O Bradesco (BBDC4) entregou no segundo trimestre de 2026 mais um capítulo de sua trajetória de recuperação operacional, registrando lucro líquido recorrente de R$ 7,05 bilhões, alta de 16% em relação ao mesmo período do ano passado e o décimo trimestre consecutivo de crescimento do lucro recorrente, com retorno sobre patrimônio (ROAE) de 16,2%. Os números vieram próximos ou ligeiramente acima das expectativas do mercado, mas a deterioração de alguns indicadores de qualidade de crédito impediu uma visão unanimemente positiva entre analistas. Assim, às 10h54 (horário de Brasília), BBDC4 tinha baixa de 2,22%, a R$ 17,65. O principal destaque do trimestre foi a continuidade da expansão da carteira de crédito, que alcançou R$ 1,137 trilhão, crescimento de 11,6% em 12 meses, impulsionada sobretudo pelos segmentos corporativo e de pequenas e médias empresas. A margem financeira (NII) avançou 15,7% na mesma comparação, somando R$ 20,9 bilhões, beneficiada por volumes maiores, spreads resilientes e uma forte contribuição da tesouraria. Segundo a XP, o resultado mostrou que o banco segue conseguindo expandir receitas mesmo em um ambiente macroeconômico mais desafiador.Leia mais:Confira o calendário de resultados do 2º trimestre de 2026 da Bolsa brasileiraTemporada de balanços do 2T26 ganha destaque: veja ações e setores para ficar de olhoAs despesas operacionais permaneceram sob controle e cresceram apenas 3,4% na comparação anual, contribuindo para uma melhora da eficiência operacional. A combinação de receitas mais fortes e controle de custos levou a um avanço da rentabilidade, reforçando a percepção de que o processo de reestruturação iniciado após a crise de crédito de 2022 segue produzindo resultados.Apesar dos avanços, o trimestre trouxe sinais mistos na qualidade dos ativos. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,3%, enquanto as operações classificadas como Stage 2 aumentaram de forma relevante, passando a representar 5,5% da carteira de crédito, ante 4,9% no trimestre anterior. Ao mesmo tempo, o índice de cobertura caiu para 152%, ante 161% no primeiro trimestre e quase 178% um ano antes. As despesas de provisão para devedores duvidosos cresceram mais de 22% em relação ao ano passado.Foi justamente esse ponto que dividiu as avaliações pós-balanço. A XP destacou que parte da piora foi explicada pela administração por fatores específicos, como exposições ligadas aos programas governamentais FGI/FGO e operações do Banco John Deere, mas ponderou que o cenário para pessoas físicas e PMEs continua desafiador. A corretora acredita que a pressão sobre os indicadores de qualidade de crédito tende a persistir ao longo dos próximos trimestres e, por isso, manteve recomendação neutra para as ações.O Goldman Sachs também classificou os números como amplamente em linha com as expectativas e elogiou a melhora da trajetória de capital, com o índice CET1 avançando para 11,3%. Ainda assim, os analistas demonstraram preocupação com a queda do índice de cobertura justamente em um momento de ciclo de crédito mais desafiador. O Goldman manteve recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 18,97 para os próximos 12 meses.O JPMorgan também adotou um tom cauteloso, classificando o trimestre como “misto”. Embora tenha destacado a surpresa positiva na margem financeira, principalmente pela forte contribuição da tesouraria, os analistas chamaram atenção para o aumento das operações em Stage 2, a piora da inadimplência e a redução da cobertura. Na visão da instituição, o lucro veio em linha porque as provisões permaneceram relativamente controladas, mas parte dos investidores pode questionar se o atual nível de reservas é suficiente para um ambiente de crédito mais complexo.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta quintaÍndices futuros dos EUA operam mistos Em contraste, a avaliação da Genial Investimentos foi mais otimista, vendo o trimestre como o “décimo consecutivo de recuperação” do banco, destacando a combinação de crescimento da carteira, melhora da rentabilidade e disciplina operacional. A leitura é de que o Bradesco vem executando com sucesso uma estratégia mais conservadora de concessão de crédito, aumentando gradualmente a participação de operações com garantia e melhorando a qualidade do portfólio ao longo do ciclo.O Morgan Stanley também ficou entre os mais otimistas. Para a instituição, o Bradesco entregou mais um trimestre sólido, alinhado à narrativa de recuperação gradual e sustentável da lucratividade. Os analistas ressaltaram a melhora contínua do ROE, o forte crescimento das receitas e o avanço da capitalização do banco. O Morgan Stanley reiterou recomendação overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) para os ADRs (recibo de ações) do Bradesco, argumentando que as ações ainda negociam a múltiplos descontados em relação à rentabilidade que a instituição já consegue entregar.The post Bradesco: 10º tri seguido de alta do lucro, mas mercado olha qualidade e ações caem appeared first on InfoMoney.