ATENÇÃO SPOILER!Caso real envolvendo falsa cartomante, obras de arte milionárias e uma filha acusada de participar do esquema tem semelhanças impressionantes com a produção estrelada por Marieta Severo e Alice Wegmann.O que parece uma história criada para uma série de suspense aconteceu de verdade no Brasil. Um golpe estimado em mais de R$ 725 milhões, envolvendo falsas promessas espirituais, manipulação psicológica e o roubo de obras de arte valiosas, voltou a chamar a atenção do público após a estreia de “O Dom de Iludir”, nova produção da Netflix.A trama estrelada por Marieta Severo, Alice Wegmann e Nanda Costta apresenta uma família milionária envolvida em um esquema de fraude comandado por pessoas que se aproximam da vítima usando a fragilidade emocional e a promessa de uma suposta cura espiritual. Fora da ficção, um caso com elementos muito semelhantes foi descoberto no Rio de Janeiro e se tornou um dos maiores escândalos envolvendo o mercado de arte brasileiro.A história real é conhecida como caso Boghici e veio à tona em 2022, quando uma investigação revelou um esquema que teria causado um prejuízo superior a R$ 725 milhões à colecionadora Geneviève Boghici.Como funcionava o golpe milionário?Viúva do marchand e colecionador de arte Jean Boghici, Geneviève tinha 82 anos quando foi vítima do esquema. Segundo as investigações, a mulher foi abordada por uma falsa cartomante, que teria afirmado que sua filha, Sabine Boghici, corria risco de morrer.A partir dessa ameaça, a suspeita teria oferecido trabalhos espirituais e tratamentos para evitar uma suposta tragédia. Com medo de perder a filha, Geneviève passou a desembolsar quantias milionárias acreditando que estava protegendo a família.Mas o esquema não teria parado nas transferências bancárias. De acordo com a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro, joias e obras de arte também foram retiradas da residência da colecionadora. Algumas peças eram levadas sob a justificativa de que precisavam passar por uma limpeza espiritual.Entre os artistas cujas obras foram envolvidas no caso estavam Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Cícero Dias e Rubens Gerchman. Uma das telas de maior destaque foi “Sol Poente”, de Tarsila do Amaral, posteriormente recuperada pela polícia.A própria filha estava envolvida?Um dos aspectos mais chocantes do caso é que a filha da vítima, Sabine Boghici, foi apontada pelas investigações como uma das participantes do esquema. Segundo a acusação, ela teria fornecido informações pessoais da família para dar credibilidade às abordagens e facilitar a ação dos envolvidos.O caso também ganhou contornos ainda mais graves com relatos de que Geneviève teria sido mantida em cárcere privado pela própria filha. A investigação apontou a participação de outras pessoas, incluindo Rosa Stanesco Nicolau, conhecida como Mãe Valéria de Oxóssi.Sabine e Rosa foram presas durante a investigação. Sabine posteriormente obteve habeas corpus, mas morreu em 2023, após cair de um prédio no Leblon, no Rio de Janeiro. A morte foi tratada como possivelmente suicídio.Qual é a relação com ‘O Dom de Iludir’, da Netflix?As semelhanças entre o caso real e a série são impressionantes. Na produção, Marieta Severo interpreta Lúcia Rossetti, uma colecionadora de arte que procura ajuda para tratar a doença misteriosa da filha, Maíra, vivida por Alice Wegmann.É nesse momento que entra Irina, personagem de Nanda Costta, uma terapeuta espiritual que promete encontrar uma solução para o problema de saúde da jovem. A aproximação, porém, abre caminho para um golpe que envolve dinheiro, obras de arte e conflitos familiares.Na vida real, Geneviève e Sabine foram substituídas por personagens fictícias, enquanto a falsa cartomante também ganhou uma versão dramatizada. A série transforma os acontecimentos em um melodrama de manipulação, relações familiares conturbadas e disputas de poder.Embora as semelhanças sejam evidentes, é importante destacar que a Netflix não apresenta oficialmente a produção como uma adaptação do caso Boghici. A história da série é divulgada como ficção, criada por Diane Maia e Mirna Nogueira.Com dez episódios disponíveis na plataforma, “O Dom de Iludir” acaba levantando uma questão perturbadora: até onde alguém pode chegar para explorar a confiança e o medo de outra pessoa?