Hackers teriam conseguido roubar cerca de US$ 130 milhões em criptomoedas de usuários da carteira física Coldcard, fabricada pela Coinkite, após explorarem uma falha no processo de geração das frases de recuperação dos dispositivos. O caso foi identificado por empresas de segurança blockchain que acompanham as movimentações.O ataque, revelado na terça-feira (04), atingiu proprietários de carteiras consideradas uma das formas mais seguras de armazenamento de Bitcoin por permanecerem desconectadas da internet. Pesquisadores apontam que os criminosos conseguiram recriar chaves privadas sem precisar acessar os aparelhos.A investigação indica que diferentes grupos podem estar envolvidos nas invasões, que exploraram uma vulnerabilidade presente no código usado para criar as chaves de recuperação. A descoberta permitiu que os invasores calculassem combinações possíveis e transferissem os ativos armazenados nas carteiras afetadas.Falha na geração de chaves abriu caminho para ataques contra carteiras offlineLinhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)A Coldcard é uma carteira de hardware desenvolvida para manter a chave secreta dos usuários longe da internet. Nesse modelo, os Bitcoins continuam registrados na blockchain, mas o acesso aos fundos depende de uma chave de recuperação armazenada no próprio dispositivo.O sistema é conhecido como carteira “fria”, em contraste com as chamadas carteiras “quentes”, que permanecem conectadas à rede por meio de aplicativos, extensões de navegador ou plataformas de negociação de criptomoedas.De acordo com a Galaxy Research, pelo menos 12 invasores diferentes estariam mirando usuários desses equipamentos. A empresa informou que o prejuízo acumulado alcançou aproximadamente US$ 130 milhões, estimativa considerada próxima da realidade por Tom Robinson, cofundador e cientista-chefe da empresa de monitoramento de criptomoedas Elliptic.Imagem: Tomasz Makowski/ShutterstockO episódio chama atenção porque a principal promessa de uma carteira física é justamente oferecer uma camada adicional de proteção. Usuários que mantinham suas chaves offline e adotavam medidas rigorosas de segurança foram atingidos porque o problema estava na etapa inicial de criação das chaves.Pesquisadores da Block identificaram que a vulnerabilidade estava relacionada ao método usado para gerar essas chaves em determinadas versões do equipamento. Com isso, os criminosos não precisaram invadir os dispositivos ou descobrir informações protegidas: eles conseguiram reproduzir o processo de criação das chaves.A situação foi descrita por Jonathan Goodman, usuário que afirmou ter perdido US$ 1,6 milhão, como uma falha difícil de aceitar porque todas as precauções recomendadas haviam sido seguidas. Em uma publicação na rede social X, ele explicou que nunca compartilhou sua chave e manteve os aparelhos desconectados da internet.$1.6 million dollars in Bitcoin was drained from my account on July 29th in the Cold Card wallet hack.My Bitcoin was in cold storage. My keys were on a ColdCard device kept in a safety deposit box that had never been connected to the internet.This part's nerdy, but here's… pic.twitter.com/Lf9kJv9Jo4— Jonathan Goodman 🇨🇦 (@itscoachgoodman) August 1, 2026Segundo Goodman, as medidas de proteção adotadas não impediram o prejuízo porque a origem do problema estava no código responsável pela criação das chaves de recuperação.A Coinkite, responsável pela Coldcard, publicou um alerta sobre o problema e orientou os clientes a atualizarem seus dispositivos. A empresa também recomendou que os usuários afetados migrassem seus fundos para uma nova chave.O post Hackers roubam US$ 130 milhões em criptomoedas após falha em carteira apareceu primeiro em Olhar Digital.