A Energisa reverteu o lucro líquido consolidado de R$ 490 milhões registrado no segundo trimestre de 2025 e teve prejuízo de R$ 40 milhões entre abril e junho deste ano. O resultado conta no balanço divulgado nesta quinta-feira (6).Segundo a companhia, o desempenho foi afetado por um efeito contábil negativo de R$ 596 milhões relacionado à alienação de parte do portfólio de transmissão. O impacto, sem efeito no caixa, decorreu da reclassificação dos ativos para a categoria de mantidos para venda e da atualização de seus valores contábeis. Segundo a companhia, a contabilização não alterou o resultado regulatório da transmissão.A Energisa informou que a venda de parte do portfólio de transmissão foi acertada por R$ 2,3 bilhões para a Taesa. A companhia espera que a operação contribua para reduzir o endividamento, apesar do impacto negativo no resultado contábil do trimestre.Excluídos os efeitos extraordinários e não recorrentes, o lucro líquido consolidado ajustado recorrente somou R$ 88 milhões, queda de 80% em relação aos R$ 440 milhões apurados no segundo trimestre do ano passado. A redução foi explicada principalmente pelo aumento das despesas financeiras recorrentes.O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 1,8 bilhão, aumento de 72% sobre a despesa de R$ 1,062 bilhão registrada um ano antes. Desconsiderado o efeito extraordinário do acordo firmado pela Energisa Rondônia, a despesa financeira recorrente teria alcançado R$ 1,242 bilhão, alta de 46% na comparação anual. A empresa atribuiu o avanço à elevação do saldo da dívida líquida e ao maior custo médio do endividamento.A receita líquida ajustada da Energisa atingiu R$ 7,2 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 4% sobre os R$ 7 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Já a receita líquida consolidada, sem excluir as receitas de construção, avançou 8%, para R$ 9,2 bilhões.O Ebitda ajustado recorrente somou R$ 1,95 bilhão, alta de 1% em relação aos R$ 1,94 bilhão apurados um ano antes. O crescimento foi sustentado pelas contribuições dos negócios de transmissão, da plataforma de soluções energéticas (re)energisa e da distribuição de gás natural, mas parcialmente compensado pela retração no segmento de distribuição de energia elétrica e na área de holding e outros negócios.Na distribuição de energia elétrica, principal negócio do grupo, o lucro líquido caiu 30%, de R$ 766 milhões para R$ 534 milhões. O lucro ajustado recorrente do segmento recuou 51%, para R$ 319 milhões, enquanto a receita operacional líquida ajustada cresceu 5%, para R$ 6,576 bilhões. O resultado financeiro negativo das distribuidoras aumentou 177%, para R$ 1,480 bilhão.O mercado total de energia das distribuidoras avançou 4%, para 10.983 GWh. O consumo no mercado cativo cresceu 3%, enquanto o volume relacionado ao uso das redes por consumidores livres aumentou 9%. Após descontar a energia compensada pela geração distribuída, porém, o mercado cativo faturado caiu 3%.Na transmissão, a Energisa registrou prejuízo societário de R$ 436 milhões, ante lucro de R$ 102 milhões no segundo trimestre de 2025. Excluído o efeito de R$ 596 milhões ligado à alienação dos ativos, o lucro ajustado do segmento teria alcançado R$ 160 milhões, alta de 57% na comparação anual.O Conselho de Administração aprovou a distribuição de R$ 251,5 milhões em dividendos intercalares, equivalentes a R$ 0,10 por ação ordinária ou preferencial e a R$ 0,50 por unit. O pagamento será realizado em 24 de agosto.