Ex-ministra aposta em maior trânsito entre partidos e na bancada feminina; ‘Não seremos candidatos um contra o outro’, diz líder da oposiçãoA senadora Tereza Cristina (PP-MS) mantém sua candidatura à presidência do Senado e busca ampliar o apoio entre integrantes do Centrão e dissidentes do PL que resistem ao nome de Rogério Marinho (PL-RN). Apesar da tentativa de unificação da oposição para enfrentar a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP), a ex-ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro pretende seguir na disputa e aposta em seu trânsito entre diferentes partidos para conquistar votos. Marinho, por sua vez, reafirmou que há um entendimento entre os dois para evitar um confronto direto.— Eu e Tereza temos um acordo entre nós: não seremos candidatos um contra o outro — afirmou.Tereza confirmou as conversas com o senador, mas ressaltou que nenhum dos dois desistiu da disputa. A ex-ministra também destacou a possibilidade de se tornar a primeira mulher a comandar o Senado.— Eu e o Rogério Marinho conversamos muito sobre esse assunto, até porque nós somos do mesmo campo. Mas a minha candidatura está mantida e a dele também. Vamos ver mais para frente. Eu quero ser a primeira mulher presidente do Senado. E vocês deviam me apoiar — afirmou.As declarações ocorrem às vésperas do lançamento oficial da candidatura de Marinho pelo PL, marcado para esta quarta-feira.A movimentação ocorre apesar de a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, ter anunciado apoio à reeleição de Alcolumbre na semana passada. Em nota assinada pelos presidentes das duas siglas, Antonio Rueda e Ciro Nogueira, a federação afirmou que a continuidade do senador no comando da Casa contribui para a “estabilidade institucional e o equilíbrio político”.A decisão, porém, já enfrenta dissidências. O senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP), por exemplo, anunciou que não votará em Alcolumbre, contrariando a orientação partidária. A adesão formal da federação também não impede Tereza, que é filiada ao PP, de manter sua candidatura e buscar apoios individuais entre os senadores, já que a eleição será realizada por voto secreto.A candidatura de Tereza encontra simpatia em uma ala do PL próxima ao presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto. Nos bastidores, integrantes desse grupo avaliam que Marinho enfrenta resistências entre partidos de centro e que a insistência em seu nome pode levar a oposição a uma derrota. Para esses interlocutores, Tereza teria maior capacidade de reunir parlamentares que não desejam a recondução de Alcolumbre, mas também não estão dispostos a apoiar o líder da oposição.A avaliação desse grupo é que o PL deveria abrir mão de uma candidatura própria caso queira ampliar suas chances de conquistar a presidência do Senado. Integrantes da legenda argumentam que Marinho não pode ser considerado o único nome da direita e defendem uma composição em torno da ex-ministra.Marinho, por sua vez, conta com o apoio do senador em final de mandato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na eleição presidencial, e de Carlos Bolsonaro (PL-SC), eleito senador por Santa Catarina. O PL terá 29 senadores a partir de fevereiro e pretende aproveitar o crescimento da bancada para ampliar sua influência sobre o funcionamento da Casa.Tereza e Marinho chegaram a se reunir na semana passada para discutir a possibilidade de unificar a oposição em torno de uma única candidatura, mas não houve acordo. Os dois mantiveram suas pretensões. A ex-ministra pretende acompanhar nesta semana a evolução do placar e avaliar a possibilidade de atrair novos apoios antes da eleição, marcada para 1º de fevereiro.Aliados da senadora também contestam as contas apresentadas pelo grupo de Alcolumbre. A avaliação é que o atual presidente do Senado teria entre sete e oito votos a menos do que os 48 que seus interlocutores afirmam reunir. Nos cálculos da oposição, há parlamentares contabilizados simultaneamente nas projeções de diferentes candidaturas, o que amplia a incerteza sobre o resultado.Aposta na bancada femininaOutro componente da movimentação de Tereza é a possibilidade de ampliar o espaço de lideranças femininas na reorganização da direita após a derrota de Flávio Bolsonaro. A ex-ministra é uma das principais representantes desse campo no Senado e deve explorar o argumento de que sua candidatura representa uma alternativa à disputa entre Marinho e Alcolumbre.Tereza também tenta se diferenciar dos adversários pela agenda que pretende defender à frente do Senado. A senadora não descarta a discussão de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), mas considera que o tema não deve monopolizar os trabalhos da Casa. Seus aliados defendem que a próxima legislatura também dê prioridade a reformas econômicas.Disputa pelos votos do CentrãoNa semana passada, a bancada do PL e senadores da oposição rejeitaram uma tentativa de acordo para apoiar a reeleição de Alcolumbre. A articulação envolvia a possibilidade de uma negociação entre Congresso, governo e Judiciário para atenuar a situação judicial de Jair Bolsonaro, condenado por liderar uma trama golpista.A proposta encontrou resistência entre parlamentares da direita, que questionaram a capacidade de Alcolumbre de garantir o cumprimento de um eventual entendimento. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o ex-vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS) rejeitaram a possibilidade de vincular a eleição da Mesa à situação do ex-presidente.Com os 29 senadores do PL e os três eleitos pelo Novo, a oposição calcula uma base potencial de 32 parlamentares contrários à reeleição de Alcolumbre. O número, porém, não representa necessariamente apoio fechado a Marinho, diante das divergências sobre quem deve encabeçar a candidatura.Alcolumbre conta com o apoio de direções partidárias do Centrão e de legendas da base governista, mas enfrenta resistências em parte dessas bancadas. A federação União-PP, por exemplo, terá 11 senadores e reúne parlamentares que não pretendem acompanhar a orientação favorável à recondução do atual presidente.Também estão em disputa os votos de Republicanos, Podemos e PSDB, que somarão 16 parlamentares na próxima legislatura.Com O GloboO post Tereza Cristina mantém candidatura ao comando do Senado e busca dissidentes do PL e Centrão para disputar com Marinho apoio da oposição apareceu primeiro em Vitrine do Cariri.