VW Golf GTI ‘brasileiro’ é rápido mesmo com 20 cv a menos, mas não é perfeito

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O novo Volkswagen Golf GTI já passou por nossas mãos em duas ocasiões diferentes: na primeira, levamos o esportivo para a nossa pista em um teste exclusivo, quando ele foi anunciado ao mercado brasileiro, em 2025; na segunda, dirigimos o modelo entre Alemanha e Áustria, com direito aos trechos sem limite de velocidade nas icônicas Autobahnen.Nas duas, porém, andamos na especificação alemã do GTI, ainda com equipamentos e mecânica distintos do que teríamos no Brasil. Agora, enfim, a versão brasileira chega às garagens de seus donos e às nossas mãos para uma nova rodada de testes.–Fernando Pires/Quatro RodasA nova geração do Golf GTI estreou no Brasil com status de exclusividade. Ao todo, foram cerca de 500 unidades importadas da Alemanha, divididas em dois lotes – o primeiro já esgotado. Para comprar um, não basta ter os R$ 430.000 pedidos pela marca. Era preciso comprovar histórico de posse de outros esportivos do Grupo Volkswagen, e seguir regras como não revendê-lo sem antes oferecê-lo para a recompra pela Volks.–Fernando Pires/Quatro RodasO novo Golf GTI tem visual que exala esportividade ao mesmo tempo que sabe ser sóbrio. É uma das principais características presentes em todas as oito gerações do modelo. Na dianteira, a grade superior exibe frisos vermelhos e o logotipo GTI. Ali também há as barras iluminadas que interligam os faróis e, pela primeira vez em um VW no Brasil, o logotipo da marca também é iluminado. Continua após a publicidade–Fernando Pires/Quatro RodasOs faróis dão sequência às barras iluminadas, mas não aos frisos vermelhos, e o motivo está em uma economia do modelo brasileiro. Os faróis são full- -led, com fachos baixo e alto automáticos, mas não são do tipo matricial – os conhecidos faróis IQ.Light. Além da tecnologia mais simples, eles também dispensam o detalhe visual. Assine as newsletters QUATRO RODAS e fique bem informado sobre o universo automotivo com o que você mais gosta e precisa saber. Inscreva-se aqui para receber a nossa newsletter Aceito receber ofertas produtos e serviços do Grupo Abril. Cadastro efetuado com sucesso! Você receberá nossa newsletter todas as quintas-feiras pela manhã. No para-choque, as grandes aberturas abrigam as luzes quadriculadas, que remetem às bandeiras das pistas de corrida. Neste caso, são faróis de neblina funcionais, e não apenas uma bela assinatura luminosa.–Fernando Pires/Quatro Rodas Continua após a publicidadeO GTI mantém o perfil discreto com a clássica coluna “C” larga e curva, e a sigla nas portas dianteiras. As rodas de 18” com acabamento diamantado e pneus 225/40 são o ponto de simplificação da versão nacional deste ângulo. Apesar de bonitas e proporcionais, têm pouca inspiração para um carro tão caro e exclusivo – por sua proposta de esportividade também não cabe dizer que as rodas de 18” foram escolhidas por darem mais conforto ao rodar.–Fernando Pires/Quatro RodasNa traseira, ele ostenta duas saídas de escape com ponteiras cromadas, o logo “GTI” centralizado e um pequeno aerofólio. Como na dianteira, as lanternas são de led, mas sem a tecnologia IQ.Light e as lentes acinzentadas das peças mais sofisticadas da Europa.Por dentro, o GTI não economiza nos detalhes, porém. O painel repete a mescla de modernidade e sobriedade do exterior, com acabamento caprichado. Há materiais emborrachados em toda a área superior do painel e das portas dianteiras, um plástico texturizado na faixa central e iluminação ambiente indireta, com diversas opções de cores.–Fernando Pires/Quatro Rodas Continua após a publicidadeO console tem apliques em preto brilhante, o nome “Golf” em baixo-relevo e dois porta-copos de bom tamanho. Os bancos representam o único pacote opcional disponível para o modelo no Brasil: de série, trazem as áreas centrais em tecido com a clássica estampa xadrez, em preto, cinza e vermelho. Eles também têm ajustes manuais e aquecimento.–Fernando Pires/Quatro RodasPor R$ 15.000 a mais, no entanto, é possível ter revestimento sintético em tons mais claros, como da unidade disponibilizada pela marca para testes. Com o novo acabamento, ele também inclui sistema de ventilação e ajustes elétricos com memória para três motoristas diferentes, mantendo o aquecimento já existente.Ainda no visual interno, mas já invadindo o assunto equipamentos, há as telas do modelo. A do quadro de instrumentos tem 10,2” e layout simples, embora funcional. A multimídia se destaca do painel com suas 12,9” e é moderna, com alta qualidade de imagem e funcionamento eficiente, além de ter Android Auto e Apple CarPlay sem fio. Em sua base, há comandos sensíveis ao toque para volume e ajustes de temperatura do ar, que é digital de três zonas.–Fernando Pires/Quatro Rodas Continua após a publicidadeO pacote de série inclui ainda chave presencial, teto solar elétrico, carregador de celular por indução, volante com aquecimento e som Harman Kardon de nove alto-falantes com 480 watts.No pacote de segurança e assistências, há ACC, frenagem automática de emergência, alertas de pontos cegos, assistente de permanência em faixa e seis airbags. Por fim, há câmera apenas traseira (sem sistema 360°) e freio de estacionamento eletrônico, mas sem função auto hold. Faltas graves para o preço cobrado.–Fernando Pires/Quatro RodasAinda no interior, embora o Golf seja um hatch médio, não espere por grandes diferenças no espaço. Nos bancos traseiros, duas pessoas de aproximadamente 1,75 m viajarão com espaço apenas suficiente para as pernas. Não cogite levar um ocupante central, já que o túnel central é alto e o console, com as saídas e os controles de temperatura do ar, invade. O porta-malas também não se destaca com seus 344 litros.Para o Brasil, como há apenas a configuração GTI, a falta de espaço interno pode ser justificada pela proposta de esportivo. Continua após a publicidade–Fernando Pires/Quatro Rodas‘Made in BR’A especificação brasileira do Golf GTI é menos potente em relação à alemã, já testada por nós anteriormente. Ele tem o mesmo motor 2.0 turbo EA888 a gasolina, com injeção direta e indireta de combustível, mas com 245 cv e 37,7 kgfm. Na prática, são 20 cv a menos para que o modelo siga as normas brasileiras de emissões (Proconve L8) e esteja apto à gasolina local. O torque não é alterado, bem como o câmbio, um DSG (automatizado de dupla embreagem) com sete marchas. A tração é dianteira.–Fernando Pires/Quatro RodasCom esse conjunto, o modelo foi de 0 a 100 km/h em 6 s, nos nossos testes – apenas 0,3 s mais lento do que o modelo alemão. Na prática, não se vê diferença no desempenho, que continua empolgando em saídas a partir da inércia ou em retomadas, tudo feito de maneira eficiente e rápida – também graças ao câmbio de decisões certeiras.Nas retomadas, as diferenças foram pequenas, mais lentas em apenas 0,4 s de 40 a 80 km/h, também 0,4 s de 60 a 100 km/h e, em 0,2 s de 80 a 120 km/h. Junto às acelerações o ronco tem destaque, com um tom grave e os divertidos “DSG Fart”, explosões no escapamento no momento das trocas de marcha causadas pela interrupção na queima do combustível.–Fernando Pires/Quatro RodasNas reduções, há ainda estouros, especialmente se o veículo estiver no modo Sport – além dele, estão disponíveis o Eco, o Comfort e o Individual, que alteram parâmetros de acelerador, direção e câmbio.A condução do GTI é outra característica que atravessa todas as suas gerações. O modelo tem uma dirigibilidade prazerosa, com a direção direta e um ajuste de suspensão que faz com que o carro pareça estar andando sob trilhos, tamanha é a estabilidade. Mesmo em curvas fechadas e velocidades mais altas, não há nenhuma intenção de perda de controle. A suspensão é mais firme, como deve ser para um esportivo, mas não é dura. Isso permite que o GTI seja utilizado no dia a dia de forma dócil.–Fernando Pires/Quatro RodasIsso também é possível pela boa altura em relação ao solo e pelo bom consumo de combustível: nos nossos testes, o modelo teve médias de 9,8 km/l na cidade e 13,2 km/l na estrada. Elogiáveis para um esportivo.O novo Golf GTI é irretocável quando o assunto é desempenho e dirigibilidade, além de visual e acabamento que quase nos convencem de que os R$ 430.000 fazem sentido. Mas algumas economias em itens “básicos” fazem repensar.–Fernando Pires/Quatro RodasVeredictoO Golf GTI tem dirigibilidade e desempenho para não se colocar defeitos, mesmo com 20 cv a menos, e pode ser dócil para o dia a dia. Porém, cobra caro e deixa de lado itens essenciais por custar tanto e ter um posicionamento tão “exclusivo”.Ficha técnica – VW Golf GTIMotor: diant., 4 cil., turbo, transv., 1.984 cm3, injeção direta, gasolina, 245 cv a 5.000 rpm, 37,7 kgfm a 1.600 rpmCâmbio: aut., dupla embreagem, 7 marchas, tração dianteiraDireção: elétrica; diâm. de giro, 12 mSuspensão: McPherson (diant.), multilink (tras.)Freios: disco ventiladoPneus: 225/40 R18Dimensões: comprimento, 428,9 cm; largura, 207,3 cm; altura, 144,6 cm; entre-eixos, 263,1 cm; porta-malas, 344 litros; tanque de combustível, 50 litros; peso, 1.450 kgTestes Quatro Rodas – VW Golf GTIAceleração0 a 100 km/h – 6 s0 a 1.000 m – 25,4 s / 211,8 km/hVelocidade máxima – 250 km/h*RetomadasD 40 a 80 km/h – 2,9 sD 60 a 100 km/h – 3,3 sD 80 a 120 km/h – 3,7 sFrenagens60/80/120 km/h a 0 – 14,5/24,5/53,9 mConsumoUrbano – 9,8 km/lRodoviário – 13,2 km/lRuído internoNeutro/RPM máx. – 69,6 / 85,2 dBA80/120 km/h – 85,3 / 89,9 dBAAferiçãoVelocidade real a 100 km/h – 96 km/hRotação do motor a 100 km/h – 1.700 rpmVolante – 2 voltasSeu bolsoPreço básico – R$ 430.000Garantia – 3 anos Publicidade