StatCounter mostra salto irreal do Linux na América do Norte (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog) Resumo O Linux atingiu 10,61% de participação entre os sistemas operacionais para desktops na América do Norte em junho de 2024, de acordo com dados do StatCounter.Esse crescimento repentino foi causado por intenso tráfego de bots e agentes de inteligência artificial que rodam na plataforma de código aberto, não refletindo uma migração em massa de usuários.A análise do Cloudflare Radar mostrou que, ao filtrar visitantes “Provavelmente Humanos”, o uso do Linux na América do Norte foi de 4,7%, enquanto o Windows foi de aproximadamente 65%.O Linux ultrapassou uma marca inédita em junho de 2026: 10% de participação entre os sistemas operacionais para desktops na América do Norte. O salto repentino pegou a comunidade de tecnologia de surpresa. Contudo, o fenômeno não reflete uma migração em massa. Na verdade, foi uma anomalia estatística gerada pelo intenso tráfego de bots e agentes de inteligência artificial que rodam na plataforma de código aberto.De acordo com os números do StatCounter, o Linux saiu de 3,56% em maio para 10,61% em junho. No mesmo intervalo, o Windows recuou de 64,66% para 57,63%, enquanto o macOS da Apple se manteve quase estável.A discrepância nos números fica mais evidente quando olhamos para o cenário global: o StatCounter aponta que o Linux detém hoje cerca de 3,7% do mercado. No Brasil e nos demais países da América Latina, os dados históricos mostram que o sistema do pinguim flutua entre 2% e 4% de uso.O crescimento na América do Sul segue impulsionado principalmente por desenvolvedores e áreas corporativas. Por aqui, não ocorrem os picos observados nos Estados Unidos e no Canadá, regiões que concentram a maioria dos data centers voltados para processamento de IA.Por que o uso do Linux “disparou”?StatCounter contabiliza visualizações de páginas em vez de máquinas físicas (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)A resposta para essa anomalia é a metodologia utilizada pelo StatCounter. A plataforma não rastreia máquinas físicas. O serviço baseia suas estatísticas em mais de 3 bilhões de visualizações de páginas mensais, coletadas a partir de mais de 1 milhão de sites parceiros que utilizam o seu código de rastreamento.Na prática, o StatCounter contabiliza a atividade de navegação na web. Logo, se uma quantidade massiva de agentes automatizados, rastreadores de conteúdo e bots de IA (que operam a partir de servidores Linux) começar a acessar continuamente esses sites, o volume de páginas visualizadas com a “assinatura” do sistema dispara.Como o cálculo final divide o mercado em uma escala de 100%, essa injeção artificial de requisições reduz a fatia de tráfego atribuída ao Windows, criando a ilusão de que milhões de pessoas abandonaram a Microsoft da noite para o dia.Tráfego humano vs máquinasPara colocar essa teoria à prova, especialistas em infraestrutura de redes consultaram o Cloudflare Radar. Inicialmente, a ferramenta confirmou os dados do StatCounter e também identificou um pico atípico no uso do Linux na América do Norte.O diferencial técnico da Cloudflare, entretanto, está na capacidade nativa de separar as conexões geradas por pessoas do tráfego gerado por sistemas automatizados. Quando o filtro de visitantes “Provavelmente Humanos” entrou em ação, o aparente boom do Linux na América do Norte desapareceu, despencando para uma média mais realista de 4,7% – o Windows marcou aproximadamente 65%, seguido pelo macOS com cerca de 28%.Vale lembrar que o StatCounter possui um histórico de relatar distorções. A plataforma já indicou ganhos irreais de usuários do antigo Windows 7, por exemplo. Linux rouba espaço do Windows na América do Norte, mas por um motivo curioso