O STJ (Superior Tribunal de Justiça) começa a julgar nesta quinta-feira (6) o processo administrativo disciplinar contra o ministro Marco Buzzi, acusado de assédio sexual por duas mulheres. A sessão está marcada para as 9h e será fechada às partes, já que o processo tramita sob sigilo.Buzzi está afastado das funções desde fevereiro. O PAD (Processo Administrativo Disciplinar) foi instaurado em abril, após uma sindicância interna aberta para apurar as denúncias.A primeira acusação envolve uma jovem de 18 anos, filha de amigos da família do ministro. Segundo a denúncia, o episódio ocorreu em janeiro, durante um banho de mar na Praia do Estaleiro, em Balneário Camboriú (SC). Leia Mais Aliados de Alcolumbre apostam em postura “light” sobre Jorge Messias Cury anuncia Júlio Delgado para vice à Presidência Ideb: ensino básico tem recorde; fundamental 2 e médio não alcançam meta Durante a investigação, foram reunidas como provas mensagens trocadas entre os pais da jovem e o ministro logo após os fatos narrados. Também constam no processo conversas da denunciante com a namorada, nas quais ela relata que Buzzi teria feito questionamentos sobre sua sexualidade.A segunda denúncia foi apresentada por uma ex-colaboradora terceirizada do gabinete do ministro. Ela afirma ter sofrido toques sem consentimento e comentários de teor sexual entre 2023 e 2025.No curso do processo, testemunhas relataram episódios de agressão verbal atribuídos ao ministro e afirmaram ter conhecimento das queixas da colaboradora desde 2023. Algumas disseram, inclusive, que adotaram medidas para evitar o convívio próximo entre os dois, uma forma de evitar novas importunações.A defesa de Marco Buzzi nega todas as acusações. Em relação ao episódio na praia, os advogados afirmam que depoimentos, imagens de câmeras de segurança, laudos médicos e perícias no local demonstram que a importunação sexual não ocorreu.Os defensores também sustentam que as condições físicas do ministro e o estado do mar tornariam inviável a conduta descrita pela denunciante. Segundo a defesa, Buzzi usa bengala, tem histórico de quedas e apresentou documentos médicos ao processo, incluindo laudos que apontariam disfunção erétil.Sobre a denúncia da ex-colaboradora, os advogados argumentam que a rotina de trabalho do gabinete, a circulação constante de pessoas e a disposição física da sala não seriam compatíveis com os episódios narrados. A defesa também levantou a hipótese de que a denúncia teria sido motivada pelo receio de demissão da ex-servidora e mencionou a possibilidade de um “conluio” entre as duas denunciantes para prejudicar o ministro.Posição do MPFNas alegações finais, conforme mostrou a CNN, o MPF (Ministério Público Federal) afirmou que as denunciantes apresentaram provas suficientes para sustentar as acusações. Para o órgão, os elementos reunidos demonstram que Marco Buzzi adotou condutas incompatíveis com a dignidade, a honra e o decoro exigidos da magistratura.O MPF defendeu a aplicação da punição disciplinar mais severa prevista para magistrados. Quando a manifestação foi apresentada, porém, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) ainda não havia regulamentado os efeitos da decisão do STF que extinguiu a aposentadoria compulsória como sanção máxima. Por isso, o órgão recomendou essa penalidade.Na última terça-feira (4), no entanto, o CNJ definiu, por unanimidade, que a sanção mais grave para magistrados passaria a ser a disponibilidade com proposta de perda do cargo.Na prática, caso Marco Buzzi seja condenado à pena máxima, ele ficará afastado das funções, com remuneração proporcional, até que o STF decida se confirma ou não a perda definitiva do cargo.