Pague Menos amplia lucro em 19,5% no 3T26; vendas digitais crescem 32,8%

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A Pague Menos (PGMN3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 96,3 milhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 19,5% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado, divulgado ao mercado nesta quarta-feira, 4, foi favorecido pelo controle de despesas, pela melhora da margem bruta e pela redução dos custos financeiros.A companhia também registrou avanço de 32,8% nas vendas digitais, que contribuíram para sustentar o crescimento da operação em um cenário de desaceleração do mercado farmacêutico.A receita bruta somou R$ 4,429 bilhões, alta de 6,9% na comparação anual. Embora positiva, a expansão ficou abaixo dos 9,3% registrados no segundo trimestre e dos 14,4% do primeiro trimestre de 2026. A companhia atribui a perda de ritmo principalmente às bases de comparação mais elevadas, especialmente dos medicamentos GLP-1, que impulsionaram as vendas ao longo de 2025.O Ebitda ajustado atingiu R$ 278,8 milhões, crescimento de 7,2% em relação ao terceiro trimestre do ano passado. A margem Ebitda permaneceu em 6,3%, enquanto a margem líquida ajustada avançou de 1,9% para 2,2%.No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, a receita bruta chegou a R$ 12,916 bilhões, alta de 10%, enquanto o lucro líquido ajustado somou R$ 225,5 milhões, avanço de 46,5%.Controle de despesas e menor custo financeiro sustentam lucroA melhora do resultado da Pague Menos ocorreu mesmo diante de um crescimento mais moderado das vendas. Um dos fatores foi a expansão da margem bruta, que passou de 29,9% para 30% na comparação anual, o maior patamar para um terceiro trimestre desde 2018.O lucro bruto somou R$ 1,327 bilhão, crescimento de 7,2%. Segundo a companhia, o desempenho reflete melhorias nas condições comerciais, especialmente nas categorias de medicamentos genéricos e GLP-1, além de ganhos tributários relacionados ao novo centro de distribuição na Paraíba.A empresa também destacou a manutenção das perdas de estoque em níveis reduzidos, resultado associado à maior eficiência na gestão de mercadorias, com utilização crescente de ferramentas de inteligência artificial.As despesas gerais e administrativas totalizaram R$ 102,8 milhões, redução de 3,3% em relação ao mesmo trimestre de 2025. A queda foi explicada principalmente por menores provisões para remuneração variável e planos de ações restritas.Já as despesas com vendas cresceram 8,5%, chegando a R$ 946 milhões, pressionadas por custos relacionados à operação do novo centro de distribuição, à expansão da rede e a ajustes no quadro de funcionários.O resultado financeiro também contribuiu para a melhora do lucro. As despesas financeiras líquidas diminuíram 13%, passando de R$ 129,6 milhões para R$ 112,7 milhões.A redução foi favorecida por menores custos com antecipações de recebíveis e pela queda do CDI médio no período.Digital cresce 32,8% e amplia participação nas vendasA estratégia digital permaneceu como uma das principais frentes de crescimento da Pague Menos no terceiro trimestre. As vendas realizadas pelos canais digitais somaram aproximadamente R$ 1,1 bilhão, alta de 32,8% em relação ao mesmo período de 2025.Com isso, a participação desses canais na receita bruta passou de 19,8% para 24,6% em um ano, avanço de 4,8 pontos porcentuais.O crescimento foi impulsionado principalmente pelo aplicativo da companhia, cujas vendas aumentaram 73,2% na comparação anual. O canal concentra cerca de dois terços das vendas de e-commerce da rede.Nos últimos 12 meses, a Pague Menos registrou crescimento de 23% no número de usuários ativos mensais do aplicativo, além de 3,4 milhões de downloads.A companhia também ampliou a base de consumidores que utilizam mais de um canal de compra. Os clientes omnicanal passaram a representar 14,5% da base, crescimento de 2,9 pontos porcentuais em relação ao terceiro trimestre de 2025.Embora representem uma parcela menor do total de consumidores, esses clientes respondem por aproximadamente 40% das vendas da Pague Menos e apresentam gasto médio 3,8 vezes superior ao dos demais.O crescimento digital também ocorre fora da categoria de medicamentos GLP-1. Excluindo esses produtos, as vendas digitais avançaram 31,1% no trimestre, acima dos 28% registrados no segundo trimestre.Segundo dados apresentados pela companhia, sua participação nas vendas online do varejo farmacêutico brasileiro chegou a 12,2%, o maior patamar desde o segundo trimestre de 2025.Entregas rápidas ganham espaçoO avanço dos canais digitais foi acompanhado por investimentos na capacidade logística e na integração entre as lojas físicas e as plataformas de venda.Durante o terceiro trimestre, a Pague Menos ampliou a modalidade de entrega em até uma hora para 440 farmácias, crescimento de 69% em relação ao segundo trimestre.A companhia também habilitou a entrega de medicamentos controlados, incluindo produtos GLP-1, em 838 unidades, avanço de 119% na comparação trimestral.Com essas iniciativas, 86% dos pedidos realizados nos canais digitais foram disponibilizados aos consumidores em menos de duas horas, aumento de 3 pontos porcentuais em relação ao trimestre anterior.A retirada nas lojas respondeu por 49% dos pedidos digitais, enquanto as entregas expressas, realizadas em até duas horas, representaram 36%.Medicamentos GLP-1 contribuem menos para crescimento das vendasA desaceleração das vendas da Pague Menos está relacionada, principalmente, à menor contribuição dos medicamentos da classe GLP-1, utilizados no tratamento de diabetes e obesidade.Esses produtos foram um dos principais motores de crescimento da companhia em 2025, elevando a base de comparação para os trimestres seguintes.No primeiro trimestre de 2026, os medicamentos GLP-1 contribuíram com 6,5 pontos porcentuais para o crescimento total das vendas. Essa participação caiu para 3,2 pontos porcentuais no segundo trimestre e para 2 pontos porcentuais no terceiro.Apesar da menor contribuição para a expansão da receita, a categoria continua ganhando relevância no faturamento, representando 8,5% das vendas no terceiro trimestre, ante 7,1% um ano antes.O avanço da semaglutida foi um dos destaques. Após a quebra de patente, o volume comercializado desse princípio ativo cresceu 209% entre o primeiro e o terceiro trimestres de 2026, compensando uma redução de 54% no preço médio.As vendas de tirzepatida, por sua vez, permaneceram estáveis em relação ao segundo trimestre.Entre as demais categorias, higiene e beleza apresentou o maior crescimento, de 11,6%, impulsionado por dermocosméticos, proteção solar e produtos para cuidados capilares.Rede chega a 1.705 farmáciasA Pague Menos encerrou setembro com 1.705 lojas em operação, crescimento de 2,3% em relação às 1.667 unidades existentes um ano antes.Foram 14 inaugurações e quatro fechamentos no terceiro trimestre. Nos últimos 12 meses, a companhia abriu 46 farmácias e encerrou oito unidades.A expansão continua concentrada principalmente nas regiões Norte e Nordeste e em áreas de perfil popular. O Centro-Oeste, porém, vem ganhando espaço e respondeu por 26% das inaugurações realizadas nos últimos 12 meses.A empresa informou ainda que possui mais de 20 lojas em estágio avançado de implantação, com previsão de abertura no quarto trimestre de 2026.As vendas nas mesmas lojas cresceram 5,6% no terceiro trimestre, ante 8% no trimestre anterior e 17,6% um ano antes. Nas unidades maduras, o avanço foi de 5,3%.O tíquete médio atingiu R$ 97,39, alta de 3,2%, enquanto o número de atendimentos aumentou 3,6%, alcançando 45,5 milhões no período.A base de clientes ativos chegou a 22,6 milhões, crescimento de 2,1% na comparação anual.A participação de mercado nacional da Pague Menos atingiu 6,6%, com avanço marginal de 0,03 ponto porcentual em relação ao mesmo trimestre de 2025, segundo dados da IQVIA apresentados pela companhia.Dívida diminui e geração de caixa melhoraA dívida líquida ajustada da Pague Menos, incluindo antecipações de recebíveis, encerrou setembro em R$ 1,823 bilhão, queda de 11,7% em relação aos R$ 2,064 bilhões registrados no terceiro trimestre de 2025.A alavancagem financeira recuou de 2,5 vezes para 1,8 vez o Ebitda ajustado, redução de 0,7 vez na comparação anual.Segundo a companhia, este foi o 13º trimestre consecutivo de redução da alavancagem financeira.A dívida bruta somou R$ 1,635 bilhão, enquanto a dívida líquida sem considerar as antecipações de recebíveis ficou em R$ 1,507 bilhão.No trimestre, a Pague Menos também realizou sua nona emissão de debêntures, operação que contribuiu para reduzir o custo médio do endividamento para CDI mais 1,4% ao ano, além de alongar os prazos de pagamento.A geração de caixa operacional alcançou R$ 164,8 milhões, mais de três vezes os R$ 48,2 milhões registrados no terceiro trimestre do ano passado.Investimentos em tecnologia triplicamA Pague Menos investiu R$ 98,5 milhões no terceiro trimestre, acumulando R$ 229,4 milhões nos nove primeiros meses de 2026, crescimento de 61% em relação ao mesmo período do ano passado.Os investimentos em tecnologia somaram R$ 59,7 milhões entre janeiro e setembro, mais de três vezes os R$ 19,2 milhões destinados à área nos nove primeiros meses de 2025.Segundo a companhia, os recursos estão direcionados principalmente à experiência nos canais digitais, ao desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial e à modernização dos sistemas de precificação e abastecimento.Outro investimento relevante é o novo centro de distribuição na Paraíba, que contribuiu para ganhos de eficiência logística e tributária, embora também tenha provocado pressões temporárias sobre as despesas operacionais e o capital de giro.Imagem: DivulgaçãoO post Pague Menos amplia lucro em 19,5% no 3T26; vendas digitais crescem 32,8% apareceu primeiro em Mercado&Consumo.