Entenda por que Tribunal do Crime do PCC torturou casal no interior

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Em 2022, um casal foi sequestrado e torturado pelo Tribunal do Crime do PCC, em Campinas, interior de São Paulo. O “julgamento” se iniciou após uma mulher realizar uma falsa denúncia de que sua filha teria sido abusada por seu genitor, Matheus* (nome fictício, representando uma das vítimas). Esta frente do crime organizado, segundo a investigação, é responsável por julgar e eliminar cidadãos acusados de abuso sexual infantil.Após a denúncia, Matheus* e Vitória* (nome fictício, representando a outra vítima, namorada do acusado) foram levados a uma casa, onde seriam julgados pelos “juízes do PCC”. As acusações foram negadas. No entanto, os criminosos — que, segundo o inquérito, era um grupo de 8 pessoas, contando com a mãe da adolescente — não aceitaram e os transferiram a um galpão, para continuar com a “apuração”.Durante o caminho, o carro que levava Matheus* foi parado pela Polícia Militar. Os agentes questionaram os hematomas no corpo, porém, a vítima não revelou o verdadeiro motivo por medo de que sua namorada, presente em outro carro, fosse assassinada. O carro foi liberado e os criminosos seguiram com a vítima que, ainda de acordo com o processo, estava certa de sua inocência perante as acusações de estupro e ainda tinha esperanças de ser inocentada. Leia também São PauloMulher do Tribunal do Crime do PCC é presa por torturar casal Na MiraDefesa diz que passaporte de Japa do PCC foi apreendido pela polícia Na MiraJustiça de SP revoga uso de tornozeleira eletrônica de Japa do PCC Manoela AlcântaraDiretor da Transunião ligado ao PCC será incluído na lista da Interpol No galpão, que pertencia à integrante do tribunal presa nessa terça-feira (4/8), o casal sofreu diversas agressões com barras de ferro e torturas. Matheus* foi morto pelo grupo, que ocultou seu cadáver. Vitória*, porém, permaneceu no local por mais de uma semana, ainda sob tortura dos criminosos e sob a presença da adolescente.Vitória* foi liberada após 10 dias e denunciou os crimes. Os réus foram identificados por testemunhas e investigações policiais. Desde 2022 os 8 acusados tiveram suas prisões preventivas decretadas, no entanto, todos estavam foragidos na época. Após uma longa investigação conjunta da Polícia Militar e Polícia Civil, todos foram presos e 5 já julgados e condenados, incluindo a mãe da menor.Segundo o delegado responsável pelo caso, no momento, apenas 3 pessoas ainda não foram julgadas — uma delas, a mulher presa nessa terça-feira, na Avenida Anhaia Mello, zona leste de São Paulo.Foragida desde 2022Uma mulher, envolvida com o Tribunal do Crime do PCC, foi presa na manhã desta terça-feira (4/8), por equipes da Companhia de Ações Especiais de Polícia (CAEP) Sudeste, na Avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello, na zona leste da capital.A investigada estava sendo procurada pela Justiça por crimes de corrupção de menor, associação criminosa, além de tortura e cárcere privado contra um casal, em Campinas, em 2022. Havia um mandado de prisão em aberto contra ela, com validade até 2034.Segundo apurações da Polícia Militar de São Paulo, a mulher seria integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC). No momento da prisão, ela estava acompanhada do marido, que também é apontado como integrante da facção.A ocorrência está sendo apresentada no 69º Distrito Policial (Teotônio Vilela). No entanto, o homem será apresentado no Fórum de Vila Prudente, em cumprimento a uma determinação para apresentação em juízo.