A Petrobras (PETR4) divulga, nesta quinta-feira (6), após o fechamento do mercado, os resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26).A expectativa dos analistas é de um balanço mais forte na comparação com o trimestre anterior, impulsionado pela produção recorde de petróleo e gás, pelos preços mais elevados da commodity e pela melhora das margens de refino. Com isso, os dividendos voltam ao centro das atenções dos investidores.O consenso de mercado projeta receita líquida de R$ 30,8 bilhões, Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 16,3 bilhões e lucro líquido de R$ 7,6 bilhões. As estimativas apontam para margem Ebitda de 52,9% e margem líquida de 24,7%.O principal foco do mercado, porém, deve ser a distribuição de dividendos. A XP estima pagamentos de US$ 3 bilhões, enquanto o Itaú BBA projeta US$ 3,1 bilhões. O Citi trabalha com a estimativa mais otimista, de US$ 3,5 bilhões em proventos, equivalente a um dividend yield próximo de 3%.“Esperamos números mais fortes no segundo trimestre, principalmente devido ao aumento da produção de petróleo e gás, à melhora dos preços do petróleo e dos combustíveis e ao reconhecimento dos subsídios aos combustíveis no período”, escreveram os analistas do Citi.Na XP, a avaliação é semelhante. “Projetamos um Ebitda de cerca de US$ 17,6 bilhões, sustentado por preços mais altos do Brent, preços realizados mais fortes para derivados e maior produção”, afirmaram Regis Cardoso e Enzo Sozzi. A corretora também estima lucro líquido de US$ 8 bilhões e geração de caixa livre para o acionista (FCFE) de US$ 3,7 bilhões, suficiente para sustentar dividendos ordinários de cerca de US$ 3 bilhões.As expectativas ganharam força após a divulgação da prévia operacional da companhia. A Petrobras registrou produção recorde de 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), avanço de 14,1% na comparação anual e de 3,4% frente ao trimestre anterior. O resultado foi impulsionado pelo aumento da produção no pré-sal, com o avanço das plataformas Maria Quitéria, Alexandre de Gusmão, P-78 e P-79, além da entrada em operação de dez novos poços produtores no trimestre.O desempenho de Búzios também chamou atenção. O maior campo produtor da Petrobras ultrapassou a marca de 1,2 milhão de barris por dia, enquanto os ganhos de eficiência operacional ajudaram a compensar o declínio natural dos campos maduros. Para o BB Investimentos, a combinação entre maior produção no pré-sal e baixo custo de extração segue fortalecendo a capacidade da companhia de entregar resultados consistentes mesmo em um ambiente de maior volatilidade dos preços do petróleo.Além do aumento dos volumes, o cenário de preços também favoreceu o trimestre. O Brent chegou a superar US$ 100 por barril durante o conflito entre Estados Unidos e Irã e encerrou o período com média próxima de US$ 97, cerca de 24% acima da observada no primeiro trimestre, segundo a XP. A corretora destaca ainda que a Petrobras deve se beneficiar de preços realizados mais elevados para derivados e do reconhecimento dos subsídios aos combustíveis, fatores que reforçam a expectativa de um avanço expressivo no Ebitda.O segmento de refino também deve, na visão de analistas, contribuir para o desempenho financeiro. A produção de derivados cresceu 5,6% na comparação trimestral e 10,9% em relação ao mesmo período do ano passado, com recordes na produção de diesel S10 e querosene de aviação (QAV). Ao mesmo tempo, a maior utilização das refinarias reduziu a necessidade de importação de combustíveis — as compras externas de diesel caíram 85% na comparação anual — enquanto as exportações avançaram 41%, ampliando a captura de preços internacionais.“O operacional voltou a mostrar números animadores. A combinação de boa execução no pré-sal e baixo custo de extração continua contribuindo para sustentar perspectivas favoráveis para os resultados financeiros”, escreveu Daniel Cobucci, analista do BB Investimentos.Apesar do cenário operacional favorável, o Citi pondera que parte desse desempenho reflete fatores conjunturais, como a alta do petróleo e o reconhecimento dos subsídios aos combustíveis. Ainda assim, o banco espera um dos trimestres mais fortes da Petrobras nos últimos períodos, sustentado pela combinação entre produção recorde, melhores preços realizados e maior eficiência operacional.