Radar das Eleições: Flávio Bolsonaro estanca queda e reforça polarização com Lula, enquanto terceira via segue sem tração

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O avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL) na última rodada da pesquisa BTG Pactual/Nexus foi o tema do segundo episódio do “Radar das Eleições“, podcast do Money Times. O levantamento trouxe o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro apenas 1 ponto percentual atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um cenário de segundo turno. Convidado desta edição do programa, o economista e analista da Empiricus Matheus Spiess avalia que, apesar das crises enfrentadas pelo senador nos últimos meses, sua candidatura conseguiu interromper a perda de apoio e voltou a ganhar força.“Na ausência de uma crise nova, ele consegue estancar a sangria. Isso não significa que tenha resolvido os problemas da campanha, mas voltou a ganhar um pouco de tração”, afirmou o economista. Para ele, a elevada rejeição de Lula também contribui para manter o adversário competitivo.Gustavo Porto destacou que Flávio Bolsonaro permaneceu no centro do noticiário durante toda a pré-campanha, reproduzindo um fenômeno semelhante ao vivido por Jair Bolsonaro em 2022.“O Flávio Bolsonaro nunca saiu do noticiário. É bom lembrar que o pai dele quase foi reeleito presidente da República diante de muita notícia negativa”, observou.Cansaço do eleitorNa avaliação de Spiess, a principal dificuldade enfrentada por Lula decorre de um desgaste natural após décadas ocupando posição central na política brasileira.“O modelo de gestão econômica lulopetista encontrou seus limites. Hoje ele gira a mesma maquininha de crédito subsidiado e programas sociais, mas o crescimento é menor e desacelera”, afirmou. Segundo ele, a população sente os efeitos da perda de poder de compra e da baixa produtividade da economia, ainda que não associe diretamente esses fatores às políticas públicas.O economista argumentou que medidas de curto prazo, como ampliação do crédito subsidiado, não atacam os problemas estruturais do país. “Você quer resolver produtividade? Vai precisar de cinco a 10 anos. Não existe solução rápida. O que vemos são remendos e puxadinhos, tanto da direita quanto da esquerda”, disse.Terceira via continua improvávelSobre a possibilidade de nomes como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) se tornarem uma terceira via competitiva nas corrida eleitoral, Spiess afirmou considerar possível, mas pouco provável, uma mudança no quadro eleitoral.“O cenário-base continua sendo um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro”, afirmou. Segundo ele, lulismo e bolsonarismo perderam força ao longo dos anos, mas ainda preservam bases eleitorais suficientemente sólidas para dificultar o avanço de candidaturas alternativas.São Paulo deve ser decisivoO programa destacou que São Paulo tende a desempenhar papel decisivo na definição da eleição presidencial, repetindo o protagonismo observado em 2022.“Lula concentrou muito esforço em São Paulo justamente para manter essa mobilização. É o maior colégio eleitoral do país”, afirmou Porto. Spiess concordou com a avaliação e acrescentou que o eleitor moderado paulista deverá ser um dos principais alvos da campanha de Flávio Bolsonaro.Segundo os debatedores, a estratégia do senador tem sido suavizar a própria imagem para dialogar com o eleitor de centro, especialmente o público feminino, sem perder o apoio da base bolsonarista.Dificuldade para ampliar aliançasOutro ponto discutido foi a incapacidade de Flávio Bolsonaro de formar uma ampla coligação de centro-direita, apesar de aparecer competitivo nas pesquisas.Na avaliação dos debatedores, a neutralidade de partidos como União Progressista e Republicanos retirou da campanha nomes considerados fortes para a vice-presidência, como Tereza Cristina e Daniella Marques, além de reduzir significativamente o tempo de propaganda eleitoral na televisão e no rádio.Spiess afirmou considerar “estranho” que uma candidatura competitiva ainda não tenha conseguido atrair o apoio das principais legendas do Centrão, levantando a hipótese de que esses partidos prefiram preservar espaço político no Congresso independentemente do resultado presidencial.Mercado já antecipou cenário eleitoralNa reta final do programa, Spiess avaliou que o mercado financeiro já precificou boa parte do cenário eleitoral. Segundo ele, episódios como o chamado “trade Tarcísio”, a recuperação da candidatura de Flávio Bolsonaro e mudanças nas expectativas fiscais já provocaram movimentos relevantes na Bolsa, no câmbio e nos juros ao longo dos últimos meses.“O mercado antecipou muito esse debate. Hoje o principal canal de transmissão continua sendo a percepção fiscal”, afirmou, acrescentando que investidores aguardam propostas concretas de ajuste das contas públicas por parte dos candidatos.