A SpaceX revelou novos planos para transformar a Starlink em uma operação móvel mais ampla nos Estados Unidos, movimento que colocou em alerta as principais operadoras de telefonia do país. A estratégia combina a rede de satélites da empresa com estruturas terrestres de comunicação.A iniciativa foi apresentada pela presidente da SpaceX, Gwynne Shotwell, durante uma teleconferência após a divulgação de resultados da companhia, realizada na última terça-feira (04). O anúncio repercutiu no mercado financeiro e pressionou ações de empresas como Verizon, AT&T e T-Mobile.O projeto surge após a aquisição de licenças de espectro da EchoStar pela SpaceX, em duas negociações que somaram US$ 19,6 bilhões. A empresa afirma que pretende usar essas frequências para avançar além do atual serviço de conexão direta entre satélites e celulares.SpaceX tenta ampliar presença no mercado móvel americanoPessoa falando ao celular (Imagem: Divulgação/Google)A expansão planejada pela companhia de Elon Musk representa uma tentativa de transformar a Starlink em uma operadora capaz de disputar clientes com as maiores empresas de telecomunicações dos Estados Unidos. Atualmente, o serviço da SpaceX é usado principalmente para oferecer conectividade em áreas sem cobertura tradicional de telefonia.A empresa informou que as licenças compradas da EchoStar possuem componentes destinados ao uso terrestre, permitindo a criação de uma estrutura complementar aos satélites. Com isso, a SpaceX pretende construir uma rede própria para ampliar sua atuação no setor móvel.A expectativa da companhia é conquistar parte da base de consumidores atendida pelas grandes operadoras americanas. A presidente Gwynne Shotwell afirmou que a empresa pretende desenvolver a infraestrutura necessária para tornar a Starlink um serviço móvel completo.Analistas avaliam, porém, que a entrada nesse mercado exigirá investimentos elevados e um longo período de execução. Verizon, AT&T e T-Mobile acumularam décadas de experiência, grandes investimentos em licenças de frequência e bilhões de dólares aplicados na construção e atualização de suas redes.Imagem: DisobeyArt/ShutterstockPara Craig Moffett, da consultoria MoffettNathanson, uma concorrência direta entre a Starlink e as operadoras tradicionais seria difícil no curto prazo sem uma parceria com uma empresa já estabelecida. Ele explicou que um acordo de MVNO, modelo em que uma empresa vende serviços usando a rede de outra operadora, poderia facilitar esse caminho.Outra possibilidade analisada pelo mercado seria uma aquisição. Matt Britzman, analista sênior de ações da Hargreaves Lansdown, afirmou que comprar uma operadora menor ou ativos relacionados a espectro, torres e clientes poderia acelerar a entrada da SpaceX no segmento.Apesar das dúvidas sobre custos e prazos, alguns investidores enxergam potencial disruptivo na estratégia. David Wagner, gestor de portfólio da Aptus Capital Advisors, avaliou que o mercado pode estar subestimando a capacidade de inovação da empresa de Elon Musk.A SpaceX já possui uma parceria com a T-Mobile para fornecer conexão via Starlink a celulares compatíveis em locais fora do alcance das redes convencionais. Nesse modelo atual, a tecnologia funciona como complemento à infraestrutura da operadora, e não como uma concorrente direta.O post Starlink como operadora de celular? SpaceX mira mercado e desafia gigantes dos EUA apareceu primeiro em Olhar Digital.