobre possíveis caminhos para um acordo.”Um funcionário da Casa Branca afirmou à CNN que ambos os lados “discutiram planos concretos para os próximos passos, que serão anunciados nas próximas semanas.”Witkoff e Kushner defenderam neste domingo (6) o retorno às negociações trilaterais entre os Estados Unidos, a Rússia e a Ucrânia após discussões “substantivas” com autoridades ucranianas em Kiev.A visita foi a primeira ida dos dois à capital ucraniana desde o início da guerra e ocorre em meio a ataques quase ininterruptos de mísseis e drones russos sobre a cidade. Embora nenhum avanço significativo tenha sido anunciado após as conversas de domingo, Witkoff afirmou estar “confiante de que haverá uma boa resolução aqui”.O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky disse que “várias novas ideias” foram discutidas durante “boas conversas” com os EUA, mas não detalhou quais seriam essas ideias.*Com informações da CNN Internacional e ReutersO que é o sistema de defesa Patriot dos Estados Unidos?