A CRE (Comissão de Relações Exteriores) do Senado Federal decidiu ampliar a articulação entre o governo federal e o setor produtivo para enfrentar as novas exigências impostas pela União Europeia às importações de carne bovina brasileira.Conforme as apurações da CNN Agro, entre as medidas definidas está a realização de um encontro com o novo embaixador da União Europeia no Brasil, além da manutenção de uma agenda permanente de audiências com produtores, empresas e representantes do governo.As definições ocorreram durante reunião do Grupo de Trabalho da CRE sobre o Acordo Mercosul-União Europeia, que reúne representantes dos ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura e Pecuária, da Missão do Brasil junto à União Europeia, da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), do Consórcio Brasil Central, além de empresários e especialistas em rastreabilidade, inovação e tecnologia para a pecuária.Segundo o presidente da comissão, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), o objetivo é ouvir os setores que podem ser impactados pelas novas regras europeias e construir estratégias conjuntas entre o poder público e a iniciativa privada para minimizar os efeitos sobre as exportações brasileiras. Leia Mais Brasil atenderá demandas adicionais da UE para exportação Brasil reforça à UE garantias sanitárias sobre uso de antimicrobianos Brasil adota novas regras para exportação de carne à União Europeia A mobilização ocorre às vésperas da entrada em vigor de novas normas da União Europeia sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. O bloco europeu passará a exigir que os países exportadores comprovem que a carne comercializada não é proveniente de animais submetidos ao uso de antimicrobianos proibidos pela legislação europeia.Para atender às exigências, o Brasil precisará demonstrar capacidade de identificar e acompanhar os animais e os produtos ao longo de toda a cadeia produtiva. Apenas os lotes que cumprirem os requisitos poderão receber a certificação necessária para exportação ao mercado europeu.Durante a reunião, a representante da CNA, Fernanda Maciel Carneiro, defendeu que as exigências sejam fundamentadas em critérios científicos. Segundo ela, o Brasil já atende às normas sanitárias dos mercados mais exigentes do mundo e é necessário compreender quais fatores ainda impedem o reconhecimento do sistema sanitário brasileiro pela União Europeia.O chefe da Missão do Brasil junto à União Europeia, embaixador Pedro Miguel da Costa e Silva, afirmou que o país precisa se preparar para futuras mudanças regulatórias do bloco. Segundo ele, a tendência é de aumento das exigências e o Brasil deve adotar uma estratégia de longo prazo para manter sua competitividade no mercado europeu.O diplomata também sugeriu que o grupo de trabalho se reúna com o novo representante da União Europeia no Brasil para aprofundar o diálogo. Ele ressaltou que o país terá de comprovar, por meio de auditorias, que consegue separar os produtos destinados ao mercado europeu e garantir que eles atendam integralmente às regras estabelecidas pelo bloco.Representantes do setor privado afirmaram que a tecnologia necessária para cumprir essas exigências já está disponível. O advogado da MUU Agrotech, Kalbio dos Santos, defendeu a modernização do Sisbov (Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos), enquanto o fundador da empresa, Eduardo Pipole, destacou que já existem soluções para realizar a rastreabilidade da produção.Na avaliação do secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, embaixador Philip Fox-Drummond Gough, a crescente utilização de normas regulatórias como instrumento de política comercial amplia os desafios enfrentados pelos países exportadores.Segundo ele, o Ministério da Agricultura já encaminhou às autoridades europeias um conjunto de documentos técnicos detalhando as medidas adotadas pelo Brasil para atender às novas exigências.Exigências da UE geram impacto limitado nas exportações de carnes