Imagem ilustrativa de uma sala de aula.Agência RBSO avanço no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025 foi alavancado pelo desempenho da rede privada. Enquanto a rede pública atingiu a meta apenas nos anos iniciais do ensino fundamental, a rede privada superou as metas para a etapa, além de também ter superado o objetivo nos anos finais e no ensino médio. Ideb nacional: apenas o ciclo dos anos iniciais (1º ao 5º ano do ensino fundamental) bateu metaArte/g1Nesta reportagem, veja o panorama do ensino da rede pública, com base no Ideb de cada estado, por etapa de ensino. No ensino fundamental, foram considerados os dados de rede pública. No ensino médio, foram considerados os dados da rede estadual. Atualmente, a rede pública é responsável por 79,9% das matrículas da educação básica do país. A divisão de alunos entre a rede pública e a privada varia de acordo com a etapa de ensino. Segundo o Censo Escolar 2025, a divisão das matrículas por etapa era a seguinte: Anos iniciais: 80,6% na pública; 19,4% na privada.Anos finais: 82,7% na pública; 17,3% na privada.Ensino médio: 85,9% na pública; 14,1% na privada.Agora no g1Foi justamente nos anos iniciais do ensino fundamental, que contém a menor faixa percentual de alunos, que a rede pública mais avançou no Ideb 2025.Em comparação com 2023, a rede pública de todas as unidades federativas tiveram índices maiores na etapa. A melhora no desempenho por UF também foi mais significativa nos anos iniciais do que a registrada nos anos finais e no ensino médio da rede pública dos estados.Com isso, o Ideb dos anos iniciais avançaram de 5,7 em 2023 para 6,1 em 2025, superando a meta estabelecida em 2021, que ainda não foi renovada. Ideb por UF- anos iniciais do ensino fundamental da rede pública.Arte: Gui Sousa/g1Nos anos finais da rede pública, a maioria das UFs também tiveram melhora de ao menos 0,1 em comparação com a edição anterior do Índice. Apenas Rondônia não teve evolução nas informações avaliadas e permaneceu com 4,7, e Tocantins que pontuou 0,1 a menos em 2025 e também ficou com 4,7 de índice. De maneira geral, etapa avançou de 4,7 para 5.Ideb por UF - anos finais do ensino fundamental da rede pública.Gui Sousa/g1O ensino médio público foi a etapa que registrou um avanço mais discreto, passando de 4,1 para 4,3. Com isso, atingiu o maior índice desde 2005, mas continuou distante da meta de 5,2, estabelecida para 2021.“O avanço nesta etapa é menos expressivo. A matemática entra como um esforço importante de trabalho [nos próximos anos]”, afirmou Leonardo Barchini, ministro da Educação, durante o evento de apresentação dos dados, em Brasília, na quarta-feira (5). Gráfico mostra o desempenho de cada rede estadualArte/g1O grande destaque das redes públicas é o Paraná, que conseguiu o maior Ideb nos anos iniciais, nos anos finais e no ensino médio. O estado também tem o melhor resultado no indicador de aprendizagem.O que compõe o Ideb?O índice cruza duas informações e apresenta resultados em uma escala que vai de 1 a 10:taxa de aprovação/fluxo escolar (a porcentagem de alunos que não repetiram de ano);notas do Saeb, uma prova de português e de matemática feita por alunos do 2º, 5º e 9º ano do ensino fundamental e por estudantes do 3º ano do ensino médio.Especialistas brasileiros e internacionais defendem que a reprovação, quando ocorre de maneira indiscriminada, aumenta consideravelmente o risco de o adolescente abandonar a escola. É mais efetivo, por exemplo, implementar sistemas de recuperação de aprendizagem, para que o jovem possa progredir sem lacunas nos conhecimentos. Em resumo, não basta passar o aluno de ano: é preciso garantir que ele esteja aprendendo.Melhores evoluçõesNo cenário geral, há casos de redes que mostraram um avanço real: o Rio Grande do Sul, que saltou de 3,9 para 4,7 no Ideb, apesar de também ter mudado as regras de aprovação, registrou ganhos consistentes na proficiência dos alunos em matemática (de 273,70 para 282,88) e em português (de 281,07 para 291,94).O mesmo ocorreu com o Piauí, onde o crescimento no Saeb foi um dos mais significativos, suficiente para elevar o estado ao segundo maior Ideb do país nesta etapa.As redes de Alagoas e de Minas Gerais também se destacaram por uma recuperação mais consistente tanto no fluxo quanto nas notas do Saeb.O Paraná, que já apresentava bons números em 2023, continua como líder nacional, reforça a ONG Todos Pela Educação."O estado do Paraná é um grande destaque por conseguir o maior Ideb entre as redes públicas de todas as etapas. Observando apenas o indicador de aprendizagem [Saeb], o estado também tem o melhor resultado", afirma a análise da instituição.Estados com maiores retrocessos no SaebAlguns estados (além do DF) registraram queda em suas médias no Saeb, com destaque para reduções em Língua Portuguesa:Amapá: Teve o recuo mais acentuado na média geral, caindo de 254,36 para 253,39 em matemática e de 264,77 para 261,24 em português.Rio de Janeiro: Apresentou retrocesso em ambas as áreas, com a nota de português descendo de 258,09 para 254,76 e a de matemática de 252,19 para 251,53, como já mencionado acima.Distrito Federal: Registrou queda em matemática (de 262,61 para 260,63) e em português (de 268,94 para 268,17). Foi o único ente federativo com redução no Ideb (- 0,1).Rondônia: Também apresentou declínio, com matemática passando de 264,91 para 263,64 e português de 268,64 para 268,23.O que os alunos sabem ou não sabem fazer?Nível 2: Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Rondônia, Paraíba, Sergipe, Alagoas, Amazonas, Amapá, Tocantins, Ceará, Rio Grande do Norte, Pará, Maranhão, Roraima, Rio de Janeiro e Bahia.Os alunos provavelmente não conseguem:Localizar informações explícitas em gêneros mais complexos, como artigos de opinião.Identificar a finalidade de documentos técnicos, como relatórios científicos.Reconhecer o tema central de textos literários como a crônica.Identificar opiniões divergentes sobre o mesmo tema ao comparar diferentes textos.Nível das redes estaduais no Saeb - portuguêsArte/g1Nível 2: Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Rondônia, Paraíba, Sergipe, Alagoas, Amazonas, Amapá, Tocantins, Ceará, Rio Grande do Norte, Pará, Maranhão, Roraima, Rio de Janeiro e Bahia.Os alunos provavelmente não conseguem:Localizar informações explícitas em gêneros mais complexos, como artigos de opinião.Identificar a finalidade de documentos técnicos, como relatórios científicos.Reconhecer o tema central de textos literários como a crônica.Identificar opiniões divergentes sobre o mesmo tema ao comparar diferentes textos.Os demais estão no nível 3: Paraná (293,30), Rio Grande do Sul (291,94), Goiás (286,95), Espírito Santo (283,47), Santa Catarina (281,67), Minas Gerais (279,99), Piauí (279,43), Pernambuco (279,29) e São Paulo (276,24).Eles são capazes de reconhecer o tema de uma crônica e de identificar opiniões divergentes em um texto, mas não sabem:localizar informações em infográficos que misturam linguagem verbal e visual de forma técnica;identificar argumentos específicos dentro de contos;diferenciar o que é fato do que é opinião em contos, artigos e reportagens;diferenciar a tese (ideia principal defendida) dos argumentos em entrevistas ou crônicas;reconhecer ironia e humor em gêneros como crônicas e entrevistas.Matemática: dificuldade em resolverDistribuição de estados nos níveis do Saeb - matemáticaArte/g1Nível 2: Minas Gerais, Santa Catarina, Ceará, Roraima, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Acre, Pará, Rondônia, Tocantins, Paraíba, Mato Grosso, Sergipe, Alagoas, Distrito Federal, Amazonas, Rio Grande do Norte, Amapá, Bahia, Maranhão e Rio de Janeiro.Alunos reconhecem coordenadas no 1º quadrante e resolvem funções básicas, mas não sabem:analisar funções quadráticas (2º grau) para reconhecer o valor máximo ou o intervalo de valor máximo em um gráfico;resolver problemas de proporcionalidade direta para encontrar um quarto valor a partir de três dados em situações do cotidiano;calcular valores reajustados (aumentos ou descontos) a partir de um valor inicial e um percentual de reajuste.Nível 3: Paraná, Goiás, Piauí, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Pernambuco.Cumprem as tarefas acima, mas, em geral, não aprenderam a:determinar áreas de regiões complexas compostas por múltiplos retângulos;resolver sistemas de duas equações lineares;calcular a probabilidade de ocorrência de eventos simples;resolver problemas de contagem utilizando o princípio multiplicativo.