Andreas Kisser está sempre atento ao cenário da música pesada. Ao analisar o contexto atual, o guitarrista do Sepultura acredita que uma banda de metal que despontou no século 21 foi responsável por trazer uma abordagem realmente nova ao gênero.O assunto surgiu durante uma entrevista à Magenta TV, nos bastidores do festival Wacken Open Air. Ao ser perguntado sobre um riff de alguma banda contemporânea que o tenha surpreendido, o músico citou o Gojira e destacou a originalidade do trabalho dos franceses.Para Andreas, os colegas de profissão trazem um trabalho de guitarras muito diferente, tanto na criação de riffs, quanto na maneira de tocar. Conforme transcrição da Blabbermouth, ele explicou: “O Gojira é uma banda cujo trabalho de guitarra é muito original. De certa forma, eles construíram sua identidade em torno desse elemento novo, usando tapping e aquele tipo de groove. É difícil descrever exatamente, mas acho que eles realmente trouxeram algo novo para a criação de riffs e para a forma de tocar guitarra.”A Metal Hammer, revista britânica especializada, coloca os riffs “inspirados em tudo” como um grande diferencial do Gojira. Uma matéria datada de 2022 para contar a história da faixa “Flying Whales” ressaltou:“Há uma infinidade de elementos que diferenciam o Gojira de tantos de seus contemporâneos. Existe o lirismo inovador e ambientalmente consciente da banda francesa, com o vocalista e guitarrista Joe Duplantier frequentemente clamando pela salvação de um mundo poluído. Há também a combinação entre a técnica e a força bruta da bateria intrincada de Mario Duplantier, contrastando com riffs gigantescos inspirados em tudo, desde o death metal até o nu metal. E existe a capacidade do grupo de criar melodias inventivas, algo comprovado pelos milhões de reproduções no Spotify acumuladas por singles cheios de ganchos, como ‘Silvera’ e ‘Stranded’.”Gojira aprecia SepulturaVale destacar que o Gojira é um grande fã do Sepultura. Em 2021, a banda lançou uma faixa chamada “Amazonia”, vista como uma referência ao grupo de origem brasileira. À época, o vocalista e guitarrista Joe Duplantier abordou o tema em conversa ao Cuartel Del Metal e relatou a admiração pelos artistas (via Whiplash):“O Sepultura é enorme na história de nossa banda por alguma razão. Descobri o álbum ‘Arise’ primeiro e fiquei impressionado, era tão obscuro, rápido e técnico. Foi logo depois de ter descoberto Death e Morbid Angel […]. É um elogio [associarem a música ao Sepultura], não há vergonha. Nós copiamos deles e não foi de propósito, mas percebemos logo em seguida: ‘oh, isso soa como Sepultura, mas que se dane’. É um tributo ao Sepultura. É sobre o Brasil. É sobre a Amazônia. É tribal.”Como destacado pela Rolling Stone Brasil, o Gojira também citou o Sepultura ao tocar no Monsters of Rock em São Paulo em 2013. No palco, Joe citou a banda como “uma grande influência” e ofereceu em sua homenagem “The Heaviest Matter of the Universe”.Sobre Andreas KisserNascido em São Bernardo do Campo, São Paulo, Andreas Rudolf Kisser começou a carreira no Esfinge, que depois se tornaria o Pestilence e gravaria uma demo. Em 1987 se tornou guitarrista solo do Sepultura. Participou de todas as atividades do grupo desde então, se tornando uma de suas lideranças.Desde 2012 também integra o supergrupo latino De La Tierra. Registrou o álbum solo “Hubris I & II” em 2009. Também possui o Kisser Clan, em parceria com seu filho Yohan. Ainda gravou e excursionou com nomes como Anthrax, Metal Allegiance, Hail!, Scorpions, Asesino, Claustrofobia, Ratos de Porão e Death Angel, entre vários outros.O post A banda de metal do século 21 que trouxe algo novo, segundo Andreas Kisser apareceu primeiro em Igor Miranda.