Apple usa IA para analisar envios e testar sistemas (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog) Resumo A Apple limitou o número de notificações de bugs que especialistas em segurança podem enviar devido ao grande volume de tentativas, muitas geradas por inteligência artificial.A empresa oferece recompensas de até US$ 5 milhões para notificações de vulnerabilidades, dependendo da gravidade da falha.A Apple usa IA para avaliar notificações e encontrar problemas de software, com a atualização mais recente tendo cerca de cinco vezes mais correções do que os updates anteriores.A Apple tem um programa de recompensas para pesquisadores que descobrem bugs em seus sistemas. Com a inteligência artificial, porém, a situação ficou incontrolável: o grande volume de tentativas levou a empresa a limitar o número de avisos que cada especialista em segurança pode enviar.A medida foi confirmada pela companhia ao Financial Times. Como lembra o jornal, a empresa lançou, em 2025, um novo programa de recompensas para notificações de vulnerabilidades, com pagamentos que podem chegar a US$ 5 milhões (R$ 25,7 milhões, em conversão direta), dependendo da gravidade da falha.Por que a Apple colocou limites nos avisos de bugs?A Apple afirma que seus sistemas de análises estavam pressionados por “AI slop”, nome geralmente dado a conteúdo de baixa qualidade gerado automaticamente. No caso da descoberta de bugs, os modelos de IA usados pelos pesquisadores estavam alucinando e identificando riscos inexistentes nos softwares da marca da maçã.A Apple impôs um limite nos bugs que uma pessoa ou empresa pode reportar. Atingido esse teto, é preciso esperar 30 dias para voltar a enviar avisos de falhas. Caso um pesquisador encontre alguma vulnerabilidade grave, é possível solicitar um aumento no limite. A companhia diz que essa é uma forma de garantir que notificações críticas cheguem às equipes de segurança.IA está mudando cenário da cibersegurançaMythos, da Anthropic, causou impacto imediato no desenvolvimento de software (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)O Financial Times conversou com dois laboratórios de cibersegurança sobre o trabalho de procurar vulnerabilidades nos produtos da Apple.A startup Bynario, sediada na Itália, disse ter encontrado mais de 50 bugs na versão mais recente do macOS em apenas três semanas, mas não conseguiu enviar as notificações usando o sistema da Apple devido aos novos limites. A fabricante confirmou ao FT que entrou em contato com os pesquisadores e está avaliando as descobertas.O “segredo” da Bynario foi usar o ChatGPT para identificar bugs — e ela não foi a única a recorrer à IA. Pesquisadores da Calif, que fica nos Estados Unidos, conseguiram quebrar um mecanismo de proteção de memória lançado em setembro de 2025, com ajuda do modelo Mythos, da Anthropic.As duas entidades não estão sozinhas, já que a própria Apple também passou a usar IA para dar uma força na hora de avaliar as notificações recebidas.Além disso, a fabricante também está usando essa nova categoria de ferramenta para que ela mesma possa encontrar problemas de software. A atualização mais recente de seus sistemas operacionais tem cerca de cinco vezes mais correções do que os updates anteriores, e a Apple dá os créditos à contribuição dos modelos de cibersegurança da OpenAI e da Anthropic.Apple sofre com ritmo da IA e limita programa que paga por bug descoberto