As ações da Brava Energia (BRAV3) operavam em queda nesta quinta-feira (6), após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026, divulgados na noite anterior. Por volta das 10h30, os papéis recuavam 3,5%, a R$ 18,78.Embora o resultado operacional tenha vindo próximo das expectativas do mercado, analistas apontam que o principal fator de pressão sobre a ação não é o balanço em si, mas a conclusão da oferta pública de aquisição (OPA) da Ecopetrol, que assumirá o controle da companhia.O Ebitda ajustado da Brava somou R$ 1,8 bilhão, em linha com as estimativas da XP Investimentos, enquanto o lucro líquido alcançou R$ 871 milhões. Ainda assim, a casa avalia que as ações devem negociar em baixa nos próximos pregões porque o mercado deixou de contar com a “opcionalidade” da OPA a R$ 23 por ação, valor acima das cotações recentes.A Ecopetrol adquiriu cerca de 25% do capital da Brava no leilão da oferta pública e passará a deter 51% da companhia após a liquidação financeira, prevista para 17 de agosto. Para a XP, BRAV3 vinha sendo sustentada pela possibilidade de venda das ações a R$ 23, ainda que sujeita a rateio. Com o encerramento da operação, esse suporte desaparece.Dívida líquida da Brava cai marginalmenteDe acordo com o balanço do segundo trimestre, a dívida líquida consolidada caiu apenas marginalmente no trimestre, para US$ 1,63 bilhão, enquanto a alavancagem subiu de 1,84 vez para 1,97 vez dívida líquida/Ebitda. A geração de caixa continuou pressionada pelos efeitos dos hedges e pelo nível elevado de investimentos.O lifting cost consolidado também aumentou 15% na comparação trimestral, para US$ 16,3 por barril equivalente de óleo, refletindo principalmente maiores custos nas operações offshore, como Papa-Terra e Parque das Conchas.O Bradesco BBI destacou que o resultado veio alinhado às expectativas, mas chamou atenção para a queima de caixa recorrente de R$ 144 milhões no trimestre, pressionada pelos hedges e pelos maiores investimentos nas campanhas de perfuração em Atlanta e Peregrino.“Os próximos catalisadores são as entregas das campanhas de perfuração em Papa-Terra e Atlanta no quarto trimestre, o que reforça nossa visão construtiva para a tese de desalavancagem e geração de valor da empresa. Introduzimos um novo preço-alvo de R$ 23,00 por ação para o final de 2027, refletindo uma curva mais conservadora para o preço do petróleo Brent”, disse em relatório disponibilizado pela Ágora Investimentos. Já o BTG Pactual avaliou que os números ficaram amplamente em linha com o esperado e reforçou que a companhia segue protegida por hedge em um cenário de petróleo volátil.A companhia possui hedge de aproximadamente 11,3 milhões de barris para os próximos 12 meses, o equivalente a cerca de 44% da produção de petróleo projetada para o período. A maior parte da proteção está concentrada nas campanhas de Atlanta e Papa-Terra, o que, segundo o banco, ajuda a preservar o balanço patrimonial durante uma fase ainda intensiva em capex.Produção Outro ponto acompanhado pelo mercado é a produção de julho, que recuou para 82,6 mil barris de óleo equivalente por dia, queda de 2,2% em relação a junho, impactada por paradas de manutenção e menor desempenho de ativos offshore.O BTG observou que a manutenção programada em Papa-Terra no fim de julho já afetou parcialmente os volumes e que uma parada de nove dias em agosto deve pressionar a produção no curto prazo. A companhia realiza ajustes no FPSO antes da entrada em operação de dois novos poços, prevista para o quarto trimestre de 2026.O banco afirmou que vê a Brava se consolidando como uma geradora de caixa, o que reforça sua visão positiva para a tese de investimento. Ainda assim, o BTG ponderou que aguarda sinais mais claros sobre a abordagem da Ecopetrol em relação à direção estratégica da empresa após a mudança de controle.