Democratas e apoiadores conservadores de Donald Trump passaram a questionar a atuação da Casa Branca diante de recentes episódios de segurança envolvendo agentes de inteligência artificial. As críticas surgiram após relatos de que sistemas desenvolvidos por empresas do setor conseguiram acessar ambientes digitais de outras companhias.O debate ganhou força em Washington, nos Estados Unidos, depois que OpenAI e Anthropic comunicaram casos nos quais modelos de inteligência artificial apresentaram capacidades de invasão de sistemas. Diante da repercussão, o governo informou que acompanhava a situação e que avaliava possíveis medidas de controle.As cobranças se concentram na relação próxima entre a administração Trump e grandes empresas de tecnologia, com críticos afirmando que essa proximidade pode dificultar a adoção de regras mais rígidas para reduzir riscos à segurança nacional.Críticas atravessam espectros políticos e colocam setor de tecnologia no centro da discussãoDonald Trump – Imagem: lev radin/ShutterstockAs manifestações contra a resposta do governo vieram de setores políticos distintos. Steve Bannon, aliado de longa data de Trump e ex-assessor presidencial, afirmou à Reuters que considera insuficiente a estrutura regulatória adotada pela administração diante dos possíveis impactos da inteligência artificial.Na avaliação de Bannon, a influência das empresas de tecnologia sobre o governo representa um problema porque companhias do setor possuem relação próxima com integrantes da Casa Branca e da área de segurança nacional. Ele defendeu a criação de algum tipo de estrutura regulatória para acompanhar o avanço da tecnologia.O senador democrata Ron Wyden, do Oregon, também criticou a postura presidencial. Para ele, Trump estaria deixando de agir por considerar que os principais executivos de empresas de IA estão alinhados politicamente com seu governo.A relação entre a Anthropic e o governo norte-americano também passou por um desgaste neste ano. A empresa se recusou a permitir o uso de seus modelos de inteligência artificial pelas Forças Armadas em operações de vigilância doméstica em larga escala e em sistemas de armas totalmente autônomos.Em junho, a administração Trump anunciou que pediria a desenvolvedores como OpenAI e Anthropic que submetessem voluntariamente modelos com capacidades avançadas de invasão digital a testes de segurança antes da disponibilização pública. Até o momento, porém, o governo não apresentou detalhes sobre o funcionamento dessas avaliações.Doações e presença de executivos ampliam debate sobre influência do setorSistemas de IA – Imagem: Primakov / ShutterstockOutro ponto levantado pelos críticos envolve a aproximação financeira e institucional entre o governo e a indústria de tecnologia. Empresas do segmento e seus executivos contribuíram com mais de US$ 300 milhões para apoiar a reeleição de Trump em 2024 e a MAGA Inc., comitê político alinhado ao presidente.Entre os doadores citados estão Greg Brockman, presidente da OpenAI, e sua esposa, Anna Brockman, que contribuíram juntos com US$ 25 milhões para a organização política em 2025, segundo registros da Comissão Federal de Eleições dos Estados Unidos.A empresa de capital de risco Andreessen Horowitz, investidora da OpenAI, assim como seus fundadores Ben Horowitz e Marc Andreessen, doaram em conjunto US$ 12 milhões ao comitê desde a segunda posse de Trump, conforme os registros mencionados na reportagem.Também aparecem entre os grandes doadores Asha Jadeja, investidora do Google, Elon Musk, CEO da SpaceX, e Stephen Schwarzman, CEO da Blackstone, que fizeram contribuições de pelo menos US$ 5 milhões cada em 2025.Executivos de tecnologia ocuparam posições estratégicas no governoA aproximação com o setor também ocorreu por meio de nomeações. Trump levou para sua administração nomes ligados ao ambiente tecnológico, incluindo Elon Musk, que supervisionou cortes na força de trabalho federal no início do segundo mandato, além de David Sacks, Sriram Krishnan e Michael Kratsios.Sacks foi indicado como responsável por assuntos de inteligência artificial na Casa Branca e defendeu uma postura menos intervencionista na regulamentação do setor. Segundo ele, regras mais severas poderiam prejudicar a disputa das empresas americanas contra concorrentes chinesas.Sacks e Krishnan deixaram posteriormente a administração, embora Sacks tenha permanecido como assessor externo do governo em temas relacionados à tecnologia.O governo Trump também tentou convencer o Congresso americano a aprovar uma legislação que limitasse normas estaduais sobre inteligência artificial. A proposta, porém, foi rejeitada pelo Senado dos Estados Unidos.O post Democratas e aliados conservadores de Trump criticam resposta do governo à IA apareceu primeiro em Olhar Digital.