Como a IA muda a rotina de advogados e o futuro do Direito

Wait 5 sec.

A inteligência artificial (IA) avança sobre diversas áreas. E o Direito é uma delas. Recentemente, advogados que atuam no Brasil passaram a poder usar a nova geração do CoCounsel Legal.O Brasil foi o primeiro país da América Latina a receber a versão repaginada do assistente de IA desenvolvido pela Casetext (hoje parte da Thomson Reuters) para advogados e demais profissionais do Direito.“A nova experiência é agêntica”, diz Rodrigo Hermida, vice-presidente de Legal Professionals para América Latina da Thomson Reuters, em entrevista ao Olhar Digital.O que muda na nova versão do CoCounsel LegalHermida diz que, na nova versão da plataforma, “o advogado descreve o caso em linguagem natural e o CoCounsel Legal planeja o trabalho, pesquisa fontes jurídicas de autoridade e redige com citações, apoiado no conteúdo jurídico do Westlaw Brasil, que incorpora 114 anos da Revista dos Tribunais”.Em outras palavras: “A nova geração do CoCounsel Legal reúne, num mesmo ambiente, pesquisa, análise e redação, com acesso ao conteúdo jurídico de autoridade do Westlaw Brasil e aos documentos e precedentes do próprio escritório, que permanecem sob seu controle, protegidos e sem serem utilizados para treinar os modelos de IA.”“Sempre com o profissional no controle da estratégia e das decisões finais”, frisa o porta-voz.“A nova experiência é agêntica”, diz porta-voz da Thomson Reuters sobre a atualização do CoCounsel – Imagem: Olhar Digital via ChatGPTEntre as novidades da atualização, está o Multinational Profile. O recurso “permite ao advogado pesquisar requisitos legais de mais de 100 países e territórios, comparar diferenças regulatórias e identificar questões que podem exigir assessoria local”, diz Hermida.O porta-voz acrescenta que o Multinational Profile “amplia a capacidade de pesquisa sobre legislações de diferentes países, algo especialmente importante para empresas com operações internacionais”.O Olhar Digital pediu a Hermida um exemplo prático de como a nova versão do CoCounsel Legal poderia agilizar a rotina de um advogado que trabalha no Brasil e precisa lidar com demandas envolvendo questões legais brasileiras e de outros países.O porta-voz respondeu o seguinte:“O Brasil recebe muitas empresas estrangeiras que instalam subsidiárias no país e contratos que envolvem mais de uma jurisdição fazem parte da rotina de escritórios e departamentos jurídicos.Imagine um advogado que precisa preparar um acordo de confidencialidade entre uma empresa brasileira e parceiros de outros países. Ele descreve o caso em linguagem natural e o CoCounsel Legal monta um plano e executa cada etapa: pesquisa os requisitos de cada jurisdição com o Multinational Profile, compara as diferenças e apoia a redação do documento. O advogado não recebe só uma resposta. Ele acompanha o raciocínio e pode verificar cada etapa ao longo do processo. Assim, ganha tempo para avaliar os riscos e orientar o cliente, mantendo o controle da estratégia e das decisões finais.”Impactos na vida de advogados e dos seus clientesO vice-presidente acrescenta que, para quem contrata serviços jurídicos, “o impacto está na possibilidade de receber análises mais completas e uma orientação de maior valor, já que o advogado pode dedicar menos tempo às tarefas operacionais e mais à estratégia e às necessidades do cliente”.“É uma mudança importante: a IA deixa de apenas apoiar a pesquisa e passa a planejar e executar etapas do trabalho jurídico”, afirma o porta-voz.Para Hermida, “o futuro do trabalho jurídico envolve diferentes tecnologias e plataformas”. “O fundamental é que os profissionais possam confiar nos resultados e trabalhar com a segurança que sua responsabilidade exige.”‘Escritório de advocacia tende a ser menor, mais sênior e mais tecnológico’, diz advogado“A tecnologia está tirando do advogado o trabalho que nunca deveria ter sido dele”, começa Luis Fernando Prado, Diretor Executivo do Instituto Brasileiro de Inovação e Regulação Aplicada (Ibira) e sócio do Prado Vidigal Advogados, em entrevista ao Olhar Digital.“A tecnologia faz o volume e as pessoas fazem o que exige presença e empatia junto ao cliente”, diz advogado – Imagem: Olhar Digital via ChatGPTEste trabalho engloba tarefas como, nas palavras do advogado, pesquisa repetitiva, revisão mecânica de documentos e conferências de prazos.“O que sobra, e passa a valer mais, é julgamento, estratégia e leitura de contexto”, diz Prado.Ao falar especificamente sobre o uso de IA no Direito, o advogado deu o seguinte exemplo:“Por muito tempo, compliance foi um privilégio de grandes empresas. Uma startup de dez pessoas também precisa entender LGPD, regras de consumo e regulação setorial, mas raramente tinha estrutura para isso. A IA reduz muito o custo da primeira camada de análise jurídica e põe esse conhecimento ao alcance de quem antes ficava de fora.”Na prática, o avanço desta tecnologia nesta área significa que “o escritório de advocacia tende a ser menor, mais sênior e mais tecnológico”, diz Prado.“Essa é uma realidade que já começamos a observar e que vai ficar ainda mais evidente em 2027”, acrescenta o advogado. “A tecnologia faz o volume e as pessoas fazem o que exige presença e empatia junto ao cliente.”O post Como a IA muda a rotina de advogados e o futuro do Direito apareceu primeiro em Olhar Digital.