A reinvenção da Ri Happy: menos estoque, mais brincadeira — e mais receita

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A Ri Happy olhou para si mesma e fez uma pergunta: “Por que existimos hoje?”.Atenta às mudanças estruturais promovidas pela internet no varejo físico, a empresa vinha estudando como potencializar fortalezas de uma loja de brinquedos com ampla operação física no Brasil. O resultado da reflexão existencial foi uma aposta estratégica na ampliação da oferta de serviços, conveniência de entrega e reformulação de suas lojas.“Eu não definiria como uma mudança de rotas. É uma ampliação no escopo do que já fazíamos”, conta o CEO da Ri Happy, Thiago Rebello, em entrevista ao InfoMoney.Ele faz menção, principalmente, à criação da marca “Divertudo”, por onde a companhia concentrará toda a sua oferta de serviços de entretenimento, como pistas de carrinhos elétricos, brinquedotecas, board games e até cafés. “O entretenimento tem algo que o varejo como um todo tem dificuldade de conseguir, que é ser um destino”, aponta o executivo.Leia mais: Pedido de recuperação judicial: veja brinquedos que foram sucessos da EstrelaMenos estoque, mais receitaA ideia é que a ampliação da oferta de serviços nas unidades impulsione a frequência de visitas e aumente o tempo de permanência dos clientes nas lojas. Por enquanto, os espaços de entretenimento foram instalados para testes em 13 unidades, com uma loja modelo no MorumbiShopping, em São Paulo.O resultado relatado pela companhia é positivo. Nas lojas em que os testes estão rodando, a recorrência de visitas das famílias aumentou 2,5 vezes. O tempo médio de permanência nos estabelecimentos subiu de 11 minutos para 42 minutos. Como contrapartida, a construção de espaço dedicado à oferta de serviços consumiu parte da loja dedicada à operação de varejo, levando à redução média dos estoques em 9%.Era um receio relatado à Ri Happy por fornecedores. A varejista observou, no entanto, uma compensação da diminuição da disponibilidade de produtos pelo fluxo de clientes. “Quando falamos de entretenimento, o nosso ativo deixa de ser o estoque e passa a ser o tempo”, afirma Rebello.Espaço “Divertudo” na Ri Happy do MorumbiShopping. (Foto: Divulgação/Ri Happy)A redução do estoque de produtos gerou um efeito proporcional de incremento nas vendas por metro quadrado de 77%. Receitas aumentaram em 2,5% e a margem Ebitda ganhou 5,5 pontos percentuais.Embora estratégica, a empresa não planeja que a participação dos serviços seja superior ao negócio de varejo. A contribuição dos espaços de entretenimento nas lojas que já o possuem hoje fica próximo a 7%, podendo chegar a 20% em algumas unidades. “O varejo de brinquedo continua sendo a maior parte do negócio sempre”, pontua Rebello.O custo da hora no “Divertudo” varia de R$ 55 nas lojas de Belém, Campinas e Itaquera até R$ 90 no caso da unidade do MorumbiShopping. Já os planos que dão acesso livre às unidades vão de R$ 349 no mensal até R$ 1.788 ao ano.Leia mais: Como um fabricante alemão de brinquedos conseguiu lucrar apesar das tarifas dos EUAPor enquanto, a introdução da linha de entretenimento é feita em lojas próprias, mas os franqueados poderão aderir ao “Divertudo”. “Tomamos cuidado com os experimentos para entregar algo que tenha valor de verdade depois. Para ter uma base, se a loja custa R$ 1.000, introduzir a brinquedoteca custa entre R$ 200 e R$ 250”, explica Rebello.De cafés a board gamesA varejista firmou uma parceria com a Biscoitê para um café na Ri Happy do MorumbiShopping, alternativa para os pais que aguardam seus filhos brincarem. Até o fim do ano, ela será tematizada com propriedades intelectuais da Barbie, o que deve ocorrer com outros personagens em outras unidades.Café em parceria com a Biscoitê na Ri Happy do MorumbiShopping. (Foto: Divulgação/Ri Happy)Em outra linha, a companhia deve inaugurar espaços de jogos para faixas etárias diversas, que vão até áreas dedicadas a board games com foco em maiores de 20 anos.Com clientes passando mais tempo dentro das lojas, a Ri Happy pretende aumentar receitas com retail media em painéis de LED espalhados pelos seus corredores. Também houve uma reestruturação na disposição dos produtos, agora organizados por grupos temáticos, como super-heróis, mundos de fantasia e brincadeiras em família.Força no varejo digitalA rede da Ri Happy conta com cerca de 300 unidades, a base para uma estratégia de “ultra conveniência” na entrega de brinquedos via e-commerce em até 3 horas. Hoje, a companhia opera junto ao iFood e à Rappi para pedidos de urgência e está expandindo sua operação com a 99, bem como Shopee Turbo e Magalu Vapt.“Só nós temos essa capilaridade e a margem de contribuição dessa modalidade de entrega no resultado é quase o dobro”, conta Rebello. De acordo com o executivo, a participação dos canais digitais na venda é de cerca de 9%, tudo vendido a partir das lojas, número que deve aumentar a partir de agora.Em outra frente, a companhia também retomou sua presença em marketplaces para melhorar sua presença no momento de busca das famílias por presentes. A Ri Happy já está no PresenteIA, e em breve abre lojas digitais em Shopee, Magalu e TikTok Shop.The post A reinvenção da Ri Happy: menos estoque, mais brincadeira — e mais receita appeared first on InfoMoney.