Guerra interna no PT por protagonismo no novo governo vira dilema para Lula

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Facções da sigla já trocam acusações em conflito antecipado pelo espólio do presidente que terá seu último mandato no Planalto a partir de janeiroO novo mandato do presidente Lula no Palácio do Planalto só vai começar em janeiro, mas, no PT, a disputa que incendeia diferentes correntes partidárias se dá pelo que virá depois do governo derradeiro do petista, em 2030.São muitos os nomes que buscam protagonismo após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro nas urnas. No Nordeste, a ala do ex-ministro da Educação e ex-governador do Ceará Camilo Santana tenta ocupar o espaço que um dia foi monopolizado pelo PT da Bahia, com Rui Costa e Jaques Wagner respondendo por indicações para cargos estratégicos da máquina federal e influenciando Lula sobre decisões políticas, econômicas e sociais.Desgastada pelos escândalos do Banco Master, a dupla de senadores baianos, vitoriosa nas urnas, passou a ser vista como um elemento radioativo para o novo governo, diante das investigações ainda em curso no STF — preso desde março, Daniel Vorcaro tem muito a falar sobre Costa, Wagner e o Credcesta.Se as apurações complicam o petismo do litoral baiano, o mesmo não ocorre com o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, que saiu das urnas reconhecido por Lula como alguém que teve papel relevante na campanha e que pode buscar mais protagonismo no cenário nacional. Fonteles não está no celular de Vorcaro nem nos negócios do Master. Isso, no entanto, não quer dizer que ele não venha a ser alvo da famosa máquina de moer reputações do petismo.Fonteles é citado por aliados de Lula como um bom nome para assumir o Ministério da Fazenda. O problema do piauiense é o mesmo que ronda petismo no Nordeste.As alas do PT das Regiões Sul e Sudeste têm outros planos para o pós-Lula e já começaram a organizar dossiês contra Camilo Santana, Rafael Fonteles e outros nomes de petistas que buscam protagonismo.Segundo confidenciou ao Radar um graduado aliado de Lula, um primeiro trabalho de fritura contra esses caciques nordestinos vem ocorrendo diretamente junto ao presidente Lula.Os alertas que chegam, em forma de um “conselho amigo”, são para que Lula não escolha esses aliados para cargos estratégicos, sob o risco de ver seu governo começar marcado por escândalos. Nessas conversas, são citadas supostas denúncias de corrupção envolvendo o Ministério da Educação — uma suposta delação de um empresário — e a gestão de Fonteles no Piauí, que teria proximidade com empresários já conhecidos na crônica político policial.O Planalto, por sua vez, já começou a mapear riscos em torno dos nomes que o presidente considera importantes para ter ao seu lado na nova administração, seja como conselheiros informais, seja como ministros.Os petistas do Sul e do Sudeste, amplamente rejeitados nas urnas de outubro, vão buscar espaço na máquina como forma de sobrevivência política.Cientes do que está acontecendo, petistas do Nordeste vão usar toda essa movimentação para insuflar o presidente Lula — já irritado com o assédio prematuro dos aliados por sua cadeira em 2030 — a ignorar o fogo amigo petista enquanto bombardeiam o atual chefe da sigla, o deputado federal eleito Edinho Silva, figura influente no PT paulista, e também alvo de dossiês sobre verbas eleitorais na campanha que terminou mês passado.A favor de Fonteles e Santana há ainda um fato incômodo ao PT: em termos de base nacional, o partido só conquistou quatro governos estaduais, todos na região Nordeste e justamente com os grupos de Fonteles e Santana no Piauí e no Ceará, além do Rio Grande do Norte e na Bahia.  Se o partido virou força regional, que seus caciques comandem essa nova realidade. Essa é a versão de lideranças nordestinas.Presidente de honra do PT e figura maior da legenda, Lula sabe bem o que pesa contra seus aliados, como funciona a máquina de moer reputações do petismo e como isso pode impactar seu governo. “Se decidir levar para dentro do ministério a guerra que agora domina o partido, Lula o fará por livre escolha, sem aceitar ameaças”, diz um auxiliar palaciano ao Radar.É sobre essa equação, segundo aliados, que Lula vem refletindo enquanto prolonga o processo de anúncio dos nomes para o futuro governo.Com VejaO post Guerra interna no PT por protagonismo no novo governo vira dilema para Lula apareceu primeiro em Vitrine do Cariri.