Para mercado, BC foi "nem, nem" em comunicado sobre corte da Selic

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Na avaliação de analistas do mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) foi “nem, nem”, no comunicado que anunciou o novo corte de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juros, a Selic, nesta quarta-feira (5/8). Isso quer dizer que ele “nem” fechou a porta, mas também “nem” se comprometeu com novas reduções.Pablo Spyer, conselheiro da Associação Nacional das Corretoras (Ancord), na prática, o Banco Central deixou a porta aberta para um novo corte “Agora, o mercado vai acompanhar de perto a evolução da inflação, do cenário fiscal e da atividade para entender se haverá espaço para mais uma redução da Selic em setembro”, diz. Leia também NegóciosCopom não dá pistas ao mercado sobre valor da Selic em setembro BrasilCopom reduz taxa Selic em 0,25 ponto e juros caem para 14% ao ano BrasilMercado espera Selic em 14% nesta quarta, dia de decisão do Copom NegóciosDólar e Bolsa ficam no zero a zero, com investidor à espera da Selic Os analistas da corretora Warren Rena afirmaram que o comunicado veio com “um tom sereno”. Ele “evitou ruídos na comunicação, reconhecendo os riscos e desafios e sem qualquer sinalização mais objetiva sobre os próximos passos”. O texto, dizem os técnicos, “reafirma o compromisso de convergir a inflação para um patamar ao redor do centro da meta e de manter o nível adequado de restrição monetária para esse objetivo”.Felipe Rodrigo de Oliveira, da MAG Investimentos, destaca que um ponto importante do comunicado é a desancoragem adicional das expectativas de inflação mais longas, o que, segundo o BC, aumenta o custo da desinflação. “Mas entendemos que o texto deixa espaço para mais cortes, sem se comprometer em dar um ‘guidance’ (orientação)”, afirma.Na avaliação de Fabrício Voigt, da Aware Investments, o comunicado deixou um recado claro: o processo de flexibilização continua, mas isso não significa que haverá uma sequência automática de reduções, com a mesma intensidade, nas próximas reuniões.“A questão é que o Banco Central continuará condicionando suas decisões à evolução da inflação, das expectativas dos agentes econômicos, da atividade, do cenário fiscal e do ambiente internacional”, diz.